‘O inferno tomou conta de Nice’: o relato de testemunhas do ataque na França

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Image caption Incidente espalhou desespero e pânico nas ruas de Nice

Um ataque no meio das celebrações do Dia da Bastilha em Nice, no sul da França, chocou o mundo na noite desta quinta-feira e espalhou pânico pelas ruas da cidade.

Um caminhão invadiu a Promenaide des Anglais, uma das principais vias da cidade, que estava fechada para as comemorações de 14 de julho.

O veículo avançou sobre as pessoas e andou por cerca de dois quilômetros, atropelando quem estivesse pela frente.

Ainda não há confirmações sobre o número exato de mortos, mas segundo as informações mais recentes pelo menos 80 pessoas morreram e cerca de outras cem ficaram feridas.

Testemunhas relataram o desespero das pessoas correndo quando ouviram o barulho - uma troca de tiros entre policiais e o motorista do caminhão teria acontecido logo em seguida.

Confira alguns relatos:

'O inferno tomou conta de Nice', Roy Calley, repórter da BBC em Nice

"Eu estava na celebração do Dia da Bastilha. Havia uma queima de fogos, estava divertido, um clima de festa, as pessoas estavam curtindo.

Eu moro a uns 200 metros do Promenade, então estava virando para ir para casa e de repente ouvi aquele barulho.

Eu não sei como descrever, eu diria que foi algo como uma explosão ou uma batida, é difícil dizer o que era.

Depois disso, muita gente começou a gritar. O inferno que tomou conta de Nice.

Logo em seguida, eu ouvi o que eu achava que eram tiros, mas não posso confirmar com certeza.

Mas estava difícil para a polícia ter acesso ao local, porque a Promenade estava fechada para a celebração, então todo o trânsito estava no centro e estava difícil para chegar ali. A situação era horrível."

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Image caption Ataque teria deixado pelo menos 100 feridos

'A polícia nos mandou correr', Colin Srivastava - testemunha

"Nós estávamos sentados esperando na parte antiga da cidade e vimos as pessoas correndo em pânico.

Eu perguntei a algumas delas o que estava acontecendo, e uma respondeu: 'Vocês precisam ir, a polícia disse a nós para corrermos'.

Então nós começamos a correr e, quando cruzamos com a polícia, eles disseram: 'Corram agora!'. Nós não tínhamos ideia do que estava acontecendo."

'Um completo caos', Grace-Ann Morrow - testemunha

"Assim que a queima de fogos acabou, nós estávamos saindo de lá, minha família e eu, e, enquanto andávamos, cruzamos com muita gente chegando para celebrar o Dia da Bastilha.

Mas de repente todo mundo começou a correr para a direção oposta de onde estava acontecendo o festival.

Eu acabei me separando da minha família e nós não tínhamos ideia do que estava acontecendo. As pessoas estavam gritando, as crianças chorando, todo mundo correndo, era um completo caos.

Eu falo pouco francês, mas entendia as pessoas falando algo como 'suicídio'. Foi insano, porque eu e minha família estávamos exatamente no ponto onde tudo aconteceu cerca de 20 minutos antes do ataque."

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Image caption Há relatos de que a polícia teria trocado tiros com o motorista do caminhão

'Vi corpos voando como pinos de boliche', Damien Allemand, jornalista do "Nice Matin"

"Esse caminhão da morte passou a poucos metros de mim. Eu vi corpos voando como pinos de boliche por onde ele passava.

Ouvi gritos que jamais vou esquecer.

Fiquei paralisado, não conseguia me mexer. Em volta de mim, o pânico. Todos corriam, gritavam, choravam.

Quando retornei à Promenade (des Anglais), vi corpos e pessoas feridas nas calçadas. As primeiras ambulâncias estavam chegando.

Essa noite... essa noite foi o inferno."

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Image caption Marcas dos tiros disparados pelos policiais contra o caminhão depois que o veículo havia atropelado centenas de pessoas

'Corpos estão espalhados pelo chão', Kevin Harris, turista britânico que estava em um hotel próximo ao local do ataque

"Eu ouvi muitos gritos e berros. Vim para a varanda e podia ver na minha frente o que pareciam ser vários corpos espalhados pela rua bem do lado de fora de onde eu estou.

Os corpos ainda estão lá, cobertos com lençóis. Tudo ainda está lá, o cenário é o mesmo, e aquelas pessoas estão deitadas na rua, na nossa frente.

Há muitos policiais e ambulâncias, mas é um cenário absolutamente terrível."

'Dava para ver o medo no rosto das pessoas', Will Shore, ex-militar que correu para a região para ajudar as pessoas

"Ouvimos o barulho e, minutos depois, as pessoas começaram a correr. Minha reação inicial foi correr na direção deles para descobrir o que estava acontecendo.

E eu encontrei a polícia e as autoridades, que diziam a todos para saírem dali. Estava caótico, as pessoas gritando, fomos empurrados dali.

As pessoas estavam em pânico. Você podia ver o medo no rosto delas quando estavam correndo. Isso indicava que o que estava acontecendo era algo sério, todos estavam muito assustados."