Veredito marca 'mudança de rumo' e 'potencial fim de carreira' de Lula, diz imprensa estrangeira

Site do Wall Street Journal destaca derrota de Lula em tribunal
Image caption Site do Wall Street Journal destaca derrota de Lula em tribunal: 'Ex-líder brasileiro Lula perde apelação em condenação por corrupção' | Foto: Reprodução

O julgamento em segunda instância do processo contra Luiz Inácio Lula da Silva na Lava Jato, em que os três desembargadores do TRF-4 votaram por manter a condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro estabelecida por Sergio Moro e decidiram ainda aumentar a pena do ex-presidente para 12 anos e um mês, consiste em uma "extraordinária mudança de rumo" e um "potencial fim de carreira" para o petista, segundo avaliação da imprensa estrangeira nesta quarta-feira.

"A condenação marca uma extraordinária mudança de rumo para o líder mais popular da história moderna brasileira", aponta o jornal britânico The Guardian, lembrando que Lula lidera as pesquisas de opinião para a eleição presidencial de outubro e que a decisão desta quarta pode torná-lo inelegível por conta da Lei da Ficha Limpa.

Já a cobertura do americano The New York Times ressalta que "a decisão judicial foi uma vitória dos promotores no que pode ser no caso mais importante no duradouro embate entre o Judiciário brasileiro e a elite política".

O jornal acrescenta que "Lula, também acusado em seis outros casos de corrupção, foi retratado pelos promotores como um elemento-chave da corrupção sistêmica do sistema político brasileiro".

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Image caption Condenação de Lula foi mantida e ampliada pelo TRF-4

Para o americano Washington Post, o veredito "deixa em suspenso (o que vai acontecer na) eleição presidencial" e "traz, para Lula, obstáculos que têm o potencial de encerrar sua carreira".

O periódico econômico Wall Street Journal faz avaliação semelhante, apontando que "o futuro parece terrível" para Lula, citando a possibilidade de que o caso termine sendo decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

"Com quase 40% de apoio popular, segundo o Datafolha, Silva, que cresceu em meio à pobreza extrema, é atualmente o favorito para a eleição de outubro. É um cenário que exasperava rivais que esperam que a primeira eleição do Brasil pós-escândalo da Lava Jato seja vencida por um novato, em vez de pela pessoa acusada de ajudar a orquestrar o esquema de propina", agrega a reportagem do WSJ.

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