Macron e Le Pen: quem são os candidatos que disputarão o 2º turno na França

Emmanuel Macron e Marine Le Pen Direito de imagem Reuters
Image caption Candidatos divergem sobre permanência do país na União Europeia; pleito deve acontecer em 7 de maio

O centrista Emmanuel Macron e Marine Le Pen, da extrema-direita, vão disputar o segundo turno das eleições presidenciais da França.

Macron teve 23,86% dos votos válidos, enquanto Le Pen, 21,5%, informou o Ministério do Interior francês.

François Fillon, Jean-Luc Mélenchon e Benoît Hamon, outros nomes fortes na disputa, tiveram, respectivamente, 19,9%, 19,6% e 6,4%.

Neste domingo, milhões de franceses foram às urnas escolher quem governará o país pelos próximos cinco anos, em um pleito considerado crucial para o futuro da União Europeia (UE) e do mundo.

O índice de comparecimento foi de 78%. Diferentemente do Brasil, o voto na França não é obrigatório.

O segundo turno, que será realizado no próximo dia 7 de maio, permanece cercado de expectativa.

Isso porque o resultado pode levar ao enfraquecimento ou até mesmo ao fim da União Europeia e da zona do euro.

Macron defende a permanência da França no bloco. Já Le Pen apoia o chamado Frexit - a saída do país do mercado comum.

O tema teve destaque na campanha em meio à discussão sobre o Brexit, a saída do Reino Unido da UE. A crise migratória no continente também levanta debates sobre a proteção das fronteiras.

A França, juntamente com a Alemanha, é um dos países fundadores da UE e chamada de "locomotiva" da construção do bloco.

Segundo a imprensa francesa, o resultado do primeiro turno impôs uma derrota histórica à esquerda.

A última vez que a esquerda deixou de ter um candidato no segundo turno foi nas eleições presidenciais de 2002, disputadas por Jacques Chirac (conservador) e Jean-Marie Le Pen (extrema direita e pai da atual candidata Marine Le Pen).

"É uma derrota moral para a esquerda", afirmou Benoît Hamon, candidato derrotado do Partido Socialista (PS).

Conheça, abaixo, as propostas de Macron e Le Pen.

Pró-Europa

Emmanuel Macron

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Image caption Centrista, Macron defende maior integração da zona do euro

O centrista - do movimento En Marche! (Em Movimento!), criado por ele há um ano - é considerado pró-europeu.

O jovem ex-ministro da Economia do presidente François Hollande, de 39 anos, foi um dos primeiros candidatos (e um dos raros) a ter ido a Bruxelas, sede das instituições europeias.

Novato na política, Macron nunca havia se candidatado a um cargo público.

"Eu falo sobre a Europa e defendo o projeto europeu. Há alguns anos, dizer isso seria um clichê. Hoje, é quase uma provocação", afirmou Macron, que é favorável a uma maior integração da zona do euro, com orçamento comum e um ministro da Economia para o grupo. Ele ficaria sob o controle de um parlamento da zona do euro, que reuniria parlamentares do bloco.

O candidato diz querer modernizar a Europa e prevê uma harmonização social (salário mínimo, direitos trabalhistas, seguro-saúde) e fiscal para empresas, também defendida por alguns de seus concorrentes.

Os impostos de empresas e direitos dos trabalhadores variam bastante entre os países europeus, o que encoraja a transferência de companhias entre eles e provoca inúmeras críticas sobre os efeitos perversos da globalização.

O social-liberal faz questão de frisar que não é "nem de direita nem de esquerda", apesar de ter integrado o governo socialista de Hollande, e é o único candidato favorável ao tratado de livre comércio entre a UE e o Canadá (CETA), que ainda deve ser ratificado pelos 28 países-membros do bloco.

Suas principais propostas são:

  • Exigir 'ficha limpa' de candidatos e proibir que parlamentares contratem familiares
  • Suprimir 120 mil vagas de servidores
  • Restabelecer o serviço militar obrigatório
  • Reduzir a proporção dos gastos públicos em relação ao PIB, com corte de 60 bilhões de euros (R$ 202 bilhões) durante os cinco anos de mandato
  • Implementar um plano de investimento de 50 bilhões de euros (R$ 169 bilhões), incluindo incentivos à formação profissional e à transição energética
  • Aumentar as pensões mínimas de aposentadoria em 100 euros (R$ 350,00) por mês.
  • Criar 15 mil vagas de prisão e contratar 10 mil policiais civis e militares
  • Criar mecanismo de controle de investimentos estrangeiros em setores industriais estratégicos
  • Lutar contra a otimização fiscal de grandes grupos de internet

Anti-Europa

Marine Le Pen

No extremo oposto, está Le Pen, da extrema direita. Ela julga a Europa responsável por todos os problemas da economia francesa, sobretudo o desemprego, que está na faixa dos 10%, e promete o Frexit e a volta do franco francês. Pesquisas indicam, no entanto, que 72% dos franceses são contra a saída da zona do euro.

A candidata disputa sua segunda eleição presidencial e atrai boa parte do eleitorado operário. Ela declarou que "a Europa vai morrer" caso seja eleita.

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Image caption De extrema direita, Le Pen defende o 'Frexit'

"A União Europeia vai morrer, porque os povos não querem mais", diz ela, que cita com frequência o Brexit.

Le Pen afirma que se vencer as eleições iniciará negociações para que a França volte a ter soberania orçamentária, territorial, legislativa e monetária. Ela também prevê a saída da França da zona Schengen, de livre circulação de pessoas.

Representantes de instituições europeias, que teriam preferência por Macron, veem com grande apreensão a eventual vitória da candidata da Frente Nacional. "Se Le Pen vencer, usarei roupa de luto", disse o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Le Pen propõe um plebiscito sobre a saída da França da UE e da zona do euro e promete deixar a Presidência se os franceses votarem a favor da permanência no bloco.

Suas principais propostas são:

* Suprimir o 'direito de solo' para aquisição da nacionalidade francesa. Diferentemente do 'direito de sangue', o direito de solo é o princípio pelo qual uma nacionalidade pode ser reconhecida a um indivíduo de acordo com seu lugar de nascimento

* Retirar a nacionalidade francesa de pessoas com dupla nacionalidade investigadas por ligações com o islamismo radical

* Proibir o uso de símbolos religiosos em todos os espaços públicos e incluir o veto na legislação trabalhista

* Reimplantar a idade mínima para aposentadoria para 60 anos em vez dos 62 atuais

* Inscrever na Constituição a "prioridade nacional", com criação de impostos sobre novas contratações de trabalhadores estrangeiros

* Reduzir drasticamente a imigração legal de cerca de 200 mil pessoas por ano, atualmente, para apenas 10 mil

* Retirar a nacionalidade francesa de pessoas com dupla nacionalidade investigadas por ligações com o islamismo radical

* Reduzir o número de parlamentares, atualmente de 577 deputados e 348 senadores, para 300 e 200, respectivamente

* Criar uma taxa adicional de 3% sobre importações de países que praticam concorrência desleal, o chamado "protecionismo inteligente"

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