Russos que descobriram material ultrafino ganham Nobel de Física

Grafeno
Image caption A estrutura molecular do grafeno lembra uma colmeia

A Real Academia Sueca de Ciências anunciou nesta terça-feira que dois cientistas russos irão receber o prêmio Nobel da Física em 2010 por suas pesquisas com o grafeno, um material ultrafino que pode representar uma evolução na indústria de eletrônicos.

Andrei Geim e Konstantin Novoselov são pesquisadores da Universidade de Manchester e dividirão um prêmio de 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 2,5 milhões).

O grafeno, que existe no formato de folhas, é uma forma de carbono tão fina que é praticamente transparente, tendo a espessura de um átomo – o que o leva a ser considerado bidimensional.

O material também é extremamente forte e excelente condutor de eletricidade.

Os dois cientistas, juntamente com outros colaboradores, foram os primeiros a isolar o grafeno, a partir do grafite usado em lápis comuns, e divulgaram a descoberta em um trabalho publicado em 2004.

Material

A Fundação Nobel afirma que as pesquisas dos dois russos podem levar ao desenvolvimento de computadores mais rápidos e outros produtos eletrônicos.

Alguns cientistas dizem acreditar que, por causa de suas propriedades, o grafeno pode substituir o silício no futuro como o principal material para componentes eletrônicos e também em telas sensíveis ao toque.

Como condutor de eletricidade ele tem desempenho similar ao cobre e, como condutor de calor, supera qualquer outro material conhecido pelo homem.

Geim, de 51 anos de idade, tem também cidadania holandesa. Novoselov, com nacionalidades russa e britânica é, aos 36 anos, um dos mais jovens a receber o prêmio.

Há dez anos Geim, junto com Michael Berry, da universidade de Bristol (Grã-Bretanha), venceu o prêmio Ig Nobel, uma paródia do Nobel que premia pesquisas reais sobre temas curiosos, por seus experimentos usando campos magnéticos para levitar sapos vivos.

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