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Atualizado às: 23 de junho, 2006 - 18h38 GMT (15h38 Brasília)
 
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TODOS PARA STOCKWELL!!

Na Inglaterra, praticamente não há mais a Copa do Mundo. Os ingleses já sofreriam naturalmente com a eliminação da sua seleção, mas ver que os arqui-rivais Alemanha e França ainda participam da Copa dói ainda mais. E, no meio de uma onda de calor que está fritando a Inglaterra, os torcedores ingleses estão, literalmente, de cabeça quente.

Mas há um oásis de felicidade em Londres. O bairro de Stockwell, conhecido dos brasileiros pela trágica morte de Jean Charles de Menezes há um ano, é o coração da colônia portuguesa na capital britânica. Na quarta-feira, quando a turma de Felipão enfrentar a de Zizou, os restaurantes da Stockwell Road, com seus deliciosos bolinhos de bacalhau e camarões ao alho, ficarão apinhados de gente. Bandeiras verdes e vermelhas vão tomar conta dos prédios, e o português será a língua oficial por toda a avenida. Não será como torcer para o Brasil, mas para os brasileiros que vivem em Londres e não querem esperar quatro anos para o próximo dia de emoção, é uma boa pedida.

Rogério Simões, de Londres, segunda-feira, às 18h33

ALLEZ LES BLEUS!!!

Allez les Bleus, Allez les Bleus..... os franceses comemoram aos gritos e buzinadas nesta noite a mais do que inesperada vitória sobre a Espanha por 3 a 1.

Antes da partida, eu perguntei a vários franceses se eles achavam que uma vitória seria possível. “Non” me responderam todos sem exceção, alegando aos risos que esta seleção joga tão mal que não poderia nunca ganhar dos espanhóis.

Mas quando a França marcou o segundo gol, um terremoto ocorreu em Paris. Amigos que moram em diferentes partes da cidade me relataram a mesma euforia popular que presenciei. Prova de que intimamente a vontade de acreditar na seleção ainda estava viva. As buzinadas já começaram, aliás, antes mesmo do terceiro gol, marcado por Zidane.

“Um clima de 98 se instalou na França” diz nesta noite uma rádio de francesa de informações. Os franceses agora começam a acreditar que poderão jogar de igual para igual com o Brasil.

Daniela Fernandes, de Paris, terça-feira às 23h22

TORCIDA RICA, PORÉM FALSA

A minha teoria é de que a seleção brasileira vai ter cada vez menos apoio dos torcedores brasileiros nos estádios - isso, logicamente, se o time continuar se classificando. Explico: quem não tem ingresso está desanimado e indignado com os altos preços exigidos pelos cambistas; e quem veio do Brasil com ingresso garantido começa a se animar a faturar um "dinheirinho extra". Esta foi a frase de um flamenguista que se preparava para assistir a Brasil x Gana em Dortmund: "Acho que vale mais a pena vender meu ingresso para a semi-final por 1.500 euros e pagar toda a minha viagem do que correr o risco de ver o Brasil perder o jogo."
Parece que, cada vez mais, os torcedores de camisas verde-amarelas nos estádios vão ser pessoas que não falam português, mas têm uma moeda mais forte do que o real...



Andrea Wellbaum, de Dortmund, terça-feira às 15h40
MIRACOLO, MIRACOLO!!

O gol de Totti, quando o tempo regulamentar já tinha até terminado, pareceu um milagre para os torcedores italianos.

Do jeito que as coisas estavam, no jogo entre Itália e Austrália, ficou claro que não ia dar para evitar um sofrido tempo suplementar e até mesmo um final à base de pênaltis.

O sofrimento era tanto que muitos torcedores já tinham pensado em se preparar para dobrar e guardar a bandeira e encarar a eliminação.

“E’ sempre assim, a gente sofre muito, tem taquicardia, depois .....tudo acaba dando certo”, disse um torcedor aliviado.

Totti entrou quando faltavam 15 minutos para o final e tudo parecia perdido.

Totti cobrou o pênalti aos 47 minutos do segundo tempo. Naquele momento, a tensão e o pessimismo eram tão grandes, dentro e fora do campo, que o goleiro Buffon, eleito como o melhor em campo pela Fifa, admitiu não ter tido nem coragem de olhar.

O gol provocou uma explosão geral. Torcedores saíram pelas ruas, festa, gritaria. O sofrimento virou euforia e a confiança ganhou espaço. Ter passado para as quartas-de-final já está fazendo com que os italianos acreditem, seriamente, em chegar à final.

Assimina Vlahou, de Roma, segunda-feira às 20h34

DE ALMA LAVADA

Hoje os franceses salvaram a pátria. Não foi apenas um fiasco que a França conseguiu evitar ao garantir uma vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo vencendo a “difícil” seleção do Togo por dois gols a zero.

Talvez com este resultado os “bleus” consigam uma façanha bem mais prodigiosa: diminuir a apatia dos franceses em relação à Copa do Mundo. Pelo menos até o próximo jogo da França.

Difícil ver pelas ruas de Paris alguém usando a camiseta da seleção francesa. A vergonha de ainda acreditar em seus jogadores parece ser maior do que o tão forte orgulho nacional que faz a reputação dos franceses.

O popular jornal “20 minutes”, distribuído gratuitamente nos metrôs, deu hoje o tom do sentimento nacional, ao fazer um trocadilho com o famoso “bleu, blanc, rouge”; as cores da França. “Bleu, Blanc, Doute” (Azul, Vermelho, Dúvida”).

Nesse clima de desinteresse quase geral, um francês, nascido na Argélia, ganhou um belo presente no dia de seu aniversário de 34 anos. Zinedine Zidane, o capitão ausente hoje por conta dos dois cartões amarelos, pôde ter ainda a possibilidade de tentar convencer muitos franceses de que a Copa do Mundo está acontecendo.

Daniela Fernandes, de Paris, sexta-feira às 23h53

A FORÇA UNIVERSAL DA SELEÇÃO

O Egípcio médio sabe bem pouco do Brasil. Todos sabem de Ronaldo, Ronaldinho e mais alguma coisa relacionada a futebol e muitos lembram em falar do café. Mas em geral pára por aí com exceção de uns poucos que pensam em mulheres bonitas e no carnaval.

Só que em época de Copa do Mundo o Brasil vira assunto no mundo inteiro e aqui não é diferente. Na edição desta semana da revista egípcia Sabah al-Khair foram publicadas charges com referências ao Brasil em meio a outras sobre a Copa do Mundo. As piadas do cartunista Mohamed Hakim não chegam a ser das mais engraçadas, mas refletem bem que passa pela cabeça do egípcios médio quando pensa no Brasil.

Ganhei um contrato para torcer pelo Brasil na Alemanha!!!! Pedido de férias, no balãozinho de baixo

A moda... Neste época é assim

Você quer que traga café de onde? Entenda mulher....vou para a lanchonete tocer pelo Brasil pela TV!

Paulo Cabral, do Cairo, sexta-feira às 2h13

TEM QUE MUDAR

Não é preciso entender muito de futebol para saber que o Brasil mudou no jogo contra o Japão. Tudo bem que o jogo não valia muito, o Brasil estava classificado, o Japão é um time fraco e por aí vai. Mas convenhamos que Ronaldinho rendeu mais, Juninho Pernambucano mudou o esquema de jogo e Robinho desde o começo alterou como o ataque brasileiro funcionou até agora.

No final do jogo, a sensação era de que finalmente o Brasil tinha mostrado o seu potencial e que a Argentina não está sozinha nesta Copa como time que tem tudo para ganhar fazendo bonito.

Mas um dia depois da vitória o que se ouve da Alemanha é que Parreira deve voltar com o time que começou. Não é fácil tomar a decisão botar no banco vacas sagradas do futebol brasileiro.

Mas até quando o Brasil pode se dar ao luxo de dar show de reservas?

Edson Porto, de Londres, sexta-feira às 8h39

ESTRÉIA

Nada a mal assistir a meu primeiro jogo em um estádio lotado (66 mil pessoas), em Munique, com a seleção brasileira disputando a Copa do Mundo.

Tudo era novidade: de poder ver a “ola” chegando, até a visão total do campo, podendo ver o que os jogadores fora do alcance das câmeras de televisão estavam fazendo.

A visão do campo que eu tinha da arquibancada em Munique

Aliás, fiquei impressionada com o Ronaldo. Não precisa ser nenhum especialista em linguagem corporal para perceber como ele está desmotivado. A cabeça baixa, os ombros caídos, os passos arrastados. Por sinal, no aquecimento ele era sempre o último nas corridas. A torcida brasileira tentou apoiar, gritando o nome do “fenômeno”, mas os australianos emendavam: “Ronaldo is a Pizza Hut! Ronaldo is a Pizza Hut!”.

Como disse o meu colega Marcelo Crescenti, tem muito estrangeiro vestindo a camisa do Brasil. O problema é que a grande maioria não fala português e a torcida fica calada... Na minha frente estavam poloneses e turcos.

A festa em Munique antes e depois do jogo de domingo era geral. Vários torcedores bebiam e cantavam juntos, apenas os poucos torcedores dos Estados Unidos eram todos vaiados.

O desespero por ingressos é grande como dá pra ver... Esses australianos trocavam a irmã ou a mãe por ingressos!

Adriana Stock, de Londres, quinta-feira às 1h48

LOST IN TRANSLATION

A tradução da coletiva de Zico na véspera do jogo entre Brasil e Japão foi um espetáculo à parte. Ele respondia as perguntas em português.

Cada resposta durava, no mínimo, um minuto. Em seguida, sem nenhuma anotação, um auxiliar tentava reproduzir em japonês o que o treinador havia dito.

Por fim, outra pessoa fazia a tradução do japonês para o inglês.

Em determinado momento, ao comentar um elogio que recebeu do lateral Roberto Carlos, Zico brincou que o jogador da Seleção só foi gentil porque os dois nunca se enfrentaram em campo.

O auxiliar japonês não sabia como traduzir. Bem-humorado e com um sorrido no rosto, o Galinho comentou para risos gerais: "também, você não entendeu p.... nenhuma".

Diego Toledo


Diego Toledo, de Dortmund, quarta-feira às 21h39

GOZAÇÃO ARGENTINA

Aqui em Buenos Aires, os torcedores acompanham a excelente campanha da seleção argentina mas não tiram o olho da seleção brasileira. Mas percebo que alguma coisa mudou em relação a Copa de 2002, quando eu já vivia aqui. Agora, é mais fácil perceber o tom de desafio e arrogância nas manchetes dos jornais e nos programas humorísticos, do que no chamado cidadão comum. Ressabiado com a eliminação prematura em 2002, o povão ainda não se soltou.

Domingo, mesmo depois daquele 6 a 0 contra a Sérvia e Montenegro e após a segunda partida brasileira, ouvi de um taxista portenho o que muitos dizem aqui: “Ainda é cedo para 'gozar' (comemorar). A seleção brasileira é tão forte como um leão e quando Ronaldinho e sua equipe acordarem.....Sai debaixo”. A desconfiança é outra característica argentina.

Mas não deixam de debochar do Brasil. Na TV, no programa de Marcelo Tinelli, um ator imita Ronaldo, com quilos acima do normal. Tinelli pergunta, apontando para a barriga do ator: “O que é isso?”. E ele: “É bola”. E depois, o dublê de Ronaldo completa: “Aqui também levo fé – 'féjoada'”. E todos riem.

Como o humor dos argentinos é um sobe-desce, sem escalas, melhor esperar para ver como eles estarão depois da partida contra Holanda.

Marcia Carmo, de Buenos Aires, terça-feira às 16h33

CANARINHO FALSIFICADO

A Alemanha está cheia de brasileiros falsos! Explico: Apesar da fraca atuação dos canarinhos na copa até aqui, há muita gente que gosta de se identificar com o Brasil. Eles usam camisetas com “Brazil” no peito e carregam até bandeiras verde-amarelo, apesar de jamais terem pisado em solo pátrio. Cansei de puxar conversas em português com alemães, turcos, marroquinos e até com um coreano, que não entenderam bulhufas – estavam meramente fantasiados de brasileiro. As cores estão na moda, me explicam. E, afinal das contas, o Brasil é um país simpático. Fiquei ressabiado – a ponto de, outro dia, preferir não falar com um grupo de torcedores de verde-amarelo que entraram no meu ônibus. Desta vez, eram brasileiros legítimos – de Cascavel, no estado do Paraná.

Marcelo Crescenti
Marcelo Crescenti, de Frankfurt, segunda-feira às 10h10

CRUELDADE

Os treinos da seleção brasileira em Königstein foram todos fechados ao público. Quem queria chegar perto dos ídolos tinha que ficar esperando na saída do estacionamento e torcer para os carros e o ônibus dos jogadores passarem devagar. Nesta sexta-feira, depois do último treino do time na cidade, não foi diferente.

A cada carro que passava, cada um dos 20 torcedores gritava o nome de algum dos jogadores a bordo. Na confusão, ouvia-se Adriano, Robinho, Kaká (lindo!) e Ronaldinho. Só quando passou a ambulância que dá plantão durante os treinos que o coro foi em uníssono: "Ronaldo, Ronaldo!"
Maldade...

Eric Camara


Eric Camara, de Berlim, quinta-feira às 17h23

TORCEDOR NO EGITO, TV DA ALEMANHA E NARRAÇÃO DE GALVÃO BUENO

Com a ajuda de um bom técnico de antenas parbólicaas, a família do adido militar da embaixada brasileira no Egito, coronel Humberto Madeira, conseguiu captar o sinal de uma TV alemã para assistir o jogo Brasil e Croácia.

O único problema era a narração em alemão que não estava conseguindo levantar um público acostumado a exuberância dos apresentadores brasileiros. A solução veio por um popular programa de telefonia que usa internet para fazer ligações gratuítas entre dois computadores com o softaware instalado.

“Meu cunhado colocou o microfone do computador perto da TV lá no Brasil e nós pudemos assistir aqui no Egito, jogo com a Croácia, numa estação de TV alemã e com a narração de Galvão Bueno”, me contou Zenaide, mulher do coronel Madeira.

Mais um ponto prá globalização.

Paulo Cabral, do Cairo, sexta-feira às 2h13

'JORCEDORES'

Fenômeno mesmo é o Ronaldinho Gaúcho. Pacientemente, o craque do Barcelona encarou mais de meia hora de entrevista coletiva à imprensa estrangeira no último dia dele em Königstein (a reportagem você confere no nosso especial da Copa).

No fim da sessão, ainda teve a boa vontade de dar dezenas de autógrafos. Para quem? Para os próprios jornalistas. Ídolo é isso aí.

Eric Camara


Eric Camara, de Berlim, quinta-feira às 21h43

ALGUÉM TEM UM INGRESSO AÍ? PLEASE!!!

Cartaz improvisado por torcedor pedindo um ingresso para o jogo do Brasil

Uma das frases mais lidas em Berlim, principalmente em frente ao hotel onde estava hospedada a seleção brasileira, como nas proximidades do estádio: "Preciso de ingressos", em inglês, alemão e português, para o maior número de potenciais vendedores entender.

Os preços variavam entre 1.000 e 250 euros. O mais barato era só para os mais pacientes: esperaram até 15 minutos antes do jogo para negociar com desesperados que não tinham conseguido vender os bilhetes por mais do que isso.

Mas a maioria dos que procuraram acabou mesmo do lado de fora do estádio. Foram todos para a Waldbühne, um teatro no meio de um parque, bem próximo ao Olympia Stadion, onde a cantora Ivete Sangalo consolou o "movimento dos sem-ingressos".

Show de Ivete Sangalo para torcedores em Berlim



Andrea Wellbaum, de Leipzig,sexta-feira às 17h00

E AGORA, QUEM É O FAVORITO?

Bom, acabou a primeira rodada. Todas as 32 seleções já se apresentaram nos gramados da Alemanha e nas telas de milhões de televisores.

Nas ruas, escritórios e bares do mundo inteiro se discute quem foi bem, quem decepcionou quem foi mais ou menos.

Minha lista não deixa dúvida. Para mim os melhores foram República Tcheca e Argentina. E ainda mantenho o Brasil entre os grandes favoritos, apesar do ataque letárgico.

No segundo time coloco Alemanha, Espanha, Itália e Holanda.

Depois vem um bolo enorme daqueles que apenas cumpriram a obrigação de estrearem de maneira decente.

E no final ponho minhas grandes decepções: França - a maior de todas - Inglaterra, Portugal e Japão.

E o pior é que na segunda fase o Brasil deve pegar italianos ou tchecos. Parreira, precisamos acertar logo esse ataque!!!

Ricardo Acampora


Ricardo Acampora, de Londres, quarta-feira às 18h33

GOLEADA CROATA

Tudo bem, ali, dentro das quatro linhas, como diz o mestre Gérson, quem ganhou foi o Brasil. Vitória magra, como disse o Felipão sobre a do time dele, mas válida. Agora, cá entre nós, nas arquibancadas foi goleada da Croácia. O barulho ensurdecedor que os croatas fizeram nesta terça-feira, mesmo perdendo - ou seria por isso mesmo? - deixou pequenininho o mar de camisas amarelas que invadiu o Olímpico de Berlim.

Eric Camara


Eric Camara, de Berlim, quarta-feira às 14h33

LULA 1 x 0 RONALDO

Lula pode ter inciado uma polêmica indevida à toa. Teve de ouvir Ronaldo dizendo que há gente que acha que o presidente bebe muito.

Mas, se a forma – ou falta de forma – de Ronaldo não é assunto de Estado, é preocupação nacional.

Recém-chegado de Londres, assisti à partida contra a Croácia no Tiro Liro, um bar da Pompéia – bairro de classe média de São Paulo, longe de ser um reduto petista.

Quando Ronaldo pegava a bola – ou, mais frequentemente, quando não a alcançava – os gritos de "gordo", "bolha", "bolhão" e outros impublicáveis abafavam as cornetas.

Os simpatizantes podem dizer que é sintonia com o povo. Os adversários, chamar de oportunismo populista.

Mas esse faro do Lula talvez ajude a explicar por que, apesar de tudo, o petista lidera disparado as pesquisas de intenção de voto para outubro.

Asdrubal Figueiro


Asdrúbal Figueiró, em São Paulo, terça-feira às 21h35

ROUBARAM A MINHA BANDEIRA!!!

Local da bandeira roubada
À beira do Nilo, no Cairo, Sobraram apenas as cordinhas...

Sentado ao computador, olhei ontem à tarde pela janela do barco no qual eu moro e percebi que um dos pescadores do Nilo estava olhando fixo para minha varanda.

Saí e percebi por que: a minha bela bandeira brasileira – que havia uns dois meses já chamava a atenção pendurada ao lado do rio – não estava mais lá! Só tinham sobrado pedaços das cordinhas que a seguravam.

O pescador apontou na direção da correnteza, e eu vi cerca de duzentos metros rio abaixo três crianças nadando. Apurei a vista um pouco mais e vi o pano verde amarelo que eles levavam: minha bandeira!!

Mergulhar no Nilo está fora de cogitação. O Nilo não chega a ser um Tietê, mas o marrom da água não é nem um pouco convidativo. Tentei correr pela margem e pegar os garotos mais à frente mas não teve jeito: o território é deles, e eu sou só mais um gringo.

Os egípcios são fanáticos por futebol e costumam me dizer que torcem pelo Brasil. Principalmente em uma Copa como esta, da qual o Egito ficou de fora, todo mundo quer embarcar na festa brasileira. Eu deveria saber que em época de Copa do Mundo não é bom deixar estas coisas dando sopa por aí...

Paulo Cabral, terça-feira às 5h43

TRADUTTORE, TRADITORE

A entrevista coletiva dos simpáticos técnico de Angola, Luís Oliveira Gonçalves, e do capitão do time, Akwa, já estava no fim quando um repórter português perguntou: "Se tivesse um papel agora garantindo um empate para o jogo contra Portugal, vocês assinariam?" Akwa foi o primeiro a responder. "Temos um grande time, vamos atrás dos três pontos" etc e tal. Oliveira Gonçalves emendou em seguida: "Assino embaixo". Saiu na Reuters: Capitão e técnico de Angola discordam sobre empate. Akwa não assinaria o tal papel, mas Oliveira Gonçalves, sim. Ai ai ai...

Eric Camara


Eric Camara, de Colônia, domingo às 15h00

FUTEBOL E ARTE

Na época de Michelângelo, os mecenas eram comerciantes ricos ou a Igreja, que bancavam obras como a Capela Sistina no Vaticano. Aqui em Colônia, em época de Copa, transformaram o teto da estação central em obra de arte pop futebolística. O mecenas nesse caso é a Adidas, que retratou os seus patrocinados Zidane, Kaká, Beckham, Messi, Riquelme e outros como semideuses no teto do saguão de entrada.

Eric Camara


Eric Camara, de Colônia, domingo às 14h32

RONALDO, LULA, MENTIRAS E VIDEOTAPE

Depois de mostrar irritação com a pergunta que Lula fez a Parreira sobre seu peso, Ronaldo ressuscitou uma antiga polêmica.

Lembrou da reportagem do The New York Times sobre os supostos hábitos etílicos do presidente. Em entrevista a emissoras de televisão, o atacante disparou:

"Ele falou que eu estou gordo, todo mundo diz que ele bebe pra caramba. Tanto é mentira que eu estou gordo como deve ser mentira também que ele bebe pra caramba".

Ronaldo, que também cobrou respeito a sua trajetória na Seleção, mostrou que está com a língua afiada. À tarde, voltou a treinar normalmente, depois de ficar de molho na quinta-feira por causa de uma gripe. Se realmente estive em forma na Copa, Ronaldo tem tudo para deixar as mentiras para trás e ter o nome gravado pra sempre na história do futebol.

Diego Toledo


Diego Toledo, de Königstein, sexta às 17h39

O OUTRO LADO DA MOEDA

Enquanto o técnico Parreira começa enfrenta um batalhão de jornalistas e torcedores em qualquer momento na concentração da Seleção Brasileira, do campo português, a situação é outra.

Quatro anos depois de - ele próprio - estar no olho do furacão, Luiz Felipe Scolari agora pode se dar o luxo, como fez na quinta-feira, de acompanhar os jogadores Deco e Fernando Meira pelo meio dos repórteres que aguardavam os dois para uma coletiva sem ser soterrado por câmaras, microfones e blocos de anotação.

Com esta tranqüilidade para trabalhar, somada a um Cristiano Ronaldo com fome de bola, Deco em grande fase e Figo querendo marcar presença na sua última copa, dá até para levar fé na seleção do Felipão.

Eric Camara


Eric Camara, de Königstein, quarta às 19h10

 
 
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