Taco viciado

Lucas Mendes em ilustração de Baptistão

O doutor Carnes, Patrick Carnes, foi o criador da expressão “viciado em sexo”. Foi na década de 80, no livro Out of the Shadows.

Mas há 14 anos, por falta de evidência científica, o “vício do sexo” foi retirado do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ("Manual de Diagnósticos e Estatísticas de Distúrbios Mentais"). Para os cientistas, o vício era mais carnal do que mental. Graças a Tiger Woods, não só a expressão mas também o vício e o tratamento estão no nosso dia-a-dia. A fera do golfe foi fotografada semana passada na clínica de reabilitação Gentle Path, no Centro Médico de Pine Grove, no Mississipi, dirigida pelo Dr. Carnes. O vício existe ou é desculpa de homens e mulheres (30% do viciados) que não controlam suas carnes? Para quem acredita neste tipo de estatística, 15 milhões de americanos são viciados em sexo.

Será que eu e você somos? Qual é o limite da sanidade sexual? Quem tem alguma atividade sexual, mental ou física, por mais de 2 horas por dia é um viciado, nos dizem os especialistas. Pelos tabloides, Tiger, fora dos campos de golfe e das fotos e comerciais promovendo seus patrocinadores, só pensava e praticava o vício. Jamais com a própria mulher. O Tigre pagava, e muito, mas esta é uma denúncia que dificilmente será comprovada porque quem abrir a boca corre o risco de receber uma visita do leão americano.

O golfe levou uma mordida com a saída de Tiger. Sem ele, a audiência dos torneios caiu pela metade. As TVs oferecem descontos de até 50% para não perder anunciantes. A grande esperança é que até abril, quando começam os grandes torneios, Tiger Woods dê um passo decisivo e saia do Gentle Path com o anúncio: “estou curado”. E a mulher, ao lado, diga “está perdoado”. Os milhões voltem a chover como confete.

Os ingleses, campeões deste “vício” há vários séculos, se divertem às custas dos americanos e fazem uma cobertura mais debochada do escândalo. Os tabloides americanos são nus e crus. O escândalo explodiu porque um deles ia publicar a história de Tiger com a amante. Num ataque preventivo, a fera colocou a mulher no telefone com a amante que seria revelada pelo tabloide. As duas se conheciam, a conversa foi cordial, mas a mulher ficou desconfiada.

Tiger, aliviado, tomou uma pílula para dormir. Ela pegou o celular dele e mandou uma mensagem para a amante do marido como se fosse ele. A resposta veio imediata e comprometedora. A sueca foi ao armário de equipamentos esportivos, se armou e acordou o marido com uma tacada.

Pela selva dos blogs, Tiger, mesmo atordoado pelo comprimido, deu um salto de circo rumo ao jipe, perseguido pela mulher enfurecida. O gênio do taco, na fuga, calculou mal os obstáculos, bateu e caiu no buraco.

Especialistas nos dizem que o vício do sexo é mais humilhante do que os do álcool e das drogas.

É mais fácil você chegar diante de um grupo de desconhecidos e anunciar “meu nome é Zé e sou alcoólatra do que anunciar que é viciado em sexo. É tarado ou doidão, dizem as más línguas.

Existe a Sex Addicts Anonymous (Viciados em Sexo Anônimos) com seus 12 passos para a cura e está na internet, mas vários passos envolvem ajuda de Deus. Quem não é religioso não tem cura. Para minha surpresa há uma indústria próspera com vários tratamentos, com e sem ajuda de Deus.

Entre celebridades que passaram por eles e foram reabilitados, Michael Douglas é citado como um dos casos mais bem sucedidos, mas os blogueiros do sexo acham que Catherine Zeta-Jones e a idade dele foram mais decisivos curar o vício de Michael Douglas. Estas clínicas que curam ricos e celebridades são caras, mas muitas mulheres traídas - e maridos também (25% dos clientes são mulheres) - aceitam o argumento do “vício” como uma doença. Às vezes interessa menos do que o divórcio. Em busca do perdão da mulher, alguns maridos encontraram soluções mais dramáticas e menos caras. Um deles comprou um gigantesco outdoor na I-95, uma das estradas de maior movimento no país e escreveu: “Deborah meu amor. Eu errei. Me perdoe”. Continuam casados.

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