Ataque no Reino Unido: o que se sabe até agora

Velas e flores Direito de imagem Getty Images
Image caption Homenagens às vítimas do atentado em Manchester

Vinte e duas pessoas foram mortas e 64 feridas depois que o homem-bomba Salman Abedi, de 22 anos, detonou um dispositivo caseiro ao final do show da cantora americana Ariana Grande em um ginásio em Manchester, no norte da Inglaterra, na última segunda-feira.

Isto é o que sabemos até agora:

O que aconteceu?

A polícia diz que um homem-bomba detonou um artefato caseiro na entrada do ginásio quando a multidão deixava o show de Ariana Grande na segunda-feira à noite.

Entre as 22 vítimas da explosão está uma menina de 8 anos.

Outras 64 pessoas, entre elas 12 com até 16 anos de idade, ficaram feridas e foram levadas para hospitais locais.

O autor do ataque morreu no local.

Image caption Local da explosão na Arena de Manchester

Testemunhas relataram que o barulho da explosão foi seguido de um clarão de fogo. Em seguida, viram porcas e parafusos espalhados pelo chão entre os corpos, e notaram o cheiro dos explosivos.

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Imagens mostram momento da explosão em show de Ariana Grande em Manchester

Os serviços de emergência receberam mais de 240 chamadas; 60 ambulâncias e 400 policiais se deslocaram para o evento.

Depois do ataque, centenas de pessoas em Manchester iniciaram uma rede oferecendo ajuda às vítimas e suas famílias.

Quem realizou o ataque?

Image caption Salman Abedi foi identificado pela polícia como autor do ataque

A polícia identificou o autor do ataque como Salman Abedi, de 22 anos.

Abedi nasceu em Manchester, na véspera de Ano-Novo em 1994. Ele teria pelo menos três irmãos: um irmão mais velho, nascido em Londres, um mais novo e uma irmã, nascidos em Manchester.

A família, de origem líbia, morou em vários endereços em Manchester, incluindo a residência em Elsmore Road vasculhado pela polícia na terça-feira.

Abedi frequentou a Academia Burnage para Garotos em Manchester entre 2009 e 2011, antes de ir para a Manchester College até 2013 e para a Universidade Salford em 2014. A Universidade de Salford informou que Abedi estudava na instituição, mas não deu mais detalhes.

A BBC apurou que conhecidos de Abedi chegaram a denunciá-lo para uma linha telefônica antiterrorismo criada pelo governo. Segundo eles, Abedi havia dito que "apoiava o terrorismo" e que "tudo bem ser um homem-bomba".

A ministra do Interior, Amber Rudd, diz que Abedi era conhecido "até certo ponto" pelos serviços de segurança, e acreditava-se que ele havia retornado recentemente da Líbia.

O grupo autodenominado Estado Islâmico reivindicou a autoria do atentado, mas isso não foi confirmado por autoridades.

Image caption Mapa da Arena de Manchester

A investigação

Sete pessoas foram detidas pela polícia em conexão com o ataque no Reino Unido e duas na Líbia.

Um dos presos no Reino Unido confirmado como o irmão de Abedi, Ismail, de 23 anos, preso na manhã de terça-feira. Outras seis pessoas foram presas nesta quarta-feira.

Ainda na noite de terça-feira, o irmão mais novo do responsável pelo ataque, Hashem Abedi, de 20 anos, e o pai dele, Ramadan, foram detidos em Trípoli, na Líbia. Inicialmente, acreditava-se que eles haviam sido detidos por forças de segurança, mas agora acredita-se que eles estejam sob o poder de milícias.

A BBC apurou que Salman Abedi teria atuado como "mula" no atentado, usando um dispositivo construído por outra pessoa.

O chefe de polícia de Manchester Ian Hopkins confirmou que as autoridades estão investigando uma rede de colaboradores.

Na terça-feira à noite, a primeira-ministra Theresa May acrescentou que "há uma possibilidade que não se pode ignorar" de que haja um "grupo mais amplo de indivíduos relacionados ao ataque", e informou que o nível de risco de terrorismo internacional do Reino Unido foi elevado para "crítico".

Direito de imagem New York Times
Image caption Autoridades estão "frustradas" com vazamento de imagens que mostrariam restos da bomba para o jornal New York Times

A polícia, no entanto, não comentou se realmente teria encontrado uma fábrica de bombas caseiras usadas para criar o explosivo detonado na segunda-feira.

O jornal americano New York Times obteve fotos que diz terem sido feitas pelas autoridades britânicas no local do ataque, e mostram os restos de uma mochila, roscas e parafusos, e um dispositivo identificado como "possível detonador".

Segundo o jornal, as imagens sugerem "uma carga poderosa e de alta velocidade, e uma bomba cujos estilhaços foram cuidadosamente empacotados".

O suposto detonador estaria conectado a uma placa de circuito.

No entanto, segundo o especialista de Assuntos Internos da BBC, Daniel Sandford, as autoridades britânicas estão "frustradas" com o vazamento de informações para o New York Times.

"Eles dizem que o vazamento prejudica a relação com parceiros importantes, a investigação e a confiança das vítimas, das testemunhas e de suas famílias", afirmou o repórter.

Vítimas identificadas

Vítimas vêm sendo identificadas pouco a pouco. A primeira a ser conhecida foi a estudante universitária Georgina Callander, de 18 anos.

Depois, foram identificados Saffie Rose Roussos, de 8 anos, John Atkinson, de 28 anos, Olivia Campbell, de 15 anos, Kelly Brewster, de 32 anos, Martyn Hett, de 29 anos, e o casal polonês Angelika e Marcin Klis, que fora ao local do atentado para buscar as filhas.

Direito de imagem Arquivo pessoal
Image caption Vítimas de ataque em Manchester: Saffie Roussos (no alto à esq.) e Georgina Callender (no alto à dir., em foto com a cantora Ariana Grande), Olivia Campbell (abaixo à esq.) e John Atkinson

Uma policial de Cheshire também está entre as pessoas que foram mortas. Acredita-se que seu marido esteja em estado grave, e seus dois filhos foram feridos.

A Polícia da Grande Manchester diz que já sabe a identidade de todas as vítimas, mas ainda não pode nomeá-las formalmente.

Os feridos estão sendo tratados em oito hospitais de Manchester. Segundo a primeira-ministra Theresa May, muitos correm risco de vida.

Milhares de pessoas fizeram uma vigília em uma praça no centro de Manchester, na noite de terça-feira.

Ações após o ataque

A região nos arredores do local do atentado e da estação de metrô próxima foi interditada, uma vez que investigadores continuam trabalhando no local. O serviço de transporte não opera nas imediações e pode permanecer assim pelos próximos dias.

Como resultado da decisão de aumentar o nível de alerta de terrorismo para "crítico" - a última vez em que isso ocorreu foi em 2007 -, as Forças Armadas ocuparão "lugares-chave" do país, segundo Theresa May, inclusive em Londres.

Militares também poderão ser deslocados para shows e eventos esportivos.

A Scotland Yard, a polícia metropolitana de Londres, disse que enviará um contingente adicional de oficiais no sábado para a final da Copa da Inglaterra - a FA Cup - no estádio de Wembley e para a final do campeonato inglês de rúgbi no estádio de Twinckenham.

A polícia da Escócia também afirmou que está revisando a segurança de todos os "eventos significativos" que ocorrerão nos próximos 14 dias e aumentou o número de agentes armados fazendo patrulhas.

O Ministério da Defesa cancelou a cerimônia da troca da guarda no palácio de Buckingham desta quarta-feira para realocar os policiais que fariam a segurança no palácio.

O palácio de Westminster, onde funcionam as Casas do Parlamento, também está fechado para membros do público e todos os eventos foram cancelados.