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01 de março, 2000 Publicado às 13h50 GMT

Análise: a guerra da Chechênia chega à web
Uma outra guerra, essa virtual, está sendo travada entre russos e chechenos

Por Stephen Mulvey, Analista Regional

O comando militar russo tornou praticamente impossível que jornalistas estrangeiros vejam com os próprios olhos a guerra da Chechênia.

Mas à medida em que a guerra se arrasta, as tentativas russas de manipular as informações sobre a guerra estão sendo minadas por uma ofensiva chechêna na Internet.

Jornalistas que procuram investigar a versão chechêna dos acontecimentos na república separatistas encontraram uma aliada na agência de notícias Kavkaz-Tsentr.

A agência veicula relatos de rebeldes chechenos que estão na frente de combate.

Na maioria dos casos, esses relatos contam uma história bem diferente da versão oficial russa.

Jihad em seis línguas na Internet

Lendo as notícias no site da Kavkaz-Tsentr a impressão que se tem é de que os relatos são exagerados e até mesmo, em alguns casos, falsos.

Mesmo assim o site serve para informar sobre acontecimentos que as fontes russas omitem, negam ou simplesmente levam mais tempo para reconhecer sua veracidade.

Em outubro o primeiro ministro da Rússia, Vladimir Putin, reconheceu que seu governo perdeu terreno em relação aos chechenos na utilização da web.

O depoimento de Putin coincidiu com o lançamento do "Centro de Informações Independente da República da Chechênia", um web-site em inglês que oferece notícias escritas por jornalistas pró-Moscou.

O governo russo já havia criado um web-site para veicular a versão da Rússia sobre o conflito no Daguestão, entre agosto e setembro (www.kavkaz.com).

O site da agência de notícias estatal da Rússia, a Itar-Tass (www.itar-tass.com), também mostra a versão russa dos acontecimentos na Chechênia.

Em agosto o site da Kavkaz-Tsentr foi atacado, pela primeira vez, por hackers.

Declarações absurdas Hackers chechenos contra-atacaram e invadiram vários web-sites do governo russo, onde adicionaram uma página com declarações exagerando o número de baixas do exército da Rússia.

Além disso, alguém está pagando para anunciar um site pró-Chechênia - Ichkerya Online - no site pró-Moscou.

Basta o visitante clicar no anúncio do site para ter acesso à notícias na versão chechêna.

O governo russo chegou a procurar ajuda de profissionais estrangeiros para tirar os sites chechenos do ar.

Em setembro, o ministro do Interior, Vladimir Rushailo, chegou a declarar que o FBI - a polícia fedearl dos Estados Unidos - concordou em ajudar.

Alguns dias depois um servidor na Califórnia anunciou que não iria mais dar suporte ao site da Kavkaz-Tsetr.

Atualmente o representante semi-oficial da Chechênia nos Estados Unidos, Albert Digaev, já encontrou uma alternativa.

Guerra Chechena Sagrada

Outro site pró-Chechênia que vem sendo citado na imprensa ocidental é o chamado "Jihad na Chechênia".

O site oferece explicações sobre como ir até a Chechênia e lutar contra os russos em 6 línguas: árabe, bósnio, inglês, alemão, malaio e turco.

O site também mostra fotos chocantes de pessoas que morreram na guerra para, aparenetemente, estimular militantes muçulmanos a participar do conflito.

Aparentemente um site pró-moscou utiliza a mesma tática com o objetivo inverso.

O site "Centro de Informações Independente da República da Chechênia" também mostra fotos fortes, mas parece querer convencer o visitante de que uma vitória russa é imperativa.

Muitos outros web-sites baseados nos Estados Unidos, Turquia e em outros países também oferecem publicidade e apoio para a causa chechêna.

Alguns até oferecem números de contas bancárias onde - teoricamente - os interessados podem realizar doações para contribuir com o esforço de guerra da Chechênia.

Até agora, o site oficial dos rebeldes chechenos é o campeão de hits entre os sites pró-Chechênia na Rússia, figurando na vigésima primeira posição entre os sites mais procurados no engenho de busca russo "Rambler".

A credibilidade do site oficial do movimento rebelde checheno sofre um golpe violento quando a Rússia anunciou ter encontrado o corpo de um militar desaparecido, general Mikhail Malofeyev, em 25 de janeiro.

Na mesma data o site chechêno ainda anunciava que o general estava sendo mantido prisioneiro.

Por outro lado os chechenos também foram beneficiados pela internet.

Os rebeldes conseguiram provar com o uso de e-mails que não havia fundamentos nas alegações russas de que o presidente chechêno, Aslan Maskhadov, teria sido ferido.

A mensagem que desmentiu as declarações russas foi enviada pelo filho do presidente da Chechênia, Anzour Maskhadov.

Anzour disse que seu pai estava vivo e passando bem.

 


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