'Hallelujah' e outras 9 músicas inesquecíveis de Leonard Cohen, morto aos 82 anos

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Image caption Leonard Cohen lançou seu último trabalho este ano

Leonard Cohen, morto nesta quinta-feira (10), dedicou-se por mais de 50 anos às palavras e à música. Cantor, compositor, poeta e romancista, ele deixou uma obra altamente influente e repleta de sucessos internacionais.

A morte foi anunciada na página de Facebook do cantor, mas a causa da morte não foi divulgada.

Em canções gravadas por inúmeros artistas, Cohen explorou temas como amor, sexo e religião; ele era obcecado pela espiritualidade e pela morte.

O canadense saiu da cena artística nos anos 1990. Chegou a ficar recluso em um monastério budista, em 1996. Voltou à música por precisar de dinheiro, depois de descobrir que seu agente, Kelley Lynch, havia ficado com parte de sua poupança.

Neste ano, logo após de completar 82 anos, lançou o álbum You Want it Darker, no qual fez reflexões sobre a morte com arranjos minimalistas, uma de suas principais marcas musicais - além, claro, de sua inconfundível voz grave.

Em entrevista à revista norte-americana New Yorker, há um mês, declarou estar pronto para morrer. "Espero que [morrer] não seja muito desconfortável", disse.

Cohen se foi, mas deixou a poesia de seus poemas e canções. A BBC lembra 10 músicas inesquecíveis do canadense, ciente de que a lista poderia ser muito maior.

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1. Hallelujah (1984)

Leonard Cohen contou que a primeira reação do presidente da gravadora CBS, Walter Yetnikoff, ao ouvir pela primeira vez esta canção foi considerá-la uma abominação: "O que é isso? Isso não é música pop, não vamos lançar. É um desastre ..."

Para Cohen, no entanto, Hallelujah tinha algo muito especial e lhe consumiu muito tempo. Obcecado com cada palavra, descartou mais de 80 rascunhos antes de terminá-la.

O "desastre" previsto pelo presidente da gravadora se tornou um dos maiores sucessos de Cohen, gravada por inúmeros artistas dos mais variados gêneros, de Jeff Buckley e Nick Cave a Bon Jovi e Sandy (com o irmão Junior e o marido, Lucas Lima).

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Image caption Quando Bob Dylan ganhou o Nobel de Literatura, muita gente disse Cohen também merecia o prêmio

2. Suzanne (1967)

"Para você que tocou o corpo perfeito dela com sua mente", diz uma das canções mais marcantes da primeira fase da carreira de Cohen, que começou escrevendo poesias nos anos 1960 e migrou para a música depois de visitar Nova York, onde conheceu a cantora folk Judy Collins.

Suzanne Verdal, a musa que dá nome a música, é uma mulher que conheceu em um café em Montreal - e que estava com o namorado.

A música está no álbum de estréia de Cohen.

3. Bird on a Wire (1969)

No final dos anos 1960, Cohen estava deprimido, "dando um tempo" na ilha grega de Hydra. Havia se mudado para lá depois de se formar na Universidade McGill e de comprar uma casa na ilha, por US$ 1.500, dinheiro herdado do pai.

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Image caption No início dos anos 70, Cohen já fazia ucesso também como compositor

Um dia, observou um pássaro que passava o tempo sobre um fio.

Esta imagem foi suficiente para ele compor uma de suas mais belas canções.

4. I'm Your Man (1988)

"Se quer um amante, farei qualquer coisa que você quiser. E se você quiser outro tipo de amor, usarei uma máscara para você"

Esta canção de amor - explícita - veio num momento em que carreira de Cohen estava com a popularidade em baixa e tornou-se um grande sucesso.

5. First We Take Manhattan (1988)

Foi originalmente gravada por Jennifer Warnes em 1987 para o álbum Famous Blue Raincoat, um tributo a Cohen, que gravaria a música no álbum I'm Your Man, lançado no ano seguinte.

"Primeiro a gente assume Manhattan; em seguida, a gente assume Berlim", diz o refrão da música.

6. Everybody Knows (1988)

Os críticos consideram essa uma das canções mais pessimistas de Cohen.

Diz que os pobres continuam pobres enquanto os ricos ficam cada vez mais ricos, e que "todo mundo sabe que a praga está chegando/ todo mundo sabe que está se movendo rápido".

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Image caption Cohen explorou temas como amor, sexo e religião em suas obras

7. So Long, Marianne (1967)

Marianne Jensen foi a musa dessa música. Eles se conheceram na Grécia, em Hydra, e mantiveram uma relação de 7 anos.

Cohen mais de uma vez contou que Marianne foi a mulher mais bonita que conheceu. Ela morreu em julho passado.

Ao saber que estava doente, Cohen mandou-lhe uma carta para que pudesse lê-la antes de sua morte.

8. Ain't no Cure for Love (1988)

Também parte do disco de Jennifer Warnes, de 1987, ainda que as versões cantadas por ela e por Cohen sejam ligeiramente diferentes.

"Médicos trabalhando dia e noite. Mas nunca encontrarão a cura; a cura para o amor", diz a letra.

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Image caption Cohen começou escrevendo livros; lançou a coleção de poesias "Flowers for Hitler" (1964) e, em seguida, os romances "The favorite game" (1963) e "Beautiful losers" (1966)

9. Sisters of Mercy (1967)

Esta música também é do álbum de estréia de Cohen, no qual também aparecem os sucessos "Suzanne" e "So long, Marianne".

Foi composta na cidade canadense de Edmonton, durante um nevasca.

"Havia duas jovens viajantes, Barbara e Lorraine, que não tinham para onde ir. Lhes dei refúgio no meu quarto de hotel, onde imediatamente adormeceram e as observei de uma cadeira", contou Cohen sobre como compôs a canção.

"Quando acordaram, tinha terminado a canção e a toquei para elas".

10. Dance Me to the End of Love (1984)

Embora tenha a estrutura de uma música de amor, essa canção foi inspirada no Holocausto.

Cohen disse certa vez que "é curioso como surgem as canções, porque a origem de cada uma tem um grão ou uma semente que alguém lhe entrega...O processo de escrever uma canção é misterioso".

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Image caption "Estou pronto para morrer. Espero que não seja muito desconfortável", disse Cohen em entrevista à New Yorker, no mês passado

Cohen deixa um enorme e variado repertório. Qual é sua música favorita de Leonard Cohen?