Polícia confirma 5ª morte em ataque de Londres; veja o que se sabe até agora

Policial perto do Parlamento Direito de imagem JUSTIN TALLIS
Image caption Região no entorno do Parlamento continua parcialmente bloqueada pela polícia

O grupo extremista autodenominado Estado Islâmico disse que o autor do ataque de quarta-feira no Parlamento em Londres, que deixou cinco mortos e 40 feridos, era um de seus "soldados". A informação foi divulgada pela agência Amaq, ligada ao EI.

A Scotland Yard, polícia metropolitana de Londres, já havia divulgado antes que o autor do atentado, que atropelou várias pessoas na ponte de Westminster e tentou invadir o Parlamento armado de facas, teria sido motivado por "islamismo radical".

Nesta quinta-feira, as autoridades confirmaram a morte de um homem de 75 anos, que chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu. Ele é a quinta pessoa a morrer em decorrência do ataque.

A polícia identificou o homem responsável pelo ataque como sendo Khalid Masood, de 52 anos, cidadão britânico nascido em Kent e que ultimamente vivia em West Midlands, na região central da Inglaterra.

Masood não era alvo de investigações no momento nem havia informações dos serviços de inteligência que indicassem a possibilidade de um atentado, afirmou a polícia.

No entanto, ele era conhecido da polícia e tinha várias condenações por agressões graves, porte de armas e ofensa à ordem pública.

Sem nenhuma condenação por crimes relacionados a terrorismo, era considerado pelas autoridades uma "figura periférica".

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Vídeo mostra momentos de pânico durante ataque em Londres

Prisões

A polícia prendeu oito pessoas em batidas realizadas em Londres e Birmingham após o atentado.

O chefe de contraterrorismo da polícia londrina, Mark Rowley, informou que centenas de investigadores foram mobilizados para realizar buscas em seis endereços.

Três das prisões ocorreram em Birmingham, onde Masood teria alugado o carro usado no ataque. No entanto, a polícia se recusou a dizer se a ação está ligada ao ocorrido na quarta-feira por "motivos operacionais".

O ataque ocorreu na região da ponte de Westminster, onde um carro em alta velocidade subiu na calçada e atropelou várias pessoas antes de colidir contra a grade nas cercanias do Parlamento.

O homem, que a polícia diz ser Masood, saiu do veículo portando duas facas e tentou entrar correndo no prédio. Ele esfaqueou um policial que não estava armado e foi atingido por tiros disparados por outro policial.

"Ainda acreditamos, com base nas investigações, que o homem agiu sozinho, inspirado pelo terrorismo internacional. Não temos qualquer informação específica sobre novas ameaças ao público", disse Rowley.

Confira o que se sabe até agora sobre o ataque:

As vítimas

A polícia de Londres confirmou cinco mortes até agora - incluindo a do autor do ataque.

Entre as vítimas está o policial esfaqueado, Keith Palmer, de 48 anos, que, desarmado fazia a segurança do Parlamento. Ele chegou a receber primeiros socorros - um secretário de governo tentou ressuscitá-lo com respiração boca a boca e um médico que estava por perto aplicou técnicas de reanimação - mas acabou não resistindo e morrendo no local.

Ele trabalhava há 15 anos como policial, era casado e pai.

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Image caption Ataque aconteceu em um dos lugares mais movimentados de Londres, perto do Big Ben

"Ouvi os gritos e corri para ajudar. A polícia me deixou entrar, nós fizemos uma massagem cardíaca e passamos 52 minutos tentando reanimá-lo. Fizemos o que podíamos, depois tentamos ajudar os feridos ao redor", contou à BBC Jeeves Wijesuriya, o médico que ajudou nos primeiros socorros no local.

Por ora, sabe-se que a lista de mortos inclui Palmer, Khalid Masood, um homem de 75 anos ainda não identificado, que chegou a ser levado para o hospital, a professora de espanhol Aysha Frade, britânica de 43 anos, e o turista americano Kurt Cochran. Esses dois últimos foram atropelados.

A mulher de Cochran, Melissa, está hospitalizada e sofreu ferimentos graves. O irmão dela divulgou uma declaração dizendo que o casal estava na Europa para celebrar os 25 anos de casamento.

Dos 40 feridos, dentre os quais haviam pessoas de diferentes nacionalidades, como estudantes de uma universidade britânica e alunos de uma escola francesa, além de turistas sul-coreanos e romenos - ao todo, 29 foram levados ao hospital, e seis ainda estão em estado grave.

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Image caption Após ser atingido, Masood recebeu tratamento no local, mas não resistiu

Entre as pessoas feridas, estão três policiais atingidos pelo carro, quatro estudantes da Universidade Edge Hill, em Ormskirk, que faziam uma visita ao Parlamento britânico, um grupo de crianças francesas que estava na ponte de Westminster e uma mulher que acabou caindo no rio Tâmisa.

A autoria do ataque

Até o momento, as autoridades vinham falando em apenas um autor - identificado como Khalid Masood, mas nascido Adrian Elms, que foi morto pela polícia após esfaquear um agente.

Entretanto, para Frank Gardner, correspondente de segurança da BBC, "não existe essa coisa de um ataque realizado por um 'lobo solitário'. Pode ter sido perpetrado por só uma pessoa, mas ela estaria em contato com outras".

Nessa linha, a declaração do Estado Islâmico pode indicar que o autor do atentado estava em contato com o grupo.

Onde estava Theresa May

No momento do ataque, a premiê estava dentro do Parlamento.

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Image caption Área do Parlamento, em Londres, foi isolada

Ela deixou o prédio algumas horas depois e convocou uma reunião com o chamado "Cobra Committee", que reúne ministros e outros oficiais de serviços de emergência, além de agentes de inteligência e de segurança, para discutir possíveis ações após o ataque.

Em pronunciamento no fim do dia, a premiê afirmou que os detalhes do que classificou como "ataque terrorista doente e imoral" ainda estão surgindo.

Segundo ela, a classificação de ameaça de atentado no Reino Unido não será revisada - desde agosto de 2014, o risco é considerado "severo", o que indica que um ataque é altamente provável. É o segundo mais grave - acima, está apenas o risco "crítico", ou seja, iminente.

"O local desse ataque não foi escolhido por caso. Os terroristas escolheram atingir o coração da nossa capital, onde pessoas de todas as nacionalidades, religiões e culturas se encontram para celebrar os valores da liberdade, democracia e liberdade de expressão", afirmou May.

"(Mas) todas as tentativas de derrotar esses valores por meio da violência e do terror estão fadadas ao fracasso."

"Amanhã cedo, o Parlamento irá se reunir normalmente. Iremos nos reunir normalmente. E os londrinos - e outras pessoas de todo o mundo que vêm visitar esta grande cidade -, irão levantar e seguir com seus dias normalmente", acrescentou a primeira-ministra.

"E todos nós seguiremos adiante. Nunca sucumbindo diante do terror. E nunca permitindo que as vozes do ódio e do mal nos afastem."

A reação no Parlamento

Às 14h45 da tarde (11h45 em Brasília), quando ocorreu o ataque, o Parlamento britânico foi fechado e passou a ser evacuado aos poucos.

"Atualmente estou trancado em Westminster com metade da Câmara dos Lordes e vários deputados", relatou pelo Twitter um dos representantes que estava no prédio.

Por volta de 19h30, o Parlamento todo já havia sido evacuado - os parlamentares ficaram trancados por mais de quatro horas na Câmara dos Comuns.

A polícia também pediu à população que evitasse a região, uma das mais movimentadas e turísticas de Londres.

A repercussão no mundo

O Conselho de Segurança das Nações Unidas fez um minuto de silêncioapós o ataque - o Reino Unido ocupa a presidência rotativa do grupo.

A homenagem foi comandada pelo ministro do Exterior britânico Boris Johnson.

Líderes de outros países europeus manifestaram solidariedade às vítimas do atentado.

A chanceler alemã Angela Merkel disse ter ficado "profundamente chocada". "Meus pensamentos estão com os feridos, e envio toda a minha solidariedade ao Reino Unido", afirmou pelo Twitter.

"O terrorismo afeta a todos e a França sabe como os britânicos estão sofrendo hoje", disse o presidente francês, François Hollande.

Direito de imagem AP
Image caption Policiais mataram suspeito a tiros

O governo do Brasil divulgou nota manifestando "sua solidariedade e suas condolências aos familiares e amigos das vítimas" e afirmou que não há registro de brasileiros entre os atingidos pelo ataque.

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, elogiou a "rápida resposta" da polícia britânica.

"Nós obviamente condenamos o ataque ocorrido hoje em Westminster, que o Reino Unido está tratando como um ato de terrorismo", afirmou o representante do presidente Donald Trump.

"As vítimas estão em nossos pensamentos e orações. A cidade de Londres e o governo de Sua Majestade tem todo o apoio do governo dos Estados Unidos para responder ao ataque e levar à Justiça os responsáveis."