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23 de junho, 2000 Publicado às 23h00 GMT

 
Exército diz que narcotráfico não é sua prioridade
O Exército não participa do combate ao narcotráfico

Iain Bruce, enviado especial à Cabeça do Cachorro

O Exército brasileiro considera que o controle do narcotráfico na fronteira com a Colômbia não é sua obrigação.

O coronel Madeira, comandante do 5º Batalhão de Infantaria da Selva, explica o papel do pelotão de Querari, no norte do país.

"A finalidade principal é defender esta parte do nosso território, garantir a inviolabilidade do território nacional." A segunda, complementar, seria de apoio à população, "procurar incentivar o desenvolvimento aqui na área".

Para o coronel, controlar o narcotráfico na fronteira ainda não faz parte da sua missão.

Essa também é a opinião do general Alcedir Pereira Lopes, comandante militar da Amazônia. No seu gabinete, em Manaus, ele diz: "Por enquanto, o narcotráfico não é uma ameaça à soberania".

"É apenas uma preocupação, porque ele está passando por nosso território para Europa e Estados Unidos," ele afirma.

O general reconhece que nesses mais de mil quilômetros de fronteira com a Colômbia a presença da Polícia Federal é quase inexistente.

"Eles não têm meios adequados para navegar nos nossos rios. Não têm as aeronaves que possam pousar nos mesmos lugares que os narcotraficantes."

Mas ele insiste que a Constituição Brasileira não permite que as suas tropas participem diretamente na guerra contra a droga.

Polêmica

É um tema polêmico. O novo plano de segurança pública promete às Forças Armadas R$ 75 milhões durante três anos para dar "apoio" à Polícia Federal no combate ao narcotráfico.

Mas não se sabe ao certo se isso vai resolver o que faz parte de uma velha briga de bastidores entre as áreas militares e policiais do governo.

Segundo o general Alcedir, o assunto também interessa os Estados Unidos. Até agora, o Brasil vinha sendo uma exceção na região.

Os demais países vizinhos da Colômbia já mobilizaram as suas Forças Armadas na luta contra o tráfico.

Os Estados Unidos destinam US$ 1,6 bilhão para o combate às drogas na Colômbia.

Os norte-americanos pretendem que o governo colombiano retome o controle do sul do país, hoje em grande parte nas mãos das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

O deputado José Genoíno, do PT, acompanha de perto os assuntos da área militar.

Para ele a não-participação brasileira incomoda o governo norte-americano.

"A política de defesa norte-americana não quer dar o mínimo de autonomia estratégica a estes países, principalmente o Brasil, que pela sua situação geopolítica tem uma influência natural na América Latina, particularmente na zona amazônica," diz José Genoíno.

Tráfico na Amazônia

Poucos dias antes do anúncio das novas funções das Forças Armadas na fronteira, os EUA ofereceram até US$ 12 milhões de ajuda ao Brasil para a sua participação no combate ao tráfico na região.

Publicamente, o governo norte-americano insistiu que a decisão sobre usar ou não o exército contra o narcotráfico era um assunto exclusivamente brasileiro.

Mas as explicações de altos dirigentes norte-americanos perante o Congresso não deixa lugar a dúvidas.

O eixo do plano de combate às drogas dos norte-americanos é regional e se baseia na integração dos esforços policiais e militares.

Há outro ponto da política norte-americana que não é aceita plenamente pelos militares brasileiros.

O plano norte-americano parte do princípio de que há ligação direta entre o narcotráfico e a guerrilha.

O argumento é de que a "narcoguerrilha" ameaça a democracia em toda a região.

Mas na Boca do Cachorro os militares não acham que as Farc representam uma ameaça.

Na pior das hipóteses, os guerrilheiros entram desarmados para comprar comida na única cidade da região, São Gabriel da Cachoeira.

Os comandantes brasileiros ficam até mais preocupados com as ações do exército colombiano, que provocou um incidente diplomático quando fez um uso inadequado da base de Querari.

O Brasil deu acesso ao local para o exército colombiano evacuar feridos de um ataque da guerrilha na cidade colombiana de Mitú.

O coronel Madeira conta o que se passou.

"O exército colombiano realizou uma ação sobre Mitú a partir do nosso pelotão, sem o nosso consentimento."

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