Literatura para quem?

Na minha quarta semana aqui em Recife fui convidada a apresentar uma redação literária em um encontro mensal de uma academia de literatura.

Foi ótimo!

Pude conhecer muitos escritores e artistas regionais do Nordeste e fiquei felicíssima por saber da existência daquela organização literária.

Antes de eu chegar a Recife tinham me dito que a cidade carecia de um cenário cultural. Agora vejo que o que falta mesmo é divulgação.

Quando eu mencionava obras de Gilberto Freyre e Ariano Suassuna a meus amigos que adoram ler, percebia que eles nunca tinham ouvido falar deles e muito menos sabiam da existência da academia literária do Recife.

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Image caption Preço alto de livros restringe o acesso a obras nacionais

E olha que estamos falando de escritores consagrados, que ganharam vários prêmios nacionais e que costumavam circular com frequência por meios culturais.

Apesar de ser um campo restrito, a literatura acadêmica não precisa e não deve ficar fechada, tem que se abrir, para tentar conseguir a maior exposição que puder.

Parece até que existe um objetivo de tentar manter o trabalho de escritores apenas no meio acadêmico, pois o que se vê é que o mundo real, representado pelos leitores, acaba ficando esquecido, intocado, muitas vezes sem tomar ao menos conhecimento das obras.

Pelo que sinto, no Brasil, o acesso ao mundo criativo, especialmente ao mundo literário, está limitado aos que conseguem comprar as obras, que muitas vezes são mais caras que as estrangeiras traduzidas para o português.

A meu ver, a missão dos grandes escritores é abrir portas e isso não será conseguido se para se ter acesso a suas obras temos que pagar preços altos.

Talvez seja preciso que escritores, editoras e livrarias repensem suas prioridades.

E você, o que acha? Quem no Brasil tem a responsabilidade de estimular o interesse pela literatura?