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28 de abril, 2000 Publicado às 20h20 GMT
Especial: Vietnã, 25 Anos Depois
Um novo tigre asiático?
Ho Chi Minh: O homem que unificou o Vietnã

Emma Batha, BBC News Online

Na década de 90, o Vietnã tomou um rumo muito diferente daquele que havia sido imaginado pelos comunistas que derrotaram os Estados Unidos.

A partir de então, o país entrou numa época de acelerado crescimento econômico regado a muito capitalismo.

Nesse período, o país chegou a ser apontado como um novo "tigre asiático", e muita gente achou que se repetiria o "milagre econômico" vivido por vizinhos como a Coréia do Sul, a Malásia e a Tailândia.

Mas nos últimos anos a economia vietnamita perdeu boa parte de seu ímpeto, e a maioria da população continua vivendo na pobreza.

O crescimento econômico, que chegou a 10% anuais, ficou em apenas 4% nos últimos anos.

Multinacionais

Durante os anos 90, o Vietnã passou de regime comunista fechado à economia global a prioridade de empresas multinacionais como a Unilever, a Shell e a Mitsubishi.

Empresas transnacionais: ávidas pelo mercado

Esses grandes conglomerados foram atraídos por um mercado de grandes proporções – o país conta com 76 milhões de habitantes – e um extenso leque de riquezas naturais.

O Vietnã possui consideráveis reservas de petróleo e um grande potencial para a agricultura.

Mas, paradoxalmente, o grande atrativo para as grandes empresas capitalistas é um produto típico de países que já foram comunistas – uma mão-de-obra barata com bom nível de educação.

A taxa de analfabetismo no Vietnã é de 12% da população adulta, um percentual inusitado para um país em que a renda per capita mal chega a US$ 360.

Sem ressentimentos

A oportunidade de realizar bons negócios fez até os Estados Unidos esquecerem um pouco as feridas da guerra para aumentar seu comércio com o Vietnã.

Em 1994, o governo dos EUA levantou as restrições comerciais contra o país asiático, e as empresas americanas uniram-se às sul-coreanas, japonesas, australianas e européias que já estavam faturando no lugar.

Hoje, apesar de não ser um país rico, o Vietnã já está bem mais integrado à economia mundial, e a sociedade acompanha essa evolução.

O Vietnã é o terceiro maior exportador mundial de arroz

Os jovens vietnamitas, livres das amarras impostas por uma aplicação rigorosa do comunismo, hoje freqüentam boates com nomes como Planeta Saigon, e os homens de negócios mais bem-sucedidos circulam pelas ruas das cidades em vistosos Mercedes-Benz.

Por fim, o dólar é aceitado por muitos negociantes como meio de pagamento, da mesma forma que a moeda local – o dongue.

Erros

A transição do comunismo para uma economia e uma sociedade bem mais abertas foi promovida pelo próprio Partido Comunista.

Depois que os EUA foram derrotados, em 1975, e o país, reunificado, no ano seguinte, o Vietnã se fechou para o mundo exterior.

Nos anos 80, a economia se deteriorou devido a uma série de erros de planejamento do governo e ao legado de destruição deixado pela guerra.

A saída, em 1986, foi dar uma reviravolta, e os comunistas do governo acabaram abraçando a economia de mercado.

O fim do comunismo na Rússia e na Europa Oriental foi um incentivo a mais para acelerar a abertura.

O grande vizinho do Vietnã, a China, segue sendo um país comunista.

Mas, além de já não ser tão adversa à economia de mercado, a China é um adversário histórico do Vietnã, que procura ao máximo se livrar da sua influência.

Investimento

O auge da retomada econômica vietnamita aconteceu em 1996, quando o país recebeu US$ 8,3 bilhões em investimentos estrangeiros – o correspondente a um terço do seu Produto Interno Bruto (PIB).

Só que, nos últimos anos, boa parte dos investidores estrangeiros está deixando o país.

Alguns analistas agora dizem que a política de abertura do governo comunista não era tão ampla e decidida quanto foi anunciado.

E os investidores reclamam de excesso de burocracia, corrupção e falta de um sistema judiciário confiável.

Além disso, o impasse na assinatura de um acordo comercial com os EUA seria, para alguns analistas, um sinal de que o governo comunista não estaria totalmente comprometido com os princípios da economia de mercado.

O governo prefere afirmar que a abertura está continuando, ainda que de forma gradual, e grandes passos já foram dados na redução da pobreza, principalmente no meio rural.

 

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