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31 de agosto, 2000 Publicado às 09h00 GMT

De Olho no Mundo
Co-produção BBC/Rádio Eldorado de SP
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Mercosul não está pronto para moeda única
O economista Robert Mundell
O economista canadense Robet Mundell

Em entrevista ao programa De Olho no Mundo, Robert Mundell, prêmio Nobel de economia de 1999 e um dos inspiradores da moeda única européia - o euro - acredita que a adoção de uma moeda única pelo Mercosul vai demorar mais de dez anos: "Não vejo de imediato os ingredientes necessários para se criar uma moeda única porque os 4 países envolvidos têm dimensões muito diferentes."

Para o economista canadense, há muita assimetria no bloco sul-americano: "Na Europa há pelo menos 4 países grandes de tamanho semelhante. Embora a economia da Alemanha seja maior que as outras, não é tão dominante quanto a economia brasileira é sobre o Mercosul".

Mudell acha que ainda se tem que encontrar uma moeda em cooperação para o Mercosul: "Se o real se tornasse estável, todos poderiam usá-lo, mas a Argentina não aceitaria isso".

Mas ele acredita que o bloco já começou a dar os primeiros passos no sentido de uma união monetária, com uma espécie de mini-Tratado de Maastrich europeu: "Os países já observam a situação dos orçamentos dos outros, taxas de inflação, e gradualmente começam a ver as dificuldades uns dos outros. Isso pode dar em alguma coisa".

Euro fraco

O economista Robert Mundell admitiu estar desapontado com o desempenho atual da moeda única européia, que foi lançada em janeiro de 1999, valendo US$ 1,17 e hoje anda por volta de US$ 0,90.

Mas Mundell ainda acredita no euro: "Quando o euro foi lançado, muita gente temia que o Banco Central Europeu manteria a política econômica apertada demais. Uma das coisas positivas da queda da moeda é que ela liquidou esse argumento".

Robert Mundell acha que a queda do euro ajudou a tornar a economia européia mais competitiva.

O economista Robert Mundell em casa com a família
Mundell acredita que no futuro o euro será uma moeda forte

Ele considera prematuro dizer que o euro não vai ser uma moeda forte, já que a união monetária na Europa só será efetiva em meados de 2002: "O que acontece agora é que o dólar está muito forte com o rápido crescimento econômico dos Estados Unidos, mas com o desaquecimento da economia americana, que já está acontecendo, o déficit em conta corrente vai pesar sobre o dólar. Em um ou 2 anos muita gente pode fugir para o euro"

Brasil como Argentina

O economista Robert Mundell acha que o Brasil deveria atrelar o real ao dólar do jeito que a Argentina fez.

Ele acredita que esse seria um bom meio para o Brasil atrair mais capital: "A importação de capital é de extrema importância para a América Latina, e, especialmente investimentos diretos.

A nova economia é uma oportunidade maravilhosa para os países em desenvolvimento, mas é preciso se defender de capitais especulativos."

O economista canadense diz que temos hoje um sistema monetário bem ruim: "Depois da ruptura do sistema de câmbio fixo, as economias entraram nesse esquema que estimula a ciranda financeira internacional. É anômalo e contraproducente para a economia mundial. Não é bom para os países em desenvolvimento, nem para os outros países. É apenas um movimento inútil de capital, baseado apenas na expectativa de variação de câmbio dessas moedas".

O detentor do Prêmio Nobel de 1999 acredita que a Europa tem conseguido se proteger dentro da área da união monetária: "Eu acho que se a América Latina trabalhar para gradualmente para chegar a um sistema de câmbio fixo, o continente terá um sistema monetário melhor e ficará mais protegido do movimento de capitais instáveis".

 

 

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