De oficial de gabinete a presidente: o discreto currículo político de Michel Temer

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Image caption Até o avanço da crise política, Michel Temer havia mantido um perfil discreto

Michel Miguel Elias Temer Lulia assume interinamente a Presidência da República em meio a uma turbulenta crise política que se arrasta há mais de um ano, e que teve início imediatamente após ele tomar posse, pelo segundo mandato, como vice de Dilma Rousseff.

Aos 75 anos, o paulista de Tietê teve uma trajetória discreta, mesmo acumulando, até pouco tempo atrás, quase 15 anos no comando do PMDB, partido com maior capilaridade do país – tem o maior número de prefeituras, governos estaduais, deputados federais e senadores.

Formado pela Faculdade de Direito da USP e doutor pela PUC-SP, Temer foi professor de direito constitucional e é autor de uma das principais obras sobre o assunto no país, Elementos de Direito Constitucional.

Filho de libaneses que migraram para o país na década de 1920, é católico, como destaca sua biografia no site da Vice-Presidência da República. "A família sempre fiel aos preceitos cristãos", diz o texto.

Confira, em 14 pontos, a carreira política do peemedebista:

1) Estreia na política

Após uma passagem como oficial de gabinete de Ataliba Nogueira, secretário da Educação paulista entre 1964 e 1966, e de consolidar uma carreira como jurista e procurador, Temer se filia ao PMDB em 1981. É nomeado procurador-geral do Estado em 1983, por convite do então governador peemedebista Franco Montoro.

2) Secretário da Segurança

Em 1984, assume a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, cargo no qual ficaria até sair, dois anos depois, para concorrer a seu primeiro mandato eletivo.

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Image caption Temer diria depois que "não conhecia nada" ao assumir comando da segurança paulista

3) Deputado federal

Sob incentivo de Montoro, se candidata e é eleito, em 1986, deputado federal constituinte pelo PMDB. Seria reconduzido à Câmara nas cinco eleições seguintes.

4) Volta ao governo paulista

Em 1993, se licencia do cargo de deputado e reassume a Secretaria da Segurança Pública de SP, desta vez para ajudar o então governador Antônio Fleury Filho (PMDB) a resolver a crise criada pelo Massacre do Carandiru, episódio no qual 111 presos foram mortos pela Polícia Militar durante uma rebelião.

Passa ainda pela Secretaria de Governo.

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Image caption Nos anos FHC, Temer presidiria Câmara por dois biênios

5) Líder do PMDB e presidente da Câmara

Reeleito deputado federal, se torna líder da bancada peemedebista na Câmara em 1995, função que desempenharia até assumir, pela primeira vez, a Presidência da Câmara, em 1997.

Entre 27 e 31 de janeiro de 1998, assume pela primeira vez interinamente a Presidência da República – o chefe da Câmara é, constitucionalmente, o segundo na linha sucessória. Em 1999, é reeleito pelos pares para mais um biênio no comando da Casa.

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Image caption Temer presidiu Câmara nos últimos dois anos do governo Lula

6) Presidência do PMDB

Temer assume, em 2001, o comando do PMDB. Em 2004, integra a ala do partido que deixou o governo Lula, para retornar dois anos mais tarde, após a eclosão do escândalo do mensalão.

7) Volta ao comando da Câmara e escolha como vice

Em 2009, é eleito novamente presidente da Câmara dos Deputados. Após resistência de setores petistas (incluindo Lula, segundo a imprensa), é escolhido como vice da então ministra Dilma Rousseff para a disputa pela Presidência da República, na primeira dobradinha PT-PMDB em uma eleição para o cargo.

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Image caption Escolha de Temer como vice de Dilma enfrentava resistências no PT

10) Após a eleição, desempenho discreto

Após a posse, em 2011, Temer passa a presidir fóruns comerciais brasileiros com a Rússia e a China. A imprensa relata distanciamento entre ele e Dilma Rousseff, que viaja menos ao exterior que seus antecessores e, com isso, abre menos espaço para desempenho do vice como presidente interino.

11) Resistência do PMDB e disputa à reeleição

Em eleição interna, com um placar considerado apertado para uma ocasião como essa (59% a 41%), o PMDB aprova a reedição da chapa para a disputa à reeleição em 2014. Ficam claras, assim, as rachaduras na parceria.

"O Brasil continuará a se desenvolver por conta dessa aliança e abrindo espaço para que o PMDB ocupe todos os espaços políticos neste país", diz Temer ao comemorar a decisão do partido.

Ambos são reeleitos no segundo turno, em uma vitória apertada contra a dupla tucana Aécio Neves e Aloysio Nunes.

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Image caption Reedição da chapa Dilma-Temer esteve longe de ser unanimidade no PMDB

12) Articulação política

Em meio à crise política e ao avanço de protestos pró-impeachment, e após sucessivas derrotas do governo na Câmara, capitaneadas pelo então presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Dilma repassa a Temer, em abril de 2015, funções à época atribuídas ao ministro das Relações Institucionais.

Com isso, ele passa a ser responsável pela articulação entre governo e Congresso. Nos bastidores, segundo o noticiário, reclama de que os compromissos que assumiu com os parlamentares não eram honrados pelo ministro Aloizio Mercadante, responsável pela Casa Civil.

Em agosto, Temer deixa a articulação política do governo. O partido divulga um documento intitulado Ponte para o Futuro, no qual explicita sua visão sobre a crise e indica saídas para ela.

13) Carta e rompimento

Após a deflagração do impeachment de Dilma por Cunha, envia à presidente uma carta, na qual reclama do papel desempenhado no primeiro mandato.

No documento, no qual se queixa de ter sido tratado como um "vice decorativo", diz ainda saber que a petista não confia nele nem no PMDB.

"Perdi todo protagonismo político que tivera no passado e que poderia ter sido usado pelo governo", afirma.

A carta é vista como passo inicial para um rompimento oficial do PMDB com a gestão Dilma, concluído no fim de março, poucas semanas antes da votação do impeachment na Câmara.

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Image caption Carta foi considerada como primeiro passo para o rompimento

14) Articulação e críticas

Desde o rompimento, Temer intensifica articulações e encontros para a composição de um novo governo. Passa a criticar "discurso de golpe" adotado por Dilma e pelo PT e a oficialmente se colocar como sucessor da presidente.

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