Mundo está mais perto de pandemia de gripe suína, diz OMS

Image caption A maioria dos estabelecimentos permanece fechada na Cidade do México

A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse nesta quarta-feira que está próxima de mover o nível de alerta referente ao surto de gripe suína de quatro para cinco, um abaixo do estágio máximo da escala, que caracterizaria uma pandemia.

"Está claro que o vírus está se espalhando, não há sinais de que esse processo está ficando mais lento", disse Keiji Fukuda, diretor-assistente da OMS para saúde, segurança e meio ambiente em Genebra, Suíça, após reunião de emergência da entidade. "Nós chegamos mais perto do nível cinco."

A OMS pode mover o nível de alerta para cinco ainda nesta quarta-feira, significando que o risco de pandemia é "iminente". O nível seis significa que o mundo já atravessa uma pandemia.

Matança

Nesta quarta-feira foi confirmado, na Espanha, o primeiro caso de uma pessoa infectada que não havia viajado ao México. O jornal espanhol El Mundo diz que o paciente morto teve contato com alguém que esteve no México.

Fukuda afirma que o caso espanhol indica que o vírus está sendo transmitido mais facilmente entre as pessoas. Segundo ele, se for confirmado em pelo menos mais um país que este tipo de contágio está ocorrendo, a OMS pode subir o nível de alerta para cinco.

O diretor da OMS afirmou também que "não há evidências de que as pessoas estão contraindo a doença por terem contato direto com porcos".

"O vírus parece estar se movendo de uma pessoa à outra", disse ele.

Mesmo assim, o Egito se tornou o primeiro país a ordenar o sacrifício em massa de animais para tentar evitar o alastramento da doença. Os cerca de 300 mil porcos do país começaram a ser mortos nesta quarta-feira.

EUA e México

Também nesta quarta-feira foi confirmada a primeira morte causada pela gripe suína fora do México. Um bebê mexicano de 23 meses morreu no Estado americano do Texas, onde visitava parentes.

O governo dos Estados Unidos afirmou que o número de infectados no país subiu de 65 para 91 em dez Estados.

Os Estados Unidos seriam capazes de fabricar uma vacina contra a doença "apenas no início de setembro, se tudo correr bem", disse ao Congresso americano uma alta integrante do departamento de Saúde do país, Anne Schuchat.

O México reviu suas estatísticas e afirmou que apenas sete, e não vinte pessoas como havia dito anteriormente, morreram por causa da gripe. O país suspeita que o número total de vítimas fatais seja de 159.

A maioria do comércio e atrações turísticas na capital mexicana foram fechadas, para tentar conter o surto.

Confirmações e suspeitas

Dez países já confirmaram oficialmente casos da gripe. Além de Estados Unidos e México, a doença foi confirmada, segundo dados da OMS, no Canadá (com 13 ocorrências), Espanha (4), Grã-Bretanha (2), Nova Zelândia (3) e Israel (2).

Os dados divulgados pelos países são ligeiramente mais altos, com 3 casos na Alemanha, 10 na Espanha, um na Áustria, dois na Costa Rica e cinco na Grã-Bretanha.

Entre os países que investigam casos suspeitos estão Austrália, Chile, Dinamarca e Brasil.

Em uma nota divulgada na noite da terça-feira, o Ministério da Saúde, em Brasília, afirmou que, até o momento, não há nenhum caso confirmado da doença no país nem evidências de que o vírus possa ter chegado ao Brasil.

Segundo o Ministério, estão sendo monitoradas 20 pessoas que estiveram nas áreas afetadas e apresentaram alguns sintomas ou que mantiveram contato com estes indivíduos.

Além desses casos, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo descartou os dois casos suspeitos da doença registrados no Estado. Um dos pacientes tinha sinusite e o outro não apresentava febre, um dos sintomas da gripe suína.

O governo da Argentina anunciou a suspensão de todos os voos provenientes do México a partir desta quarta-feira, em uma tentativa de evitar que o vírus da gripe suína chegue ao país. A medida deve valer até a próxima segunda-feira.

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