Destroços do avião da EgyptAir e restos de um corpo são encontrados no Mediterrâneo; veja o que se sabe até agora

O avião desaparecido da Egyptair A320-232 registrado como SU-GCC, em uma foto de 2014 Direito de imagem AP
Image caption O avião desaparecido da Egyptair A320-232 registrado como SU-GCC, em uma foto de 2014

Autoridades egípcias disseram ter encontrado nesta sexta-feira destroços do avião da EgyptAir que desapareceu na madrugada de quinta-feira sobre o mar Mediterrâneo.

O voo MS804 estava na rota entre Paris e Cairo com 66 pessoas a bordo quando sumiu.

Um porta-voz das Forças Armadas do Egito disse que partes do avião e pertences de passageiros foram encontrados a 290 km de Alexandria. A EgyptAir também confirmou a informação.

O Ministro da Defesa da Grécia, Panos Kammenos, acrescentou que restos de um corpo, dois assentos e pelo menos uma mala foram achados na região.

Os itens foram encontrados ao sul da área onde o avião desapareceu dos radares na última quinta-feira.

O presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, manifestou "profunda tristeza" pelo acidente.

Unidades militares da Grécia, Egito, França e Reino Unido se concentram na procura pelas caixas-pretas do avião.

A Grécia diz que o radar mostra que o Airbus A320 fez duas curvas fechadas e teve um descenso de mais de 25 mil pés (7,62 km) antes de cair no mar.

O Egito afirma ser mais provável que o avião tenha sido derrubado por um ato terrorista do que por uma falha.

A maioria dos passageiros eram do Egito e da França.

Até a manhã desta sexta-feira, eis o que se sabe sobre o episódio:

Quando e onde o avião desapareceu?

O voo MS804 saiu do aeroporto Charles de Gaulle em Paris às 23h09 (horário local, 18h09 em Brasília) na quarta-feira, segundo a EgyptAir. Ele deveria pousar no Aeroporto Internacional do Cairo às 3h15 (horário do Cairo, 22h15 pelo horário de Brasília).

Às 2h24 (horário de Atenas, 20h24 em Brasília) o avião entrou no espaço aéreo da Grécia, segundo uma declaração divulgada pela Autoridade de Aviação Civil do país.

Controladores de voo gregos falaram com o piloto enquanto ele passava pela ilha de Kea. De acordo com a Autoridade de Aviação Civil grega, os controladores relataram que o piloto da EgyptAir estava bem.

Os controladores de voo tentaram entrar em contato com o avião antes de ele abandonar o espaço aéreo grego, mas "apesar de várias chamadas, a aeronave não respondeu". Os controladores então chamaram o piloto da EgyptAir pela frequência de emergência e novamente não houve resposta.

Por volta das 0h29 GMT (21h29 em Brasília) a aeronave deixou o espaço aéreo grego e segundos depois desapareceu dos radares gregos, segundo a Autoridade de Aviação Civil do país.

O avião perdeu contato com o radar egípcio às 0h30 GMT (21h30 em Brasília) quando estava apenas a 280 quilômetros da costa do Egito, segundo declaração da EgyptAir.

As operações de busca e resgate começaram às 0h45 GMT (21h45 horário de Brasília).

O presidente da França, François Hollande, informou em discurso transmitido pela televisão que o voo MS804 tinha "caído" e estava "perdido".

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Image caption Gráfico mostra os trajetos do avião da EgyptAir nas 24 horas anteriores ao acidente

O que aconteceu?

O ministro da Defesa da Grécia, Panos Kammenos, disse que, antes de desaparecer do radar, o avião fez duas manobras abruptas e, de repente, perdeu altitude.

"(O avião) virou 90 graus para a esquerda e então 360 graus para a direita, caindo de 38 mil pés (11,6 mil metros) para 15 mil pés (4,6 mil metros) e então perdeu-se por volta dos 10 mil pés (3 mil metros)", disse o ministro em entrevista coletiva.

Uma fonte do Ministério da Defesa grego disse à agência Reuters que as autoridades do país estão investigando o depoimento do capitão de um navio mercante, que afirmou ter visto "fogo nos céus" a cerca de 240 quilômetros da ilha grega de Cárpatos, perto de onde os primeiros destroços foram encontrados.

A EgyptAir informou que o avião enviou um sinal de emergência às 2h26 GMT (23h26 horário de Brasília), duas horas depois de ter desaparecido dos radares. Mas, depois, militares egípcios divulgaram declaração negando o recebimento de qualquer mensagem de emergência.

Por que há suspeitas de extremismo?

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Image caption Autoridades francesas estão em contato direto com autoridades gregas e egípcias

O ministro da Aviação Civil do Egito, Sherif Fathy, afirmou que a possibilidade de um ataque extremista é mais forte do que a de falha técnica na aeronave.

O que desperta suspeitas é o fato de a aeronave ter desaparecido sem que fosse registrado um pedido de socorro vindo da tripulação.

"Não vamos pular para o lado que está tentando identificar isto como uma falha técnica - pelo contrário.

Não quero especular e não quero elaborar hipóteses, mas se você analisar a situação de maneira apropriada, a possibilidade de haver um ataque terrorista é maior do que a possibilidade de um problema técnico", disse.

Outro fator a minimizar a possibilidade de acidente é que o tempo estava bom no local e no momento em que a aeronave desapareceu.

O presidente francês, François Hollande, afirmou que é preciso esperar mais informações.

"Vamos tirar conclusões quando tivermos a verdade sobre o que aconteceu. Se foi um acidente ou se foi - e isto é algo que está em nossas mentes - terrorismo", afirmou.

Mas as autoridades só vão descobrir se houve mesmo um ataque terrorista quando o avião for localizado e as gravações da cabine e os registros de dados, as caixas-pretas, recuperadas.

Na França, discute-se se houve uma possível falha de segurança no aeroporto internacional Charles de Gaulle.

A segurança já estava reforçada, e sob revisão, após os ataques de militantes jihadistas em novembro passado em Paris.

Analistas em segurança afirmam, contudo, que caso realmente uma bomba tenha sido colocada no avião, ela pode ter sido levada a bordo em diferentes lugares. Antes de chegar a Paris, de onde partiu para o Cairo, a aeronave esteve na Tunísia, na Eritreia e na própria capital egípcia.

Em outubro de 2015, um Airbus A321 operado pela companhia russa Metrojet foi derrubado por uma bomba na península do Sinai, no Egito, matando todas as 224 pessoas a bordo. Uma célula jihadista local ligada ao grupo autodenominado Estado Islâmico afirmou que tinha conseguido colocar um dispositivo explosivo a bordo do voo.

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Em março, um avião da EgyptAir também foi sequestrado e desviado para o Chipre. Um homem egípcio descrito pelas autoridades cipriotas como "psicologicamente instável" está preso.

Quem estava a bordo?

O avião levava 66 passageiros, além da tripulação, segundo o ministro da Aviação Civil do Egito.

De acordo com a Egypt Air, estavam no voo 30 egípcios, 15 franceses, dois iraquianos, um britânico, um kuaitiano, um saudita, um sudanês, um chadiano, um português, um belga, um argelino e um canadense. Três dos passageiros eram crianças.

O jornal estatal egípcio al-Ahram divulgou informações que identificaram o piloto como capitão Mohamed Shokeir.

Segundo a EgyptAir ele tinha 6.275 horas de experiência de voo, incluindo 2.101 horas no A320.

O que sabemos sobre o avião?

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Image caption Familiares dos passageiros do voo da EgyptAir foram ao aeroporto do Cairo buscar notícias

A Airbus afirmou que a aeronave envolvida no incidente, um A320-232, registrado como SU-GCC, foi entregue à EgyptAir em novembro de 2003.

A aeronave já tinha acumulado aproximadamente 48 mil horas de voo e tinha dois motores IAE.

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Este tipo de aeronave começou a operar em 1988. No final de abril de 2016, mais de 6,7 mil A320 estavam em operação no mundo todo, segundo a Airbus.

Até agora a frota toda acumulou quase 180 milhões de horas de voo em mais de 98 milhões de voos.