Líder do DEM diz que acusações são graves, mas que partido vai esperar para decidir se sai do governo Temer

Reunião de Temer com líderes da base aliada em maio Direito de imagem Agência Brasil
Image caption Reunião de Temer com líderes da base aliada no começo de maio; após delação da JBS, partidos discutem saída do governo

A grave crise política que se instalou no governo desde a revelação da delação de Joesley Batista, um donos da JBS, fez com que a base aliada passasse a rever seu apoio ao presidente Michel Temer.

Neste domingo, lideranças do PSDB, DEM e PPS se reuniriam para avaliar um possível desembarque do governo, mas o encontro foi cancelado, o que deu certo alívio ao peemedebista.

Em entrevista à BBC Brasil, o líder do DEM na Câmara, deputado Efraim Filho (PB) disse que seu partido não tem outra reunião marcada para discutir a possível saída.

Segundo dele, a sigla tem "responsabilidade com o país" e vai aguardar "mais informações" para "analisar melhor o cenário".

Por enquanto, disse o parlamentar, Mendonça Filho (DEM) permanece como ministro da Educação.

Efraim Filho reconhece que as "denúncias são graves", mas critica o Supremo Tribunal Federal e o Ministério Público por terem concedido um acordo de delação muito benevolente aos executivos e donos da JBS.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

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Image caption Líder do DEM diz que partido tem "responsabilidade com o país"

BBC Brasil - O DEM vai fazer outra reunião para discutir a situação do governo Temer?

Efraim Filho - A priori não. Estamos esperando ter informação completa sobre tudo. Acho que este momento é de buscar informação. Não adianta você deliberar sem informação. É por aí que a gente está seguindo.

BBC Brasil - Seria precipitado sair agora?

Efraim Filho - O ministro Mendonça continua à frente da Educação e vamos buscar mais informação para poder fazer uma avaliação mais completa do cenário.

BBC Brasil - Tem como andar com as reformas agora?

Efraim Filho - Acredito que as reformas são uma agenda do país, não são a agenda de um governo. O Brasil é maior do que nomes.

Então, o interessante é que ela seja uma agenda de Estado e não uma agenda de governo. Agora, a cada dia tem um novo desafio. Acho que neste momento a crise institucional é a agenda principal a ser discutida e assim que for ultrapassada, seja de qual forma for, as reformas devem voltar à pauta do país.

BBC Brasil - O DEM me parece mais inclinado a manter o apoio ao presidente. É uma leitura correta?

Efraim Filho - O DEM tem responsabilidade com o país. Então neste momento é ter responsabilidade com o país e só deliberar depois que puder fazer uma avaliação completa das informações e dos cenários. As coisas têm chegado a conta gotas, com certeza o momento é delicado, as denúncias são graves, mas existe também muita contestação com os procedimentos que foram adotados com os delatores.

É uma benevolência sem precedentes. Eles cometeram crime, ganharam dinheiro com a crise, isso também deve ser contestado. Não pode o Supremo e o Ministério Público acharem natural que delator ganhe dinheiro com a crise. Então tem que ser avaliado de todos os lados e é isso que o Democratas está fazendo nesse momento.

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Image caption Deputado reconhece que denúncias contra Temer são graves

BBC Brasil - O senhor acha que houve armação?

Efraim Filho - Não, não trabalho com essa hipótese. Mas tem que ver os procedimentos que foram usados com os delatores.

Acho que as investigações sobre a responsabilidade do presidente Temer têm que ser aprofundadas, defendemos isso. Agora, não pode os delatores gozarem da benevolência de terem cometidos os crimes e hoje saírem ricos do caos provocado por eles mesmos.

BBC Brasil - Mas isso não retira os problemas que recaem sobre Temer.

Efraim Filho - De forma alguma. Não estou justificando uma coisa com outra. Estou dizendo que temos que avaliar o cenário como um todo.

Isso tem gerado uma reação muito forte também da sociedade, acabou gerando um sentimento de impunidade. Eles se aproveitaram dos subsídios públicos, fizeram fortuna e praticamente saíram sem dever nada à Justiça e ao país.

BBC Brasil - O DEM deve tomar uma decisão nesta semana sobre permanecer no governo?

Efraim Filho - Depende do acesso à informação. Até que ponto vamos ter acesso completo à informação para poder fazer essa avaliação.

BBC Brasil - Mas que informação está faltando para os senhores?

Efraim Filho - Não… Você hoje tem informação sobre delação que não tinha ontem, está entendendo?

Amanhã vamos ter notícias novas que não temos hoje. Então, na quarta-feira o Supremo se pronuncia sobre a suspenção ou não do inquérito.

Há uma contestação sobre se esse é um inquérito que está no âmbito da Lava Jato ou dos fundo de pensão (isso mudaria a competência de Fachin para outro ministro do STF), eu presidi a CPI dos fundos de pensão. A JBS foi chamada por condução coercitiva no âmbito da Greenfield, que é outra operação. É preciso que tenhamos uma avaliação sobre isso.

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