#LulaInocente e #LulaNaCadeia: A repercussão da condenação de Lula entre a classe política

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Image caption Petista foi considerado culpado por corrupção e lavagem de dinheiro

A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gerou uma onda intensa de reações na classe política. Enquanto seus defensores acusaram Sergio Moro de agir politicamente e de condenar o petista à prisão sem provas, os críticos elogiaram o juiz federal, classificando sua decisão como simbólica do avanço do combate à corrupção no país.

Lula foi sentenciado a nove anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

Ele foi considerado culpado de receber vantagens indevidas da empreiteira OAS - um tríplex no Guarujá (SP) e a reforma do imóvel, um total avaliado em R$ 2,4 milhões pelo Ministério Público Federal - para, em troca, defender interesses da empresa junto à Petrobras.

O petista nega ser dono do imóvel e diz não ter cometido qualquer irregularidade.

A ex-presidente Dilma Rousseff classificou a condenação de seu antecessor e padrinho político como um "escárnio, uma flagrante injustiça e um absurdo jurídico que envergonham o Brasil".

"Lula é inocente e essa condenação fere profundamente a democracia", disse.

Já a presidente nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffman (PR), disse que Moro "prestou contas aos meios de comunicação e à opinião pública contra Lula" e o condenou "sem provas".

"Vergonhoso", escreveu ela no Twitter - a divulgação da sentença colocou Lula e Moro entre os assuntos mais comentados na rede social em todo o mundo.

Celebração

Por sua vez, lideranças de partidos que integravam a oposição durante os governos petistas celebraram.

Ronaldo Caiado (GO), líder do DEM no Senado, classificou a sentença como "mais um resultado do excelente trabalho" de Moro.

"O chefe da quadrilha, de todo esse esquema que saqueou o Brasil, foi condenado", disse ele. "É só o começo. Lula ainda tem mais outros quatro processos em andamento. Justiça sendo feita contra um criminoso que tantos prejuízos trouxe ao Brasil com seu projeto de poder."

O senador Paulo Bauer (SC), líder do PSDB, declarou que "a lei existe para todos" e que "ninguém pode estar acima" dela. "Um juiz com a reputação do Sergio Moro não aplicaria uma penalidade sem ter provas, evidências, suficientes para sustentá-la", afirmou.

"Resta saber agora se os aliados do ex-presidente vão aceitar essa decisão, porque temos visto que nos últimos tempos eles não aceitam nada que seja legal ou democrático."

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Image caption Dilma afirmou que condenação de Lula é uma 'injustiça'

2018

Parlamentares do PC do B, legenda que compunha a base dos governos de Lula e Dilma, se manifestaram contrariamente à condenação.

A deputada Jandira Feghali (RJ) afirmou no Twitter que a sentença "retira o foco da absurda Reforma Trabalhista e do processo de Temer" na Câmara. Ela usou a hashtag #LulaInocente, assim como muitos defensores do ex-presidente nas redes sociais.

Já a senadora Vanessa Grazziotin (AM) publicou que "segue o rito de Temer, PSDB e seus aliados: tirar Dilma, aprovar reformas contra o povo e impedir a candidatura de Lula em 2018".

Na sentença, Moro determina que Lula seja impedido de ocupar cargos públicos. Caso a condenação seja confirmada em segunda instância, ele pode ficar inelegível e ser impedido de se candidatar à Presidência no próximo ano - o petista lidera hoje as pesquisas de intenção de voto.

Segundo colocado, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) parabenizou "Moro e sua equipe". "Quero cumprimentar o trabalho maravilhoso em prol de um Brasil melhor, com a corrupção deixando de ditar o norte da política brasileira", disse.

"Não há nenhuma perseguição política na condenação do Lula. Ele está sendo condenado por atos que fez por livre e espontânea vontade, sabendo que estava errando."

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Image caption Bolsonaro negou que haja uma perseguição política a Lula

Ex-ministra de Lula, a também presidenciável Marina Silva (Rede-AP) se manifestou nas redes sociais.

"A condenação mostra o amadurecimento das instituições democráticas e que ninguém está acima da lei e da Constituição", afirmou. "É preciso garantir que a Lava Jato vá até o fim de sua missão e resista aos golpes daqueles que resistem a ter seus delitos punidos."

O prefeito de São Paulo, João Doria, foi incisivo - ele também é apontado como possível rival de Lula em 2018. "A justiça foi feita", disse ao comemorar a decisão nas redes sociais, chamando o ex-presidente de "o maior cara de pau do Brasil".

O senador licenciado José Serra (SP), o governador Geraldo Alckmin (SP) e o senador Aécio Neves (MG), alguns dos principais nomes do PSDB, ainda não se manifestaram sobre a condenação.

O senador Alvaro Dias (PV-PR), também possível candidato em 2018, considerou a decisão de Moro "emblemática" e declarou que "ficaria uma sensação de impunidade" se Lula não fosse condenado.

A sentença sinaliza, segundo Dias, para uma nova justiça no Brasil: "Agora, verificamos que ela alcança poderosos e se torna igual para todos".

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Image caption Prefeito de São Paulo comemorou a decisão e chamou Lula de 'maior cara de pau do Brasil'

Movimentos sociais

Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST), Guilherme Boulos classificou o julgamento como "inaceitável". Para ele, Moro "agiu como promotor de toga e tornou o processo um julgamento político".

O MTST convocou um protesto para esta quarta na avenida Paulista, em São Paulo, no mesmo local e horário em que o movimento Vem Pra Rua prevê um ato de apoio a Moro e à Lava Jato.

"#LulaCondenado é o primeiro passo. Queremos #LulaNaCadeia", diz uma postagem do Vem Pra Rua nas redes sociais.

Já o MBL, mesmo comemorando a condenação de Lula, decidiu não convocar nenhuma manifestação nesta quarta-feira, apontando como motivo o fato da CUT (Central Única dos Trabalhadores) já estar na Paulista.

"Para evitar conflitos e prezando a segurança das famílias, não é seguro misturarmos milícias petistas com o povo do bem."