Estudante processa universidade que incinerou fezes de lagarto

Dragão-de-komodo

O lagarto de Butão é um parente próximo do dragão-de-komodo

Um estudante da Universidade de Leeds, na Inglaterra, está processando a instituição por ter incinerado cerca de 35 kg de fezes de um lagarto de Butão, que ele tinha coletado em áreas remotas das Filipinas durante seu trabalho de doutorado.

Sabe-se muito pouco do raro lagarto - que é um parente próximo do dragão-de-komodo - e acreditava-se que ele estava extinto há mais de 100 anos.

Daniel Bennett passou cinco anos investigando a dieta, o tamanho da população e o comportamento do animal por meio de testes de excrementos encontrados no solo em florestas.

O estudo rendeu a Bennett uma bolsa na Universidade de Leeds, onde ele foi pago para analisar mais amostras.

'Erro infeliz'

Porém, após dois anos de trabalhos, sua coleção de fezes foi acidentalmente jogada fora por técnicos que estavam liberando espaço em seu laboratório.

"O lagarto de Butão é tão solitário que todas as tentativas para estudá-lo, utilizando métodos que têm se mostrado eficientes para o dragão-de-komodo e outros grandes lagartos, fracassaram completamente", disse Bennett à revista Times Higher Education.

"Minha equipe e eu estudamos os animais vasculhando o solo da floresta para encontrar suas fezes e utilizando pistas para estabelecer padrões de dieta, tamanho e estrutura de populações e áreas de atividade", acrescentou. "No início do meu terceiro ano de doutorado, eu sabia mais sobre as fezes de lagarto do que imaginava ser possível."

Bennett se disse surpreso ao ver que, quando voltou de um trabalho de campo, um outro estudante ocupava sua mesa e as fotos de sua filha, sua namorada e seus lagartos favoritos tinham sido retiradas da parede.

"Meus objetos pessoais tinham sido cuidadosamente armazenados em caixas, mas não havia sinais de minha sacola com 35 quilos de fezes de lagarto", contou.

Após Bennett registrar uma queixa relacionada ao incidente em abril de 2008, a universidade pediu desculpas pelo "erro infeliz" em agosto do mesmo ano, alegando que as fezes foram incineradas porque estavam em uma sacola sem nenhuma indicação de seu conteúdo.

"Lições foram aprendidas, e os protocolos foram melhorados para garantir que isso não ocorra novamente", afirmou um comunicado emitido pela universidade.

"Bennett está prestes a concluir seu doutorado neste ano, sujeito a pequenas correções a sua tese, que não têm relação com a perda do material", acrescenta a nota.

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