Comércio de rua ou shopping, o que você prefere?

  • 17 março 2014
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Desço do ônibus numa cidade que não conheço. Minha sandália arrebenta.

Felizmente, há um shopping enorme a 300 metros do ponto e, alguns passos descalços depois, estou num interior brilhante, de paredes brancas e ar condicionado.

Em menos de 10 minutos, compro novas sandálias e aproveito para comprar também o remédio que minha amiga pediu, numa farmácia 24 horas.

Tudo isso num domingo.

No quesito conveniência, os shoppings brasileiros reinam supremos, são campeões, tiram nota 10.

Mas eles também têm um papel sociocultural.

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Image caption Comércio de rua sofre concorrência direta dos grandes shoppings

Vários amigos me contaram que a ida ao shopping era o passatempo preferido da infância deles e ainda é até hoje.

Um rolé no shopping, almoço na praça de alimentação, o dia inteiro fazendo compras ou simplesmente olhando vitrines.

Tenho que admitir, eu passei por uma fase assim, nos primeiros anos da minha adolescência.

E, é claro, pela influência dos Estados Unidos, há também muitos shoppings na Grã-Bretanha, mas não tantos quanto no Brasil.

Existe ainda um esforço de líderes comunitários e dos próprios moradores para preservar o comércio local nas chamadas "high streets".

Mas acabei odiando shopping, pela mesmice, pela falta de alma, de identidade própria, pela necessidade de se comprar, gastar, gastar e gastar.

E, acima de tudo acho os prédios feios, monstruosos, sem luz natural.

Fico me perguntando por que aqui no Brasil os shoppings são assim tão cultuados?

Acho que por serem espaços protegidos, sem o perigo das ruas, longe da violência, do crime. Um local onde as pessoas podem exibir o dinheiro que têm, sem medo de serem roubadas.

Porém, há que se lembrar que os shoppings acabam prejudicando o pequeno comércio, os antigos mercados de bairro, que não conseguem competir, acabam perdendo freguesia e muitas vezes têm de fechar as portas.

E a consequência são bairros com menos vida comunitária, ruas mais vazias, o que pode até ter relação com a violência.

E você? prefere o shopping? Ou ainda faz suas compras no comércio de rua? Seu bairro ainda tem um comércio de rua ativo?

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