Suspeito de ataque em Berlim é morto por polícia na Itália; o que se sabe até agora

Anis Amri Direito de imagem AFP
Image caption Suspeito de ataque em Berlim, Anis Amri foi morto em Milão, confirmou polícia

O suspeito pelo ataque em Berlim foi morto pela polícia na Itália, confirmou nesta sexta-feira o ministro do Interior do país, Marco Minniti.

Anis Amri foi abordado durante uma patrulha de rotina na região de Sesto San Giovanni, em Milão, por volta das 3h locais (meia-noite do Brasil).

Ele "pegou uma arma imediatamente" e atirou, disse Minniti. O policial Cristian Movio ficou ferido no ombro e não corre risco de morte. Seu colega, Luca Scata, que está na polícia há nove meses, foi quem disparou contra Amri, matando-o.

Segundo as autoridades italianas, as digitais do homem morto correspondem às colhidas dentro do caminhão usado no ataque ao mercado de Natal em Berlim na segunda-feira.

A agência de notícias Ansa informou que Amri teria viajado até à França e, uma vez, pego para Turim e depois embarcado em outra composição para Milão.

Direito de imagem POLIZIA DI STATO
Image caption Policial italiano ficou ferido no ombro durante abordagem do suspeito

Desde o atentado, uma megaoperação policial estava em curso nos países europeus que fazem parte do chamado Espaço Schengen, zona de livre circulação que abrange grande parte da União Europeia, além de Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.

O atentado ocorreu na noite de segunda-feira e deixou 12 mortos e 49 feridos, 18 deles em estado grave.

Abaixo, algumas perguntas e respostas sobre o atentado:

1. Quem é o suspeito?

O suspeito do ataque em Berlim foi identificado como o tunisiano Anis Amri, de 24 anos ─ o visto de residência dele foi encontrado na cabine do caminhão.

Direito de imagem AP Photo/Daniele Bennati
Image caption Suspeito foi morto pela polícia após tiroteio na madrugada em Milão

Ele havia sido preso na Itália por vandalismo e roubo em 2011 e tinha um comportamento violento enquanto estava atrás das grades. Depois de solto, foi exigido que ele deixasse o país.

Fontes na Justiça alemã afirmaram que Amri, que teria entrado no país no ano passado, chegou a ser monitorado em Berlim entre março e setembro por suspeita de planejar um roubo para pagar por armas automáticas que usaria em um ataque. Mas o monitoramento teria sido suspenso por falta de provas.

A imprensa alemã informou que Amri solicitou asilo na Alemanha em abril deste ano e recebeu uma permissão de permanência temporária. O pedido acabou sendo rejeitado, mas não foi possível deportá-lo para a Tunísia, porque ele não tinha documentos de identificação válidos.

Amri também seria conhecido por usar seis nomes falsos e tentado se passar como egípcio ou libanês. De acordo com o jornal Süddeutsche Zeitung, o suspeito faria parte do círculo de um clérigo islâmico radical, Ahmad Abdelazziz A., conhecido como Abu Walaa, que foi preso em novembro.

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Câmera em painel de táxi flagra momento de ataque com caminhão em Berlim

Um alerta sobre Amri foi emitido na quarta-feira após seus documentos de imigração terem sido achados dentro da cabine do caminhão.

Seu irmão, Abdelkader Amri, que vive na Tunísia, afirmou à agência de notícias AFP não ter acreditado quando viu o rosto dele no noticiário. "Estou em choque e não posso acreditar que ele cometeu esse crime. Se ele for culpado, merece pagar por isso."

O pai de Amri e forças de segurança afirmaram a uma rádio da Tunísia que o suspeito deixou há sete anos o país, onde também havia sido condenado a cinco anos de prisão à revelia na Tunísia por suposto roubo agravado com violência.

Na terça-feira, a polícia soltou o único suspeito até então ─ que, segundo a imprensa local, seria um paquistanês de 23 anos identificado como Naved B.

Ele havia solicitado refúgio no país no ano passado. Segundo autoridades, não havia provas concretas contra ele.

2. O que aconteceu?

Por volta das 20h15 (horário local) de segunda-feira, um caminhão avançou contra o público em um dos mais movimentados mercados de Natal de Berlim, em Breitscheidplatz, perto do boulevard Kurfürstendamm, a principal rua comercial do centro da cidade.

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Image caption Pessoas deixaram flores no mercado de Natal em que 12 pessoas foram mortas pelo caminhão

O local fica ao lado da ruína da igreja Kaiser Wilhelm, que foi bombardeada durante a 2ª Guerra Mundial e preservada como um símbolo dos horrores do conflito.

O caminhão de 25 toneladas carregava vigas de aço e teria arrastado tudo o que cruzou pela frente por cerca de 50 a 80 metros.

3. Como o autor do atentado conseguiu tomar o controle do caminhão?

A polícia acredita que Amri sequestrou o caminhão na tarde de segunda-feira dentro de uma zona industrial no noroeste de Berlim.

O motorista do caminhão, identificado como o polonês Lukasz Urban, parou ali depois de uma entrega ter sido adiada.

Dados do GPS do veículo mostram pequenos movimentos, "como se alguém estivesse aprendendo a dirigi-lo", antes de deixar a área às 19h40 (hora local), em direção ao mercado de Natal.

O corpo de Urban foi encontrado no banco do carona com tiros e ferimentos a faca. Investigadores citados pela imprensa alemã dizem que o motorista lutou com o agressor pelo comando do volante.

Um deles afirmou ao tabloide Bild que a necropsia parece revelar que Urban sobreviveu às facadas, mas foi morto a tiros quando o caminhão parou. Nenhuma arma foi achada no local.

O procurador federal alemão Peter Frank disse que o foco da investigação agora é estabelecer se Amri tinha uma rede de apoio que o ajudou a executar seu plano e fugir.

Os investigadores também estão tentando verificar se a arma usada no confronto em Milão é a mesma empregada para matar o motorista polonês.

4. Alguém reivindicou a autoria do atentado?

Sim, o grupo extremista autodenominado Estado Islâmico (EI). Segundo a organização jihadista, um de seus "soldados" realizou o ataque "em resposta às convocações para atingir cidadãos dos países que fazem parte da coalizão" que combate o EI.

Direito de imagem MOHAMED MESSARA
Image caption Nour Al Houda segura foto de filho, Anis Amri, suspeito de dirigir caminhão que matou 12 pessoas em Berlim

O EI controla partes dos territórios da Síria e do Iraque. No entanto, o grupo não deu provas nem identificou o autor do atentado.

Mas o procurador Peter Frank afirmou a jornalistas que o estilo do ataque e a escolha do alvo sugerem relação com o extremismo islâmico.

5. Foi o primeiro ataque do tipo?

Esse é o quinto ataque na Alemanha neste ano ─ os quatro primeiros ocorreram ao longo de apenas uma semana em julho passado.

No dia 18 daquele mês, um adolescente afegão refugiado no país atacou um trem, deixando cinco feridos antes de ser morto. Quatro dias depois, um adolescente alemão descendente de iranianos matou nove pessoas a tiros em Munique antes de se suicidar.

No dia 24, um refugiado sírio de 21 anos matou uma mulher com uma machadinha e deixou cinco feridos antes de fugir e ser preso. Algumas horas depois, um sírio de 27 anos - que teve de pedido de asilo negado - explodiu a si mesmo do lado de um bar. Quinze pessoas se feriram.

Serviços de segurança afirmaram que os ataques não tinham ligação entre si e que não é possível dizer que o ataque do dia 22 daquele mês foi um ato terrorista, já que motivações políticas foram descartadas.

O incidente de segunda-feira em Berlim evocou lembranças do ataque com um caminhão no Dia da Bastilha em Nice, na França, em 14 de julho, quando 86 pessoas foram mortas. Na época, o grupo extremista autodenominado Estado Islâmico também reivindicou a autoria do atentado.

Tanto o EI quanto a Al-Qaeda tinham instruído seus seguidores publicamente a usarem caminhões em ataques contra multidões.

6. Como tem sido a política da Alemanha com os refugiados?

A tensão vem aumentando desde os ataques cometidos em julho. Existe a preocupação de que ao alto influxo de refugiados pode permitir a entrada de combatentes extremistas.

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Image caption Caminhão avançou sobre pessoas que estavam em um mercado de Natal no boulevard Kurfürstendamm, um dos mais movimentados de Berlim

A chanceler Angela Merkel disse estar "em choque e muito triste", mas acrescentou: "Não queremos viver com medo do mal, senão os inimigos da liberdade já terão vencido".

Autoridades disseram que o ataque a um mercado de Natal é "simbólico", mas afirmaram ser impossível transformar esses locais em "fortalezas" para protegê-los de novas ações do gênero.

O Ministério Público afirmou ainda não ser possível prevenir todo e qualquer tipo de ataque e que se deve esperar por ações semelhantes no futuro.

Merkel afirmou que seria "especialmente repugnante" se o autor do ataque fosse uma pessoa "que pediu proteção e refúgio à Alemanha" e prometeu aplicar "as penas mais duras permitidas pela lei" para punir os responsáveis.

A chanceler instituiu no país uma política de abertura para imigrantes. No ano passado, 890 mil refugiados em busca de asilo chegaram à Alemanha. Críticos à medida disseram que ela era um risco à segurança.

Marcus Pretzell, membro do partido populista de direita AfD, que defende políticas anti-imigração, culpou Merkel e sua política pelo ataque.

Por sua vez, Horst Seehofer, líder do CSU, partido-irmão da legenda de Merkel na Baviera, pediu que a chanceler "repense e mude sua política de imigração e segurança" após o ocorrido na segunda-feira.

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