Mar agitado jogou lancha sobre arrecife após acidente na Bahia

Embarcação Direito de imagem Marcos de Paula/Arquivo Pessoal
Image caption Lancha foi fotografada por um barqueiro sobre arrecifes após o acidente

O operador de turismo baiano Marcos de Paula trabalha há mais de 20 anos com uma lancha na região de Salvador e afirma nunca ter visto acidente como o que aconteceu nesta manhã em Mar Grande, durante a travessia entre o município de Vera Cruz, na ilha de Itaparica, e a capital.

O número de mortos ainda não foi confirmado - inicialmente, a Marinha falou em 22 mortos, mas o IML (Instituto Médico Legal) diz que até o momento contabilizou 18. A embarcação levava em torno de 130 pessoas.

De Paula, que é dono de uma empresa de mergulho e faz frequentes viagens de lancha pela Baía de Todos os Santos, não estava no mar no momento do acidente, que ocorreu por volta de 6h30. Ele foi ao local em seguida, auxiliando o trabalho das emissoras de TV locais que faziam cobertura do caso.

Chamou-lhe atenção o fato de a lancha Cavalo Marinho I, depois de virar com os passageiros - que estavam em número menor do que a capacidade total, de 160 pessoas -, ter sido arremessada sobre um arrecife, onde se encontra até a publicação desta reportagem.

Direito de imagem Marcos de Paula/Arquivo Pessoal
Image caption Naufrágio aconteceu pouco depois da saída da embarcação do píer de Vera Cruz

Nesta época do ano, o litoral de Salvador é atingido pelo que os barqueiros chamam de vento sudeste, rajadas fortes que costumam originar ondas maiores e deixar o mar mais agitado. "A embarcação não foi a pique", ele destaca, referindo-se ao fato de que a lancha não afundou.

"Há 80 anos essa travessia é feita aqui e nunca aconteceu nada parecido. Há 20 eu trabalho com a lancha e nunca vi um acidente. Me parece que foi uma fatalidade", diz ele.

De Paula ressalta ainda que todas as embarcações são vistoriadas pela Capitania dos Portos e que o uso de colete salva-vidas nas lanchas não é obrigatório.

Uma norma editada pela Marinha diz que os barcos precisam ter coletes para todos os passageiros, mas não há uma lei que obrigue seu uso durante a navegação.

De casa para o trabalho

Parte dos passageiros da Cavalo Marinho I morava na Ilha de Itaparica, na Grande Salvador, e trabalhava na capital. Muitos faziam esse trajeto quando o acidente aconteceu, pouco depois de a lancha deixar o píer do município de Vera Cruz, por volta das 6h30.

A travessia costuma durar entre 30 e 40 minutos, e a tarifa custa R$ 5,60 nos dias úteis.

Entre as vítimas já identificadas há uma idosa e uma criança de um ano que chegou a ser resgatada com vida, mas morreu após duas horas de reanimação. Mais de 80 pessoas, de acordo com a Capitania dos Portos e com o Corpo de Bombeiros da Bahia, foram resgatadas.

Na terça-feira, houve outro acidente com uma embarcação, desta vez no Pará. O barco Capitão Ribeiro afundou com pelo menos 70 passageiros no rio Xingu, durante a travessia entre as cidades de Porto Moz e Senador José Porfírio. Até o momento foram contabilizados 21 mortos - entre as vítimas também há uma criança de um ano.