Cinco problemas que atrapalharam o primeiro dia da Rio 2016

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Image caption Torcedores reclamaram de longas filas para entrar no Parque Olímpico

Depois do sucesso da cerimônia de abertura na sexta-feira, o comitê organizador da Rio 2016 levou um balde de água de fria neste sábado com a sucessão de problemas que marcou o primeiro dia de competições no Parque Olímpico, na Barra.

Filas e problemas de abastecimento frustraram as milhares de pessoas que circularam pelo centro nervoso dos Jogos, ainda mais em um dia de inverno no Rio de Janeiro em que as temperaturas chegaram a 32º C.

“Pedimos desculpas às pessoas que estão esperando sob o sol. Obviamente precisamos melhorar neste departamento”, disse, em um comunicado oficial, o porta-voz da Rio 2016, Mário Andrada e Silva.

Entenda mais sobre os problemas do primeiro dia.

FILAS

O público que comprou ingresso para o primeiro dia de competições no Parque Olímpico sofreu com uma longa espera em filas na entrada do complexo, por causa da checagem de segurança.

As filas, segundo relatos, chegaram a 1km de extensão e forçaram a segurança a abandonar temporariamente o uso das máquinas de raio-x em favor da revista corpora, o que reduziu a espera sensivelmente.

Mas não foi suficiente para que alguns torcedores conseguissem chegar a tempo dos eventos que queriam assistir.

A economista Nathalia Lopes, que tinha ingressos para assistir à apresentação por equipes da ginástica olímpica e queria acompanhar o brasileiro Arthur Zanetti, só conseguiu entrar na Arena Olímpica quando o atleta já tinha competido.

"É uma falta de respeito com as pessoas que compraram ingressos. Estou revoltada", reclamou.

Imagens de TV mostraram que a vitória da seleção brasileira feminina de handebol sobre a Noruega, também na manhã de sábado, começou com arquibancadas vazias na Arena do Futuro por conta do atraso na revista.

A Rio 2016 informou que os problemas se deram também por causa de um problema de comunicação entre os principais grupos de segurança, situação agravada por causa dos problemas com a empresa Artel, inicialmente responsável pela revista na entrada dos locais de competição e da Vila Olímpica.

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Image caption Fila em bebedouro do Parque Olímpico

COMIDA

Em diversas instalações olímpicas, houve problemas de abastecimento de comida, especialmente no Complexo de Deodoro, onde, a partir do início da tarde, as lanchonetes passaram a vender apenas bebidas.

No Parque Olímpico, longas filas se formaram nos locais de alimentação e até nos bebedouros. Houve ainda o transtorno de uma queda de energia por volta das 12h30m.

Na noite deste sábado os bares da Arena do Futuro foram fechados por falta de produtos, quando ainda havia dois jogos a serem realizados.

CALOR

Apesar do forte calor não ser algo que o Comitê Organizador pudesse controlar, frequentadores reclamaram da falta de sombra.

“Deveriam ter pensado em mais opções de sombra para as pessoas, ainda mais para quem vem com crianças. Não é novidade que faz calor no Rio de Janeiro mesmo no inverno”, reclamou Beatriz Galvão, de 45 anos, que tentava se abrigar com os dois filhos.

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Image caption Famílias tentam se refrescar no Parque Olímpico

ÔNIBUS

O serviço de transporte integrado entre a Linha 4 do metrô e o ônibus BRT recebeu críticas de alguns espectadores pelas longas filas e a lotação das composições.

A secretaria municipal de Transportes recomendou que torcedores passem a reservar pelo menos três horas para seu deslocamento às arenas da Rio 2016 e recomendou a compra antecipada do cartão de transporte olímpico.

INFORMAÇÕES

Torcedores reclamaram também de falta de informações, em especial os estrangeiros. Um dos maiores problemas foi a comunicação fora dos locais de competição, como as lanchonetes.

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Image caption Tenda de imprensa no Centro de Hipismo teria sido alvejada

SEGURANÇA

Em Copacabana, quem estava próximo à linha de chegada da prova masculina de ciclismo de estrada levou um susto quando um esquadrão antibombas da polícia fez uma detonação controlada de um pacote suspeito.

A operação ocorreu atrás de uma das arquibancadas e mais de duas horas antes da chegada dos atletas, mas assustou espectadores e jornalistas no local – o estrondo foi ouvido durante a transmissão ao vivo da BBC para o Reino Unido.

Em Deodoro, a polícia foi chamada para investigar uma bala perdida encontrada pela delegação australiana na sala de imprensa do Centro Olímpico de Hipismo, que, neste sábado, recebeu provas de equitação.

O Comitê Rio 2016 disse estar ciente do fato e que aguarda a investigação da polícia, informando ainda que ninguém ficou ferido.

O porta-voz da Rio 2016, Mário Andrada e Silva, disse ainda que não acredita que a bala perdida tenha sido um ataque aos Jogos.

"Não tem nada a ver com os Jogos, sabemos disso já. Não foi um ataque direcionado. Não estamos no alvo. Assim que tivermos mais informações, vamos passar a vocês. Força Nacional, Exército e órgãos competentes reforçaram segurança na área ao redor para termos 100% de certeza de que está tudo calmo."

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