Vítima de estupro coletivo na Índia é abusada novamente pelos 'mesmos agressores'

Protesto em 17 de julho
Image caption Membros da comunidade dalit protestaram contra estupro da estudante

O caso de uma estudante que diz ter sido estuprada pelos mesmos cinco homens que a atacaram há três anos vem gerando revolta na Índia.

A polícia ainda não fez prisões relacionadas à denúncia feita pela jovem de 21 anos, que foi abusada na semana passada na cidade de Rohtak, no norte do Estado do Haryana.

Ela já processava os cinco homens quando sofreu um novo ataque na última quarta-feira.

A jovem contou ter sido forçada a entrar em um carro, onde tentaram estrangulá-la. Ela ficou gravemente ferida e foi deixada em meio a arbustos - um transeunte a encontrou e a levou para o hospital.

'Com muito medo'

A vítima foi atacada pela primeira vez em 2013 na cidade de Bhiwani, que fica no mesmo Estado.

Sua família teria se mudado para Rohtak após ter sido ameaçada pelos acusados, que foram libertados após pagarem a fiança.

"Estava saindo da faculdade quando os vi. Eram os mesmos cinco homens. Fiquei com muito medo. Eles me forçaram a entrar em um carro e tentaram me estrangular. Disseram que matariam meu pai e meu irmão", disse à uma emissora de TV a jovem, que integra a casta dalit - seus membros são conhecidos também como "intocáveis" ou "oprimidos" e são, na prática, excluídos socialmente.

Direito de imagem Reuters
Image caption Protestos pedindo punição a estupradores têm aumentado na Índia

"Não tenho ideia aonde me levaram."

A família da jovem diz que era pressionada pelos acusados por um acordo na Justiça, e que eles queriam punir a vítima por processá-los.

Um policial local chamado Garima - ele se identificou apenas por seu primeiro nome - disse à repórteres que a denúncia havia sido registrada e que uma equipe havia sido enviada para Bhiwani para procurar pelos acusados.

Ao mesmo tempo, manifestantes realizaram um ato em Rohtak pedindo por sua prisão imediata.

Comoção

Estupros e crimes contra mulheres vêm chamando muita atenção na Índia em anos recentes.

Há quase quatro anos, o estupro coletivo e assassinato de uma estudante de Fisioterapia de 23 anos em um ônibus de Nova Déli gerou uma comoção global. Em resposta, leis mais duras contra abuso sexual foram criadas no país.

No entanto, ataques sexuais violentos contra mulheres e crianças continuaram a ser denunciados em todo o país desde então.

"Esse novo caso é um exemplo de como as autoridades indianas tratam as vítimas de estupro de forma insensível. Agora, questiona-se como cinco homens acusados de um crime tão sério estavam livres para perpetrarem outro ataque", diz a repórter Geeta Pandey, da BBC News em Nova Déli.

"Também se pergunta por que a vítima e sua família não receberam qualquer proteção após terem denunciado as ameaças que sofreram. Muitos especulam se esse ataque bárbaro fará o governo agir em um país que, segundo as estatísticas oficiais, um estupro é registrado a cada 15 minutos."

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