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Copa do mundo
29 de junho, 2002 - Publicado às 19h50 GMT
Ronaldo em 98: um jovem rei do futebol sob pressão
Primeiro gol de Zidane na final da Copa de 98
Primeiro gol de Zidane na final da Copa de 98

Ronaldo em 2002: a chance de mostrar que ainda é Ronaldo

Rogério Simões

A Copa de 98 deveria ter sido a Copa de Ronaldo. Mas acabou sendo um drama para o jogador, o início de quatro anos em que o "Fenômeno" brasileiro foi aos poucos perdendo a condição de maior estrela do futebol mundial.

Um ano antes do início da Copa da França, um enorme painel da Nike, com a imagem de Ronaldo, tomava conta de toda a lateral de um prédio no centro de Paris.

Era um indicador da febre que giraria em torno do jogador durante o Mundial e que o acompanharia até a dramática decisão no Stade de France.

Em 1998, Ronaldo foi tratado na França como um verdadeiro rei do futebol e do marketing, com direito a rainha - sua namorada da época, Suzana Werner - e uma corte - sua família.

Casa alugada

Pouco antes do Mundial da França, o atacante da Internazionale de Milão era um personagem quase onipresente na mídia, seja em programas de TV ou em propagandas de pneu ou guaraná.

Na Copa, apareceu com um novo modelo de chuteira fabricado especialmente para ele por seu patrocinador, a Nike - uma chuteira prateada que dava o tom de modernidade e força que tão bem combinava com o futebol de Ronaldo.

Ao chegar a Paris com a Seleção, ele concentrava as atenções dos jornalistas como não acontecia com uma Seleção Brasileira desde os tempos de Pelé.

Ele não era apenas um dos craques da Copa, era a face do Mundial. E, num gesto que o diferenciou ainda mais dos outros jogadores, alugou uma casa nos arredores de Paris para abrigar sua família ao longo do torneio.

O exagero do gesto foi um dos grande exemplos da megalomania que tomava conta de toda a equipe. Tetracampeã e comandada pelo maior craque o mundo, a Seleção Brasileira transbordava em autoconfiança e sensação de superioridade.

Mas não foram os parentes que mais rondaram a imagem de Ronaldo na Copa da França. A então namorada, a atriz Suzana Werner, assumiu o papel de musa de todos os cinegrafistas durante os jogos do Brasil.

No meio dos torcedores, Suzana era nas arquibancadas o que Ronaldo era dentro de campo: a estrela. E após cada lance de perigo protagonizado pelo atacante, seu rosto e seus suspiros eram flagrados e transmitidos para os quatro cantos do mundo.

Boatos

Inúmeros boatos rondaram Ronaldo durante a Copa, relacionados tanto ao seu comportamento dentro do campo como à sua vida pessoal.

Entre os jornalistas, circulava a informação, nunca confirmada, de que o atacante recebia "infiltrações" (injeções de antiinflamatórios) nos joelhos para vencer dores permanentes e ter condições de jogar.

Já entre imprensa e torcedores, corria o boato de que seu relacionamento com Suzana Werner passava por dificuldades e que isso estaria tirando a sua atenção do seu principal objetivo: ganhar a Copa.

Enquanto isso, críticos começavam a questionar seu desempenho em campo, situação que melhorou apenas depois da partida contra o Chile, pelas oitavas-de-final, quando Ronaldo marcou dois gols.

Final

Na semifinal, contra a Holanda, Ronaldo voltou a marcar - seu quarto gol na Copa -, o que aumentou a esperança entre torcedores e jornalistas de que a final seria seu grande momento.

Ronaldo e suas chuteiras exclusivas após a final
No último treino antes da partida contra a França, Ronaldo foi, mais do que nunca, a grande atração. Enquanto os outros jogadores dividiam as atenções do jornalista, o atacante dava uma entrevista exclusiva, na beira do campo de treinamento, à poderosa Rede Globo.

Liberado, ele era cercado por uma multidão de repórteres, loucos para ter uma frase que fosse do jovem de 21 anos que estava a um dia de fazer história.

A verdade é que, rodeado dos mais diversos interesses, comerciais ou pessoais, Ronaldo, que para a maioria dos brasileiros era Ronaldinho, nunca pareceu feliz na França.

Durante o Mundial, dentro ou fora de campo, ele não demonstrava a mesma alegria de jogar que havia cativado torcedores do Cruzeiro, do PSV, do Barcelona e da Internazionale.

Seu rosto indicava uma grande tensão, que na época era simplesmente interpretada como resultado da pressão para que marcasse muitos gols e levasse, sozinho, o Brasil ao título.

Em 12 de julho de 1998, horas antes da final, Ronaldo ruiu. O que ficou comprovado é que ele sofreu uma convulsão, de causas desconhecidas, que nem mesmo duas Comissões Parlamentares de Inquérito do Congresso brasileiro conseguiram identificar.

O jogador jura que tinha condições físicas para atuar quando o técnico Zagallo, minutos antes do apito inicial, decidiu colocá-lo em campo em vez de optar pelo reserva Edmundo.

Ronaldo e o resto do time brasileiro jogaram muito mal contar a França. Perderam de 3 a 0. Logo depois do jogo, Ronaldo voltou ao Chateâu em que a Seleção estava hospedada e, por volta das 4h da madrugada do dia seguinte, abandonou o local, num carro particular ao lado de Suzana Werner.

Dias depois, o mundo se perguntava o que teria acontecido com Ronaldo na final da Copa. Mas seria mais apropriado perguntar o que teria acontecido com ele em toda a competição.

Provocado pelas pressões que o rodearam ou não, o incidente do dia da final contra a França foi o auge de um Mundial em que Ronaldo foi muito mais do que um simples jogador.

Mesmo antes de sua esperada coroação no jogo decisivo, ele já era rei, super-herói, salvador da pátria, garoto-propaganda, namoradinho do Brasil e símbolo mundial do futebol moderno. Talvez tenha sido demais para quem estava lá apenas para fazer gols.

*O jornalista Rogério Simões cobriu a Copa de 98 para o jornal Folha de S.Paulo

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