Estradas ou ciclovias, qual o símbolo do progresso?

Posso dizer que eu sou uma ciclista nata. Minha mãe pedalava grávida e eu tinha menos de um ano quando ela começou a me carregar na garupa.

Desde então, nunca mais parei de pedalar. Sempre morei em cidades que têm o que eu poderia chamar de uma boa "cultura da bicicleta" e nunca senti a necessidade de aprender a dirigir.

Em Oxford, onde moro, andar de carro não tem graça, pois a estrutura do centro da cidade privilegia os trajetos de bicicleta. Entre meus amigos, só dois têm carro. Sei que no Brasil a proporção é diferente e muitos jovens da classe média alta ganham carros dos pais ao completar 18 anos.

Mas essa "cultura da bicicleta" não vem apenas do indivíduo. É algo mais amplo, que envolve decisões do poder público. Em muitas cidades, as pessoas não andam mais frequentemente de bicicleta porque não se sentem seguras ou respeitadas nas ruas.

Direito de imagem Helson Ferreira Flickr
Image caption Bicicletada em Brasília; blogueira discute atual cenário da 'cultura da bicicleta' no país

Acho que Brasília, a cidade onde eu morei no ano passado, é um exemplo disso.

Brasília foi construída durante uma época na qual o carro era o símbolo do futuro. O progresso estava na construção de estradas e fábricas de automóveis. Os carros dominam a cidade, criando um ambiente que é, muitas vezes, hostil para ciclistas. Muitos lugares na cidade carecem da infraestrutura adequada para bicicletas.

Na minha viagem, foi interessante ver uma certa mudança em que a "cultura da bicicleta" é estimulada por meio do ativismo em duas rodas.

Um exemplo são as "bicicletadas" mensais – vertentes brasileiras da Massa Crítica (Critical Mass), um movimento global não muito conhecido, mas que tem presença em centenas de cidades do mundo. O objetivo dos ciclistas é reivindicar o direito de estar nas ruas, respeitados e sem medo.

Participei de uma bicicletada em Brasília e fiquei inspirada pela energia e motivação dos ativistas, pedalando e gritando em massa pela cidade, sem medo dos carros cujos motoristas pareciam incomodados com o espetáculo.

Mas essa não pode ser uma batalha entre motoristas de carro e ciclistas. Iniciativas concretas têm de vir de cima. Sua rua ou seu bairro estão mais seguros para ciclistas? Será que o Brasil vive o início de uma mudança? E se houvesse segurança nas ruas, você pedalaria mais?