UE pede que população não entre em pânico devido à gripe suína

Image caption Passageira usa máscara no aeroporto de Gatwick, em Londres

A comissária de saúde da União Europeia, Androulla Vassiliou pediu nesta quinta-feira para que a população do bloco não entre em pânico, depois que outros dois países do bloco, Suíça e Holanda, confirmaram casos da doença.

A União Europeia (UE) decidiu trabalhar "sem demora" em conjunto com a indústria farmacêutica para desenvolver uma vacina para a gripe suína. Vassiliou, disse que o bloco vai apresentar uma estratégia unificada de combate à gripe suína.

"Sem subestimar a seriedade da situação, acreditamos que estamos preparados para lidar com ela. Estamos preocupados, mas no controle, portanto não há motivo de pânico", disse ela.

A UE rejeitou um pedido francês de restringir viagens ao México, dizendo que cada país deveria decidir suas políticas individualmente.

Outra decisão anunciada após o encontro de emergência desta quinta-feira foi passar a chamar a doença por seu nome técnico, influenza A (H1N1), em vez de gripe suína. O objetivo é não prejudica a indústria de carne suína ou causar o sacrifício desnecessário de animais.

Na quarta-feira, o Egito iniciou a matança de todos os cerca de 300 mil porcos do país para tentar conter o avanço da doença.

Mortes

Além de Holanda e Suíça, a Espanha (13 casos), Grã-Bretanha (cinco), Alemanha (três) e Áustria (1) já confirmaram a doença. Dinamarca, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Polônia, Portugal e Suécia investigam casos suspeitos.

O diretor-geral para Políticas de Saúde e Consumo da União Europeia, Robert Madelin, alertou que o vírus causador da gripe suína poderia matar milhares de pessoas no continente.

"Não se trata de questionar se pessoas vão morrer, mas sim de quantas vão morrer. Serão centenas, milhares ou dezenas de milhares?", disse ele.

Mas correspondentes dizem que nenhum dos casos registrados no continente foi severo e as únicas mortes aconteceram no México e nos Estados Unidos.

A União Europeia discute também outro nome para a doença, para evitar prejuízos maiores para a indústria de carne suína.

Resto do mundo

Outros países confirmaram casos também nesta quinta-feira, entre eles o Peru - o primeiro país da América do Sul a notificar um caso da doença.

O México, país onde a infecção se iniciou, já confirmou oito mortes e suspeita de outras 76. O governo mexicano diz que existem 99 casos de pessoas infectadas.

Como parte de novos esforços para conter o avanço da doença, o presidente do México, Felipe Calderón, anunciou a suspensão parcial de serviços não-essenciais entre os dias 1 e 5 de maio e pediu que a população ficasse em casa nesse período.

Leia também na BBC Brasil: Presidente pede a mexicanos que não saiam de casa

O segundo país mais afetado é os Estados Unidos, onde há 111 casos confirmados em 13 Estados e onde houve a primeira vítima fatal fora do México, um bebê mexicano de 23 meses, que morreu no Estado do Texas.

A gripe suína foi confirmada em outros países como o Canadá (13 casos), Nova Zelândia (3) e Israel (2).

Existem suspeitas de casos no Brasil (2 casos), Argentina, Austrália, Chile, Japão, África do Sul e Coreia do Sul.

Na quarta-feira, a OMS elevou o nível de alerta da gripe suína para cinco - um abaixo do estágio de alerta máximo da escala - e afirmou haver sinais de que uma pandemia da doença seja iminente. O nível cinco de alerta é acionado quando há transmissão da doença entre humanos em pelo menos dois países.

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