'Nazista mais procurado do mundo' vai a julgamento na Hungria

Sandor Kepiro durante o julgamento em Budapeste (Foto: AP) Direito de imagem AP
Image caption Sandor Kepiro já foi considerado 'o nazista mais procurado do mundo'

Um oficial do regime nazista da Hungria, que já foi considerado um dos mais procurados pela Justiça, começou a ser julgado nesta quinta-feira em Budapeste.

O ex-capitão Sandor Kepiro, hoje com 97 anos, é acusado de cumplicidade em crimes de guerra em decorrência de uma operação do regime húngaro que matou centenas de pessoas na Sérbia em janeiro de 1942.

Mais de 1.200 mil civis judeus, sérvios e romenos foram assassinados pelas forças húngaras, aliadas do nazismo alemão, ao longo de três dias na cidade de Novi Sad.

Os promotores defendem que Kepiro seja considerado culpado por ordenar a captura e execução de 36 pessoas.

Sobreviventes do massacre disseram que as vítimas, entre as quais famílias inteiras, eram executadas e atiradas nas águas do rio Danúbio para congelar sob o gelo.

Uma das testemunhas, a sobrevivente Lea Ljubibratic, disse que "eles arrastavam as pessoas de suas casas e as matavam a tiros na rua".

Kepiro foi classificado pelo centro Simon Wiesenthal - organização de direitos humanos que combate o antisemitismo - como "o nazista mais procurado do mundo".

O oficial húngaro chegou a ser condenado em 1944 por envolvimento no massacre de Novi Sad, mas a decisão foi revogada pelo governo fascista húngaro. Ele fugiu para a Argentina e só retornou à Hungria em 1996.

O ex-oficial chegou a processar por difamação o diretor do Centro Wiesenthal, Efraim Zuroff, mas o processo foi rejeitado na terça-feira.

Nesta quinta-feira, ele chegou à corte húngara andando com a ajuda de uma bengala. Sentado no banco dos réus, deixou exposto um cartaz com os dizeres: "Assassinos de um homem de 97 anos".

Kepiro qualificou o julgamento de "circo" e se disse "completamente inocente".

No passado, o oficial deu uma entrevista à TV húngara em que admitia ter participado na matança de Novi Sad.

"Não me arrependo de nada. Tudo que fiz foi cumprir as ordens", alegou.

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