Charlottesville: supremacistas brancos e grupos antirracismo entram em confronto

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Supremacistas brancos e grupos antirracismo entram em confronto nos EUA

Supremacistas brancos e grupos antirracismo entraram em confronto na cidade de Charlottesville, no Estado americano da Virgínia, no dia da realização de uma marcha convocada pela extrema-direita.

Várias pessoas ficaram feridas e uma morreu depois que um carro atropelou uma multidão que era contra o protesto.

O governo da Virgínia declarou Estado de emergência para permitir a mobilização das forças de segurança.

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Homem atropela manifestantes antirracismo em cidade dos EUA

A marcha "Unir a Direita" havia sido convocada devidos aos planos de remoção da estátua de um general pró-escravidão que lutou na Guerra Civil Americana.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condenou a violência.

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Image caption Supremacistas brancos foram vistos usando uniformes militares e carregando armas

Em sua conta oficial no Twitter, ele afirmou: "Devemos nos manter unidos e condenar tudo o que o ódio representa. Não há lugar para esse tipo de violência nos Estados Unidos. Vamos nos unir!"

Segundo o correspondente da BBC Brasil nos Estados Unidos, Ricardo Senra, que está em Charlottesville, a cidade permanece cercada.

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Image caption Carro atropelou multidão que era contra protesto

"Forças de segurança cercaram a área onde houve o atropelamento. Há muitos feridos e equipes de emergência estão no local. Momentos antes, grupos de extrema direita e antifascistas trocaram agressões. Alguns supremacistas estavam armados, inclusive com spray de pimenta. Muitos também carregavam símbolos associados à extrema-direita, como bandeiras dos Estados Confederados e suásticas", disse ele.

Segundo Senra, pouco depois de atropelar a multidão, o carro voltou a avançar em direção aos feridos.

Mais cedo, a polícia lançou bombas de gás lacrimogênio e efetuou prisões.

Os manifestantes de extrema-direita, alguns carregando escudos e usando capacetes, convocaram a marcha para protestar contra os planos de remover a estátua do General Robert E. Lee.

O militar comandou as forças dos Estados Confederados durante a Guerra Civil Americana (também conhecida como Guerra de Secessão) entre 1861-1865.

Segundo o jornal americano New York Times, alguns deles entoaram cânticos como "Vocês não vão tomar o nosso lugar" e "Judeus não vão tomar nosso lugar".

Organizações antirracismo como Black Lives Matter também convocaram passeatas.

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Image caption Testemunhas afirmaram que, depois de atropelamento, carro voltou a avançar contra manifestantes

Em sua conta no Twitter, o governador da Virgínia, Terry McAuliffe, pediu calma aos manifestantes: "Os atos e a retórica em #Charlottesville nas últimas 24 horas são inaceitáveis e devem parar. O direito de expressão não é o direito à violência", postou ele.

Já o prefeito da cidade, Mike Signer, descreveu a marcha de extrema-direita como uma "passeata de ódio, fanatismo, racismo e intolerância".

Na sexta-feira, supremacistas brancos acenderam tochas - em uma clara referência ao grupo Ku Klux Klan - e gritaram palavras de ordem como "Vidas Brancas importam" ao marchar pela Universidade da Virgínia, localizada na cidade.

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Image caption Carro avançou contra multidão que protestava contra marcha pró-direita

Charlottesville é considerada um colégio eleitoral liberal - 86% votaram na candidata democrata Hillary Clinton nas eleições presidenciais do ano passado.

No entanto, a cidade chamou a atenção de supremacistas brancos depois de que o conselho municipal aprovou a remoção da estátua do general Lee.

Alguns analistas também disseram que a eleição de Trump deu novo gás à extrema-direita por todo os EUA.

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