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Fragmentos Históricos
O Mundo em 1500
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O Rei Venturoso
Cronologia
A expedição comandada por Pedro Álvares Cabral levou 44 dias para chegar ao Novo Mundo. Acompanhe, no mapa abaixo, o trajeto das caravelas, do rio Tejo, em Portugal, até o rio do Frade, no litoral brasilero.
E saiba mais sobre a história, os personagens e as técnicas que permitiram a aventura do descobrimento clicando nas opções ao lado.
1 Rio Tejo
2 Ilhas Canárias
3 Cabo Verde
4 Nau desaparece
5 Calmarias
6 Mudança para o oeste
7 Baía de Todos os Santos
8 Sinais de terra firme
9 Rio do Frade
Em 1500, só uma pequena parte das Américas era conhecida, junto ao mar do Caribe. A África ainda era muito pouco explorada, e a Europa estava dividida entre reinos que lutavam entre si.
Portugal tinha contato direto com o oceano e relações com comunidades do norte da Europa e do mar Mediterrâneo.
O país conseguiu desenvolver sua marinha, e isso criou condições para que os portugueses explorassem o oceano Atlântico antes de outros países.
Portugal era um país pequeno, de pouco mais de 1 milhão de habitantes. Com as navegações, os portugueses queriam garantir sua influência sobre a comunidade internacional e controlar rotas comerciais.
As expedições além-mar tinham que gerar lucros para os investidores que arriscaram capital na sua organização, entre eles o rei de Portugal.
A entrada de outros países na corrida colonial (Inglaterra, Espanha, Holanda e França) marcou a derrocada de Portugal como potência.
Escolas de navegação foram criadas para mostrar aos navegadores como a astronomia poderia ser usada nas navegações.
Para os portugueses, o principal fundamento astronômico era o movimento do Sol. Os navegadores eram capazes de identificar em que latitude estavam (posição em relação ao eixo norte-sul) ao comparar a posição do Sol em relação ao horizonte.
Astrônomos preparavam tabelas com a posição do Sol, em relação à terra, a data e a sua posição no céu. Os navegantes usavam então instrumentos como o astrolábio para verificar a posição do Sol e comparavam com as tabelas.
Esse foi um avanço fundamental porque até então a latitude era definida pela posição da estrela polar, que não pode ser vista abaixo do Equador.
A principal ameaça à navegação utilizando essa técnica era o mau tempo, que ao encobrir o Sol, impedia a determinação da latitude.
A capacidade de identificar a longitude (leste-oeste) da embarcação só foi desenvolvida muito mais tarde. Já era possível, no século 16, ter-se uma idéia aproximada da longitude ao se estimar a distância percorrida, mas havia uma margem de erro de até 350 km. Foi só no final do século 18 que uma maneira precisa de medir a longitude foi descoberta.
A principal inovação do período das grandes navegações foi o uso de caravelas, um tipo de embarcação pouco utilizada para explorações.
A caravela era um barco pesqueiro, utilizado principalmente ao longo da costa da Europa, mas que também podia ser utilizado em alto mar.
As caravelas eram pequenas, com no máximo três mastros até então, e utilizavam velas num fomato que foi batizado "latino" (triangular). Eram barcos fáceis de conduzir e controlar.
O que tornou as exploracões oceânicas possíveis foi a utilização de barcos com três mastros e quatro velas, um barco diferente da caravela, que foi desenvolvido no final do século 15.
O tipo de velas utilizado nessas embarcações acabou sendo adaptado para as caravelas, o que permitiu que as embarcações se afastassem do litoral da Europa e da África e se aventurassem em alto-mar.
Os instrumentos essenciais para a navegação da época eram a bússola, para saber a direção em que se está viajando, e o diário de bordo, para estimar a velocidade.
Sabendo-se a direção e a velocidade, os outros aspectos da navegação eram relativamente simples.
Existem 12 documentos originais dos arquivos da Coroa portuguesa que tratam da expedição de Pedro Álvares Cabral às Índias. Os dois mais famosos são duas cartas de membros da tripulação ao rei d. Manuel 1º, o Venturoso. São eles o escrivão Pero Vaz de Caminha e o Mestre João, um dos astrônomos que acompanhavam a expedição.
Trecho da carta do Pero Vaz de Caminha
"Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijamente sobre o batel: e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram."
(Versão atualizada)
Trecho da carta de Mestre João
"Mande Vossa Alteza trazer um mapa-mundo… e por aí poderá ver o sítio desta terra; mas aquele mapa-mundo não certifica se esta terra é habitada ou não... Ontem quase entendemos por acenos que esta era a ilha… e que de outra ilha vêm almadias pelejar com eles e os levam cativos."
(Versão atualizada)
Pedro Álvares Cabral, o comandante da expedição portuguesa que chegou pela primeira vez ao Brasil, é um mistério para os historiadores.
Nasceu na cidade de Belmonte, em 1467 ou 1468. Era um fidalgo da aristocracia portuguesa e não um navegador com a fama de Vasco da Gama ou Bartolomeu Dias.
As circunstâncias de sua escolha pelo rei d. Manuel para comandar a importante segunda expedição portuguesa para as Índias permanecem pouco precisas.
O que se sabe é que ele era pessoa de absoluta confiança da Coroa.
Depois de deixar o Brasil, Cabral foi bem-sucedido por sua missão comercial na Índia e foi coberto de honras pelo rei d. Manuel após o seu regresso.
Entretanto a Coroa portuguesa nunca mais utilizou os seus serviços.
Alguns documentos atestam que Cabral foi vítima de intrigas palacianas.
Pedro Álvares Cabral morreu em Santarém, em data duvidosa. Alguns historiadores falam em 1520; outros, em 1526.
Pero Vaz de Caminha, o primeiro cronista da história do Brasil, não era um escritor, mas sim uma espécie de contador.
Natural da cidade do Porto, fez parte da expedição de Cabral porque foi indicado para assumir o posto de tesoureiro de um dos entrepostos comerciais que Portugal pretendia instalar na Índia.
A carta que enviou ao rei d. Manuel contando os detalhes da expedição e descrevendo a recém-descoberta terra de Vera Cruz (nome que Cabral deu ao Brasil) é um dos mais importantes documentos da história das grandes navegações.
Caminha fez uma precisa descrição dos índios que habitavam o litoral da Bahia naquela época e das riquezas naturais da região.
O monarca responsável por boa parte das navegações que transformaram seu país se tornou rei meio por acaso.
Sobrinho do rei d. João 2º, ele chegou ao trono em 1495 depois da morte não só do monarca, mas também do príncipe herdeiro e dos três irmãos mais velhos do próprio d. Manuel, que estavam à sua frente na linha sucessória.
Assumiu o trono no auge das grandes navegações. Os favores do destino lhe valeram a alcunha de Venturoso e Afortunado.
D. Manuel acabou entrando mesmo para a história por ter promovido algumas das maiores façanhas da humanidade, como a pioneira viagem de Vasco da Gama à Índia e a expedição que acabou resultando no descobrimento do Brasil.
Morreu em 1521, aos 52 anos. Teve três mulheres e 13 filhos.
1143 Portugal se torna independente, separando-se da Espanha, em grande parte ainda ocupada pelos árabes.
1249 Os mouros são expulsos de todo o território de Portugal.
1385 Após uma das primeiras revoluções burguesas da história da Europa, a dinastia de Avis sobe ao trono português, com o rei d. João 1º.
1415-1487 Portugal assume a vanguarda das navegações européias com uma série de expedições ao litoral ocidental da África.
1488 Bartolomeu Dias passa o Cabo da Boa Esperança, no sul da África.
1492 O italiano Cristóvão Colombo chega à América e toma posse das terras da região para a Espanha.
1494 Portugal e Espanha dividem o mundo em duas partes no Tratado de Tordesilhas. As terras localizadas a leste de uma linha a 370 léguas da Ilha de Cabo Verde pertenceriam à Espanha. As restantes seriam de Portugal.
1498 O navegador português Vasco da Gama é o primeiro europeu a chegar por mar até a Índia.
1500 Pedro Álvares Cabral deixa Portugal com 13 embarcações. O objetivo oficial era chegar mais uma vez à Índia. Cabral chega à Bahia no dia 22 de abril, após um dos barcos ter se perdido no caminho.
1530 Chegam à nova colônia os primeiros escravos negros trazidos da África.
1532 Portugal decide colonizar o Brasil  com uma expedição de Martim Afonso de Souza a São Vicente (SP).