Estado Islâmico assume ataque que deixou ao menos 80 mortos no Afeganistão

Hazara protesters, Kabul, 23 July Direito de imagem AFP
Image caption O protesto Cabul tinha atraído milhares da comunidade de maioria xiita Hazara

O Estado Islâmico assumiu a autoria de um ataque em um protesto na capital afegã, Cabul, que matou ao menos 80 pessoas e feriu 230.

A agência de notícias Amaq, ligada ao EI, disse que dois combatentes "detonaram cintos explosivos".

O ataque na praça Deh Mazang teve como alvo milhares de pessoas da minoria xiita Hazara que reivindicavam mudanças na rota de um projeto de transmissão de energia entre o Turcomenistão e Cabul. Os manifestantes queriam que o projeto passasse por províncias habitadas por maioria Hazara.

O movimento islâmico de linha dura Talebã condenou o ataque. O porta-voz do movimento, Zabiullah Mujaheed, enviou um e-mail à imprensa dizendo que ele não estava por trás das explosões.

Uma fonte de inteligência afegã disse à BBC que um comandante do Estado Islâmico tinha enviado três jihadistas para realizar o ataque de Cabul.

O Ministério do Interior, por sua vez, informou que somente uma pessoa tinha detonado com sucesso um cinto de explosivos. O cinto do segundo teria falhado e o terceiro foi morto por forças de segurança.

"Morte à discriminação"

O presidente do Afeganistão Ashraf Ghani se dirigiu à nação pela televisão, declarando o domingo um dia de luto nacional.

"Eu prometo que vou fazer vingança contra os culpados", disse.

Ele já havia emitido um comunicado dizendo: "protesto pacífico é um direito de todos os cidadãos, mas os terroristas oportunistas se infiltraram nas multidões e realizaram o ataque."

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Image caption Os hazaras - a maioria muçulmanos xiitas - são o terceiro maior grupo no Afeganistão
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Image caption Havia uma grande presença policial para a marcha

Quem são os hazaras?

  • De descendências mongol e centro-asiática
  • Praticam principalmente o islamismo xiita
  • São considerados o terceiro maior grupo ético no Afeganistão
  • Estimativas sugerem que são de 15% a 20% da população do Afeganistão, que é de 30 milhões
  • Lendas dizem que eles são descendentes de Genghis Khan e seus soldados, que invadiram o Afeganistão no século 13