Gilbert Baker: o criador da bandeira do arco-íris, símbolo do movimento LGBT, homenageado pelo Google

Gilbert Baker e a bandeira que criou Direito de imagem Getty Images
Image caption Baker, que morreu em 31 de março deste ano, completaria 66 anos hoje.

Os 66 anos de nascimento do artista americano Gilbert Baker, criador de um dos principais símbolos da comunidade LGBT - a bandeira arco-íris -, estão sendo lembrados com uma ilustração animada, ou doodle, na página inicial do Google no Brasil e nos Estados Unidos.

Ativista de direitos dos homossexuais, Baker sofria de hipertensão e morreu dormindo, em casa, em Nova York, no último dia 31 de março.

Em nota, o Google explicou a homenagem: "Hoje celebramos o orgulho, a criatividade e o impacto duradouro de Gilbert Baker para o fortalecimento e a união das pessoas em todo o mundo".

A irmã do artista, Ardonna Cook, disse que a bandeira arco-íris é "um legado que deve nos guiar para o respeito e a celebração da diversidade".

Símbolo

Mas qual é a história por trás desta criação, que se tornou um símbolo da comunidade LGBT?

Baker criou o lábaro, originalmente com oito cores, em 1978.

Em 25 de junho daquele ano, Dia da Liberdade Gay nos EUA, as primeiras versões da bandeira foram vistas nas ruas.

A bandeira original tinha as seguintes cores, cada uma representando um aspecto diferente da humanidade:

Rosa - sexualidade

Vermelho - vida

Laranja - cura

Amarelo - luz do sol

Verde - natureza

Turquesa - mágica/arte

Anil - harmonia/serenidade

Violeta - espírito humano

Na época, 30 voluntários ajudaram Baker a pintar a mão as duas primeiras bandeiras arco-íris.

Tempos depois, a bandeira foi reduzida a seis cores, sem o rosa e o anil. O azul também acabaria por substituir o turquesa.

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Image caption As primeiras versões da bandeira tinham oito cores. Mais tarde, o arco-íris de Baker passou a ter seis cores.

O vexilólogo (especialista em bandeiras) Graham Bartram, do Flag Institute, em Londres, lembra que "era muito difícil e caro obter tecidos de cor rosa e, como as bandeiras eram costuradas, em vez de impressas, a cor foi descartada".

'Marco do design'

Falando sobre sua criação, Baker disse que queria transmitir a ideia de diversidade e inclusão, usando "algo da natureza para representar que nossa sexualidade é um direito humano".

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Em 2015, o Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMa, adquiriu a bandeira para a sua coleção e a definiu como um "poderoso marco histórico do design".

"Decidi que tínhamos de ter uma bandeira, uma bandeira que nos encaixasse em um símbolo, o de que somos pessoas, uma tribo", disse Baker ao museu.

Baker nasceu em 2 de junho de 1951 em Chanute, no estado americano do Kansas. A avó tinha uma pequena loja de roupas, que o fascinava. Seu pai era juiz e sua mãe, professora.

De 1970 a 1972, serviu nas Forças Armadas americanas. Quando deixou o Exército, Baker aprendeu sozinho a costurar e criou cartazes para marchas de protesto anti-guerra e a favor dos direitos LGBT.

Embora tenha criado a bandeira arco-íris em 1978, recusou-se a registrá-la como sua marca.

Em 1994, produziu a maior bandeira do mundo em comemoração ao 25º aniversário da Rebelião de Stonewall - como ficaram conhecidas as manifestações da comunidade LGBT contra a invasão da polícia de Nova York ao bar Stonewall Inn, em Manhattan.

Aqueles protestos anteciparam o movimento moderno de libertação gay e a luta dos direitos LGBT nos Estados Unidos.

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Image caption Baker criou a maior bandeira do mundo em 1994 para marcar os 25 anos da chamada Rebelião de Stonewall.