Haddad diz que polarização impede pedido de desculpas do PT por escândalos

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‘O mínimo que devo ao Lula é lealdade’, diz Haddad

Pouco menos de um ano após perder a chance de reeleição para João Doria (PSDB), o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), está com a agenda cheia. Desde que deixou o cargo, ele tem feito uma série de viagens pelo Brasil, se encontrando com políticos de esquerda, realizando palestras e dando entrevistas.

Visto por alguns como um "plano B" do PT caso Lula seja condenado em segunda instância e não concorra à Presidência, Haddad nega estar em pré-campanha e diz descartar um cenário sem o ex-presidente em 2018.

Segundo Haddad, Lula também terá papel fundamental na decisão sobre uma eventual candidatura a outro cargo ano que vem. "Eu vou querer ouvi-lo antes de tomar qualquer decisão. Não que necessariamente acate, mas quero ouvi-lo".

Em entrevista à BBC Brasil na sede do Insper na última sexta-feira, Haddad afirma que o atual momento político polarizado impede uma autocrítica maior por parte do PT e outros partidos. "É difícil você conseguir que as partes façam as autocríticas cabíveis e promovam uma virada de página porque tudo virou briga de facção no Brasil".

Haddad também fez críticas ao atual prefeito de São Paulo, João Doria. "A estratégia do Doria é só comunicacional. Ela não tem nenhuma outra finalidade. É uma estratégia de marketing. Pura e simplesmente."

O ex-ministro da Educação também está de volta ao magistério. Há cerca de três meses pediu licença da Universidade de São Paulo para dar aulas no Insper, instituição privada cujas mensalidades beiram os R$ 4 mil na graduação.

O ex-prefeito se mostra cético quanto à proposta de reforma política relatada na Câmara pelo petista Vicente Cândido e defende uma solução que chama de heterodoxa: que o STF tome a frente da reforma.

Confira os principais trechos da entrevista à BBC Brasil:

BBC Brasil - O senhor viajou para diversos Estados nos últimos seis meses. Está iniciando uma pré-campanha, como Lula e Doria?

Fernando Haddad - Não. Na verdade, eu estou atendendo a um pedido do Lula. Ele me pediu para rodar as universidades. Eu me coloquei à disposição para integrar a equipe que vai formatar o plano de governo dele.

No começo do ano, quando ele me perguntou o que eu queria, falei que gostaria de ajudar a formular uma plataforma para a sua candidatura. Aí, ele falou: "Une o útil ao agradável. Você está sendo convidado para dar palestras no Brasil. Nesse périplo, você pode se conectar a pessoas, estabelecer relações com pessoas no Brasil inteiro. Você tem um nome forte na educação em função do seu trabalho no MEC (Ministério da Educação) e seria uma oportunidade ótima para nós".

BBC Brasil - Movimentos sociais e políticos acabam de lançar um projeto chamado Vamos!. Como o senhor vê essa nova movimentação da esquerda?

Haddad - É natural que, diante de uma crise tão profunda, existam várias iniciativas. Eu entendo que é bom para o processo que haja mais de uma iniciativa. Considero importante a candidatura do Ciro (Gomes). Considero importante esse movimento Vamos!, considero mais importante ainda a candidatura de Lula.

Mas eu penso que esses movimentos fazem parte do mesmo diagnóstico: de apresentar uma plataforma de superação da crise alternativa ao governo Temer. Porque o governo Temer é o que está posto hoje. E precisa de uma alternativa a isso. E o governo Temer certamente terá alguém do PMDB ou do PSDB para defender.

BBC Brasil - Mas é possível criar uma plataforma comum para essas esquerdas?

Haddad - Não saberia te dizer hoje e consideraria até prematuro.

Direito de imagem Ricardo Stuckert
Image caption 'O mínimo que devo ao Lula é lealdade', diz Haddad sobre possibilidade de ser candidato no próximo ano

BBC Brasil - Se Lula for condenado em segunda instância, ele pode ter sua candidatura impedida pela Lei Ficha Limpa. O que o PT deveria fazer nesse caso?

Haddad - Não estamos trabalhando com essa hipótese. Para nós é muito caro o processo de revisão da sentença.

Lula está sendo acusado de uma suposição de que ele trocaria um apartamento por uma cobertura sem pagar a diferença. Não existe absolutamente nada no processo que indique que isso seria feito. E nem por que seria feito, que é um pressuposto do crime de corrupção.

É você indicar o ato que beneficiou aquele que está te favorecendo. Então juridicamente é frágil.

BBC Brasil - O fato de o PT estar focando no Lula é um sinal de que o partido não conseguiu criar um quadro novo para substituí-lo?

Haddad - Um Lula é a cada 50, 100 anos que surge. Então, num certo sentido, Lula não tem substituto, porque ninguém tem o carisma e a trajetória que ele tem. A trajetória dele é única.

Então, nesse sentido, o PT faz bem em dizer que não há plano B (à candidatura Lula). Agora, o próprio Lula hoje (sexta-feira) deu uma entrevista citando os governadores do PT. Citou Wellington Dias (governador do Piauí), citou Jaques Wagner (ex-governador da Bahia), citou Rui Costa (atual governador da Bahia).

BBC Brasil - Deveria ter citado Fernando Haddad?

Haddad - Certamente alguém vai ligar para ele e dizer que ele esqueceu alguém e ele vai citar numa terceira entrevista.

Eu estava dando uma entrevista e citei Tarso Genro, Olívio Dutra. Por que não?

BBC Brasil - Lula teve que escolher Dilma como pessoa de confiança quando não podia concorrer novamente à Presidência. Caso ele fique sinucado judicialmente, o senhor seria uma opção?

Haddad - Eu acho que ninguém deveria encarar essa possibilidade dessa forma. Os esforços não podem ser outros a não ser o de fortalecer a candidatura do Lula, de pedir Justiça, o que significa a revisão da sentença. Qualquer outro movimento é um movimento que não deveria ser feito.

BBC Brasil - O Fernando Haddad em 2018 pretende se candidatar a senador, a deputado, governo de São Paulo?

Haddad - Eu vou querer ouvir Lula sobre isso.

BBC Brasil - O senhor aceitaria ser vice de Lula?

Haddad - Eu vou querer ouvir ele. Fui ministro a convite dele. Fui candidato a prefeito a convite dele. O mínimo que eu devo é a lealdade de perguntar para ele o que seria melhor para o projeto que ele e todos nós representamos.

Tem mais experiência política do que eu. Eu vou querer ouvi-lo antes de tomar qualquer decisão. Não que necessariamente eu vou acatar, mas eu quero ouvi-lo.

BBC Brasil - É possível trazer Ciro ou o PSB para uma candidatura em volta de Lula?

Haddad - Está havendo muita conversa. Os dirigentes do PT conversam com os dirigentes de outros partidos. Ciro é uma pessoa próxima nossa. Foi ministro nosso e um bom ministro. Um bom governador. É uma pessoa muito qualificada.

O PSB também tem quadros importantes. Tem governadores muito próximos. Ricardo Coutinho (governador da Paraíba), um grande quadro. Tive com Paulo Câmara (governador de Pernambuco) esses dias no Recife.

BBC Brasil - Vocês estão estudando uma convergência com o PSB?

Haddad - Isso, por incrível que pareça, não é possível antecipar. Porque é muito grave a situação. Imagine se passa o distritão. Com quem você vai dialogar? É o fim dos partidos.

BBC Brasil - Mas o relator da reforma política que propõe o distritão é um petista (Vicente Cândido)…

Haddad - Não é ideia dele. É relator. Ele tem que aprovar um texto para ir a plenário. Não vamos também colocar a culpa em quem não tem. Tem que apanhar a opinião da maioria. Mas é o fim dos partidos. Se juntar parlamentarismo com o distritão… São duas propostas que no meu conceito de democracia… Não tenho aderência nenhuma a essas ideias.

BBC Brasil - O que o PT deveria propor em termos de reforma?

Haddad - Um fundo público modesto, para fazer campanhas que tenham sustentabilidade econômica com a sobriedade que a crise exige, e o fim da coligação proporcional.

Essas duas medidas representam mais da metade das tarefas que precisam ser cumpridas.

BBC Brasil - E a cláusula de barreira (dispositivo que restringe ou impede a atuação parlamentar de partido que não alcança um determinado percentual de votos)?

Haddad - A cláusula de barreira não é necessária se você acabar com a coligação proporcional. Eu manteria os partidos pequenos ideológicos. É importante para o Brasil ter um PSOL, PSTU, PCO. Os da direita também. É importante isso.

O fim da coligação proporcional vai fazer com que os partidos se organizem em torno de ideários mais robustos e, portanto, não tenha 30 partidos. Tenha quatro, cinco. O que vai possibilitar o presidente da República compor uma maioria com base em princípios e valores e plataforma política, que é o que tem que ser.

BBC Brasil - Então um fundo público ficaria mais barato do que voltar às doações de empresas?

Haddad - Muito mais barato. Olha o que deu no Brasil deixar empresa financiar campanha política. Acabou com o país.

BBC Brasil - Os jovens são a principal força da direita no Brasil? Temos o MBL, o Vem Pra Rua, mas não vemos nenhuma grande militância de esquerda.

Haddad - O Vamos! tem muito jovem.

BBC Brasil - Mas não tem esse poder de mobilização do Vem Pra Rua e MBL...

Haddad - A direita tem dinheiro, não tem mobilização. A atuação nas redes sociais da direita é com dinheiro. E muito dinheiro, inclusive dinheiro de fora do Brasil. Tem financiamento externo nessa atuação em rede desses movimentos sociais. Isso declaradamente. Nem eles negam isso. Tem petrolíferas americanas, tem tudo.

Saiu uma boa reportagem no The Intercept sobre isso. Mostrando como o dinheiro dos magnatas americanos está circulando na América Latina patrocinando ONGs, institutos, movimentos espontâneos.

BBC Brasil - Tem fundos patrocinando movimentos de esquerda também, fundações de partidos de esquerda alemães…

Haddad - Tem? Ótimo.

BBC Brasil - Em artigo na (revista) Piauí, o senhor disse que os protestos de 2013 tinham como pano de fundo uma movimentação patrocinada em redes sociais e que o Putin e o Erdogan teriam avisado o Lula e a Dilma sobre isso. O senhor acha que os protestos de 2013 foram manipulados?

Haddad - É um pouco mais complexo que isso. O que eu disse e repito é que o MPL (Movimento Passe Livre) tem uma forma de organizar protestos e de dialogar com a institucionalidade de partidos e governos que foi, na minha opinião, raptada por grupos que tinham outros objetivos. E que usaram aquela forma para fazer valer os seus pontos de vista.

O MPL estava defendendo uma tese dele. Só que a forma que ele escolheu para defender a tese dele favoreceu grupos que queriam minar as bases institucionais da democracia. Que, ao meu ver, levaram ao impeachment.

BBC Brasil - O senhor não acredita que esse discurso de neoliberalismo, privatizações, porte de armas é mais atrativo para os jovens hoje que distribuição de renda e programas sociais?

Haddad - Pode acontecer porque quando existe uma crise sistêmica, em geral as pessoas ficam muito mais conservadoras. Isso tem vários precedentes históricos. Quando tem uma crise sistêmica, a tendência das pessoas não é a superação positiva. É uma reação conservadora. Um instinto de proteção meio atávico. As pessoas vão buscando proteção pelo supremacismo branco americano, volta da Ku Klux Klan, essas coisas.

As pessoas vão buscar refúgio nesse tipo de atitude. Vão buscando o que eles entendem que sejam os iguais. Buscando proteção em grupos cada vez menores. E isso aumenta a intolerância.

Image caption Ex-prefeito diz que não teria deixado o PT para disputar as últimas eleições porque 'a população não entende traição de última hora'

BBC Brasil - O senhor perdeu em primeiro turno, perdeu muito voto na periferia. Aquela população que tinha virado a base do lulismo aparentemente abandonou o partido e a candidatura do senhor. A gente pode avaliar que é mais provável uma vitória da direita no próximo ano?

Haddad - A tendência mundial é de uma disputa entre a direita e a extrema-direita, conforme eu afirmei e dei exemplos. Holanda, França, Estados Unidos, Inglaterra com o Brexit.

A tendência é essa, mas no Brasil há duas variáveis que podem mudar a história.

Uma delas é o Lula e a outra é o governo Temer, que pode aglutinar contra si forças que impeçam a continuidade do projeto que ele representa.

BBC Brasil - O senhor acha que se não tivesse no PT teria tido mais chances em São Paulo?

Haddad - Não. Não porque a população não entende esses gestos de traição de última hora. Não entende isso. E outra, (o PT) tem um milhão e meio de filiados. De pessoas que a vida inteira se dispuseram a lutar por mais igualdade, por mais oportunidade.

Você não pode rifar uma experiência histórica em função de uma dificuldade.

BBC Brasil - O PT deveria tentar montar uma frente de esquerda, com um nome diferente?

Haddad - É o que estava previsto, né? Antes da crise, o Lula sempre disse que em 2018 o ideal seria apoiar um candidato de outro partido, numa frente mais ampla que o próprio PT poderia ajudar a constituir.

BBC Brasil - Isso está descartado agora?

Haddad - Está em função da candidatura Lula, que se impôs pela marcha mais acontecimentos. Mas não era o roteiro original, vamos dizer assim.

BBC Brasil - Como petista, o senhor se preocupa mais com Doria, Alckmin ou Bolsonaro no ano que vem?

Haddad - Óbvio que é o Bolsonaro. Mas eu acredito que ele seja o que tem menos chance de chegar à Presidência. Mas eu não considero nenhum dos três apto a governar o país. De maneira nenhuma. E não falo isso como crítica pessoal.

BBC Brasil - Mas com base em quê? Passado político?

Haddad - As circunstâncias são muito difíceis. Exige muita experiência, muito traquejo político. Exige um tipo de ousadia que não é a do espalhafato, não é a do marketing. É um tipo de ousadia da sobriedade, do estadista. Essa combinação não é uma combinação simples. Eu até gostaria que tivesse alguém dessa direita que tivesse estatura. Um John McCain (senador do partido Republicano nos EUA) aqui.

BBC Brasil - No Brasil, o senhor identifica alguém que já foi assim?

Haddad - Fernando Henrique foi. Um cara de direita que tinha envergadura para presidir.

BBC Brasil - Doria, como o anti-Lula, tem capacidade de repetir o que aconteceu com o senhor no ano passado?

Haddad - Como candidato eu não saberia responder. Como presidente, a minha opinião é que não está à altura do que foi colocado.

BBC Brasil - O senhor não descarta uma viabilidade eleitoral do Doria?

Haddad - Não. Tudo é possível no Brasil de hoje. Absolutamente tudo.

BBC Brasil - No artigo da Piauí o senhor falou que a corrupção no Brasil é mais do que sistêmica, que é um 'corolário do nosso patrimonialismo'. O senhor tentou isentar o PT de responsabilidade dos problemas da corrupção?

Haddad - O que eu quis dizer é que não é fácil você fazer reforma política. E por que não é fácil? Porque o Congresso se protege da reforma política. A única reforma política que o Congresso aceita é aquela que o beneficia. Distritão, fundão, parlamentarismo. Eles só fazem a reforma política que os beneficia. O chefe do Executivo sempre fica de mãos atadas.

Por isso eu vejo com bons olhos o Supremo declarar inconstitucional a contribuição empresarial a campanhas. Ou essa sinalização que o Supremo está dando de que vai declarar inconstitucional a coligação proporcional. Porque a reforma parece impossível por dentro do sistema. Por dentro do Congresso ela parece impossível, a não ser para pior.

BBC Brasil - Como fazer a reforma então? Constituinte exclusiva?

Haddad - Não. Por que quem você vai eleger como os constituintes?

BBC Brasil - Então não tem muito jeito?

Haddad - O Supremo tem feito a reforma. O que eu estou dizendo é que se resolver o problema do financiamento e da coligação proporcional, nós vamos melhorar a representação em 2018. Já é um caminho.

BBC Brasil - O senhor estava criticando essa crise institucional e está defendendo que o Supremo atue como legislador.

Haddad - Na reforma política, eu não vejo saída. Porque o sistema não se autorreforma. Então, é heterodoxa a saída.

Até do ponto de vista jurídico, o Supremo poderia declarar inconstitucional a contribuição empresarial? Tem gente que diz que diz que foi uma exorbitância. Mas de que outro jeito ia se colocar ordem no financiamento de campanha?

Há quem diga que não dá para resolver pelo Supremo. Tem que resolver pela Constituição, pelo Congresso. Mas o Congresso não quer pôr ordem nas coisas. Interessa aos integrantes manter essa desordem.

BBC Brasil - Voltando à responsabilidade do PT. O PT não deveria pedir desculpas, reconhecer os erros e expulsar os envolvidos em corrupção?

Haddad - O problema todo é de natureza política, num sentido muito preciso. Se não houvesse seletividade dos vazamentos, seletividade do tratamento…

Não vi nenhum tucano ser conduzido coercitivamente a lugar nenhum. Tucano preso parece que o Ibama proíbe. Não tem nenhum. Nem julgado. Tem processo se arrastando há 20 anos, que não se julga. Então nesse contexto é mais difícil você conseguir que as partes façam as autocríticas cabíveis e promovam uma virada de página porque tudo virou briga de facção no Brasil. Se estivéssemos numa normalidade institucional esses gestos seriam mais frequentes.

Direito de imagem Secom
Image caption Haddad diz que estratégia de Doria na Prefeitura de SP baseia-se apenas em comunicação e marketing

BBC Brasil - O eleitor não merece?

Haddad - Eu acho é que o ano de 2017 é muito mais favorável a esse tipo de gesto do que 2016, porque em 2016 nós vivemos uma situação de fraude no ponto de vista da informação. Represaram as informações contra o PSDB e contra o PMDB. Todo mundo sabia que elas existiam e não vinham a público.

Isso causou um desequilíbrio, e é muito difícil você cobrar de quem quer que seja.

BBC Brasil - Então por causa dessa polarização, o senhor acha que o PT erraria se pedisse desculpas?

Haddad - Não é questão de errar ou acertar. É saber o efeito que aquilo vai ter. Porque tem que produzir um efeito de superação. Todo mundo tem que entender aquele gesto. Qualquer gesto político você tem que pensar no efeito que ele vai ter.

Então o contexto tem que estar preparado para aquele gesto, para que você promova a superação da situação.

BBC Brasil - E não tem esse contexto agora?

Haddad - Está sendo construído e tem gente contra essa construção. Tem gente querendo impedir que ela aconteça. Então, vamos pegar alguns casos. O mesmo Senado tratou Delcídio de um jeito e Aécio de outro. Não estou dizendo qual é o certo. Estou dizendo que são duas coisas completamente diferentes. O mesmo Senado.

A mesma Câmara tratou Dilma de um jeito e Temer de outro. Completamente diferente.

É um desequilíbrio muito grande em tudo. Isso vai impedindo avanços quando você nota esse desequilíbrio.

BBC Brasil - Como o senhor vê as pesadas críticas de João Doria ao PT e sua gestão?

Haddad - A estratégia do Doria é só comunicacional. Ela não tem nenhuma outra finalidade. É uma estratégia de marketing. Pura e simplesmente. Os termos com os quais ele se dirige a Dilma, por exemplo, e ao Temer, não têm a ver com uma métrica ética que vale para todo mundo. Tem a ver com uma lógica de disposição e uma lógica de angariar apoio. É assim que funciona.

Chamar uma mulher de anta. Qual é o sentido disso? A não ser o de se apresentar de uma determinada maneira. E se aliar ao Temer? O que está por trás disso? Do meu ponto de vista, é só uma lógica comunicacional.

BBC Brasil - Que erros o senhor cometeu na prefeitura?

Haddad - Eu acredito que o de comunicação foi o maior. Mas tem coisas que é difícil explicar. É difícil explicar para taxistas que eu tinha que regulamentar o Uber.

BBC Brasil - Foi comunicação o seu pior erro?

Haddad - Foi com certeza. Mas tem decisões que eu tomei que são difíceis de comunicar. A regulamentação do Uber traz para a cidade de São Paulo entre R$ 100 milhões e R$ 200 milhões de arrecadação. E o Uber ia operar na cidade eu querendo ou não porque eles tinham ganhado na Justiça.

Então, a regulamentação significou botar ordem no sistema e aumentar a arrecadação da cidade num momento difícil. Como é que você comunica isso para 35 mil taxistas? Então eu tinha 35 mil cabos eleitorais contra durante a eleição. Como é que você resolve isso?

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