Cargueiro gigante sul-coreano 'afundou em alta velocidade', afirmam sobreviventes

Resgate de tripulantes do Stellar Daisy Direito de imagem Marinha do Uruguai
Image caption Operação de resgate de tripulantes de navio cargueiro de empresa sul-coreana; filipinos são até agora únicos sobreviventes de naufrágio

Dois filipinos que podem ser os únicos sobreviventes de um naufrágio de um navio cargueiro no Atlântico Sul disseram ter visto a embarcação afundar, em alta velocidade, diante do bote salva-vidas em que escaparam.

O gigantesco navio de carga Stellar Daisy, operado pela empresa Polaris Shipping (Coreia do Sul) e com bandeira das ilhas Marshall, transportava 260 mil toneladas de minério de ferro do Brasil para a China. Havia deixado o porto de Itaguaí, no Rio, na semana passada, com 16 tripulantes filipinos e oito sul-coreanos.

A última informação sobre o paradeiro do navio de 312 metros de comprimento era de sexta-feira (31), quando um tripulante enviou uma mensagem à empresa dona do cargueiro para informar sobre entrada de água na embarcação.

"Eles (sobreviventes) ouviram um forte ruído. Em seguida, a tripulação foi avisada que o navio estava se partindo e que deveriam abandoná-lo imediatamente", afirmou à BBC Brasil o capitão Gaston Jaunsolo, porta-voz da Marinha uruguaia.

Com a situação de emergência, os dois filipinos saltaram ao mar e conseguiram alcançar um dos botes lançados na água.

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Image caption O navio Stellar Daisy, em registro feito em 2014 durante uma operação perto da África do Sul

O Stellar Daisy desapareceu a 3,7 mil km de Montevidéu e a 2,5 mil km do Rio de Janeiro, segundo a Marinha brasileira.

Segundo o porta-voz da Marinha do Uruguai, as buscas para encontrar os demais 22 tripulantes "não teve avanços". Esperanças de encontrar novos sobreviventes se reduzem com o passar dos dias.

'Foi muito rápido'

As buscas vêm sendo coordenadas pela Marinha uruguaia, com apoio de Brasil e Argentina. Uma fragata brasileira deve chegar à região do acidente na quinta-feira, e um avião brasileiro sobrevoa a área à procura de sobreviventes.

"Não sabemos ainda qual é a causa (do acidente). Mas eles (sobreviventes) assistiram enquanto o navio afundou. Disseram que foi muito rápido. Não disseram se o navio de fato se rompeu", disse Jaunsolo.

Apesar de sua dimensão, o Stellar Daisy sumiu deixando até agora apenas alguns salva-vidas como rastro - os botes foram encontrados vazios por navios mercantes na região.

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Image caption Botes salva-vidas encontrados vazios reduzem as esperanças de localização de novos sobreviventes de naufrágio

Havia ainda, segundo Jaunsolo, um forte odor de combustível na área das buscas. O cheiro, disse o porta-voz, poderia indicar a ruptura de um tanque de combustível ou a inundação da sala de máquinas.

O testemunho dos dois filipinos será crucial para tentar desvendar o que aconteceu com o navio.

Sobreviventes embarcados

Apesar de a área do naufrágio ser de águas internacionais, o governo uruguaio tem responsabilidade de busca e salvamento na região.

Desde sexta-feira, navios mercantes que estavam nas imediações do acidente vêm conduzindo as buscas, após direcionamentos pela Marinha uruguaia.

Os filipinos sobreviventes estão a bordo de um desses navios - continuam, portanto, embarcados na área do acidente que testemunharam.

Segundo Jaunsolo, eles foram atendidos a bordo do navio e lá permaneceram por não demandarem maior atenção médica. "Eles não estavam em más condições de saúde e o atendimento a bordo foi o suficiente."

Os filipinos tiveram que esperar cerca de 24 horas nos salva-vidas até o resgate, no sábado.

O navio Elpida, que agora abriga os dois tripulantes como passageiros, estava a caminho de Cingapura, e retomará o percurso assim que as buscas forem encerradas. Levará ambos até o país, de onde deverão voltar para casa, nas Filipinas.

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