Polícia identifica autores: o que se sabe sobre o ataque em Londres

Multidão Direito de imagem Jack Taylor
Image caption Multidão se reúne em vigília em homenagem às vítimas do ataque

A polícia de Londres divulgou o nome dos três autores do atentado do último sábado na região de London Bridge, em Londres, que deixou sete mortos e 48 feridos.

Eles estavam em uma van que atropelou várias pessoas em uma ponte sobre o Tâmisa e depois saíram do veículo esfaqueando vítimas que estavam no entorno de um conhecido mercado gastronômico, até serem mortos a tiros pela polícia.

Na manhã desta terça-feira, a polícia confirmou o nome do terceiro envolvido no atentado: Youssef Zaghba, um marroquino-italiano.

Além dele, também foram divulgados, na segunda-feira, os nomes de Khuram Shazad Butt, cidadão britânico nascido no Paquistão, de 27 anos, e de Rachid Redouane, de 30 anos, que dizia ser marroquino-líbio.

De acordo com os policiais, Khuram Shazad seria conhecido da polícia e do serviço de inteligência britânico MI5. Já Rachid Redouane não constava nos dados policiais e de inteligência.

Enquanto isso, as forças de segurança investigam as conexões desses suspeitos e se receberam ajuda de outras pessoas ou grupos no planejamento e execução do atentado.

Image caption Da esquerda, Khuram Butt, Rachid Redouane e Youssef Zaghba

A polícia fez um apelo por informações a respeito desses homens, especialmente sobre locais que eles possam ter frequentado e seus movimentos nos dias e horas que antecederam o ataque.

As forças policiais detiveram 12 pessoas - sete mulheres e cinco homens - e fizeram buscas em seis imóveis como parte da investigação do atentado terrorista. Todos foram liberados na noite de segunda-feira.

Esse é o terceiro ataque no país em apenas três meses - em 22 de março, cinco pessoas morreram no entorno do Parlamento, quatro delas atropeladas na ponte de Westminster e a outra, esfaqueada; e no dia 22 de maio, um homem-bomba matou 22 pessoas e deixou 59 feridas na saída de um show da cantora pop americana Ariana Grande, em um ginásio em Manchester.

Confira abaixo mais detalhes sobre o que se sabe do ataque de sábado em Londres:

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Image caption Policiais estão fazendo operações pela cidade

1. Como e onde foi o ataque?

O ataque ocorreu por volta das 22h10 (18h10 em Brasília) na região de London Bridge, no centro de Londres, e nos arredores do Borough Market, um mercado de alimentos cercado de bares e restaurantes.

A região estava movimentada, já que é primavera em Londres.

Segundo testemunhas, uma van branca atravessando a ponte de London Bridge a cerca de 80 km/h subiu nas calçadas em zigue-zague e atropelou vários pedestres. Quando a van parou, três homens saíram do veículo e começaram a esfaquear pessoas nos bares ao redor do Borough Market, a poucos metros da ponte.

Um homem que presenciou os ataques disse à BBC que os criminosos "saíram esfaqueando todo mundo" em bares e nas ruas. Segundo ele, os homens gritavam "Isso é para Alá".

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Image caption Meninas muçulmanas participam de vigília em homenagem às vítimas

2. Como foi a reação da polícia?

A polícia chegou ao local do incidente rapidamente; apenas oito minutos após a primeira ligação acionando os serviços de emergência, os três homens tinham sido mortos a tiros.

Um dos policiais envolvidos na ação foi gravemente ferido.

Segundo o comissário-assistente de Operações Especiais da polícia metropolitana de Londres, Mark Rowley, oito policiais dispararam cerca de 50 balas contra os criminosos. Na ação, um civil também foi baleado, mas não corre risco de morte e seu estado de saúde é estável.

Segundo a polícia, há 500 investigações sobre terrorismo sendo realizadas atualmente no Reino Unido, envolvendo 3 mil suspeitos.

Destes, um número pequeno de casos são tratados com alta prioridade porque envolvem planejamento de ataques e o restante seria focado em atividades relacionadas com apoio ativo e facilitação de atos terroristas.

3. Quem eram as vítimas?

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Image caption Pessoas correm pelas ruas no centro de Londres após atropelamento na London Bridge

A primeira vítima identificada foi a canadense Chrissy Archibald, de 30 anos. Uma segunda vítima seria James McMullan, de 32 anos; sua irmã, Melissa McMullan, foi informada pela polícia de que o cartão de crédito do irmão fora encontrado no seu corpo.

O serviço de ambulância informou que 48 pacientes foram levados para cinco hospitais; 36 ainda estão internados e 18 estão em estado crítico.

Quatro policiais foram feridos - dois deles estão em estado grave.

4. Quem são os responsáveis?

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Image caption A foto mostra um homem com o que parece ser um colete de explosivos

Todos os nomes do envolvidos foram revelados. Um deles é Khuram Shazad Butt, cidadão britânico nascido no Paquistão, de 27 anos.

Butt aparece no documentário The Jihadis Next Door (Os Jihadistas na Casa ao Lado, em tradução livre) exibido ano passado da rede de TV britânica Channel 4, sobre pessoas que pregavam visões extremistas de fundamentalismo islâmico na Grã-Bretanha - e as ligações de algumas destas com o grupo Estado Islâmico (EI).

Butt é casado e tem dois filhos. Ele é visto no documentário discutindo com policiais na rua, depois de exibir uma bandeira do EI num parque de Londres.

Dois vizinhos chegaram a levantar suspeitas sobre Butt, e a polícia confirmou ele foi investigado em 2015 - mas disse também que os serviços de inteligência não encontraram sinais que indicariam o planejamento de um possível ataque.

A polícia deu poucos detalhes sobre o segundo homem identificado: Rachid Redouane, de 30 anos. Sabe-se que ele trabalhava como chef de cozinha e que dizia ser marroquino-líbio. O homem se casou com uma mulher em Dublin 2012 e vivia na região de Rathmines, na capital irlandesa.

Já o terceiro envolvido é Youssef Zaghba, de 22 anos, um marroquino-italiano. Uma fonte na polícia italiana confirmou à BBC que Zaghba, que vivia no leste de Londres, estava numa lista de observação em vários países, incluindo o Reino Unido.

Em março de 2016, no aeroporto de Bologna, policiais italianos encontraram material relacionado ao Estado Islâmico no celular de Zaghba, que foi impedido de continuar sua viagem a Istambul.

Ainda de acordo com a polícia, a investigação inicial indica que a van utilizada no ataque foi alugada por um dos criminosos dias antes do atentado.

A chefe da Scotland Yard, como é conhecida a Polícia Metropolitana de Londres, Cressida Dick, disse à BBC que a investigação avança rapidamente, e a prioridade é estabelecer se há outros envolvidos na organização do atentado.

O grupo extremista Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade pelo ataque.

5. Como reagiu o governo britânico?

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Image caption Premiê Theresa May: 'A hora de dizer: agora basta', em discurso após o atentado terrorista

Após o ataque, a premiê Theresa May participou de várias reuniões do comitê interdepartamental de emergência, o Cobra (sigla inglesa para Cabinet Office Briefing Rooms, em uma referência aos locais de reunião do comitê, ao lado da residência oficial do primeiro-ministro, em Downing Street), e disse que o país precisa de ações mais robustas contra o terrorismo.

Para ela, os ataques recentes não estão conectados, mas mostrariam uma nova "tendência", na qual "terrorismo gera terrorismo", em que ações extremistas, em vez de cuidadosamente planejadas, mesmo que por chamados "lobos solitários", agora estariam sendo "copiadas umas das outras e muitas vezes usando as mais toscas formas de ataque".

Apesar do atentado de sábado à noite, Theresa May confirmou a realização das eleições gerais, previstas para esta quarta-feira.

O alerta de terrorismo foi mantido no nível "grave" - ele chegou a ser elevado para "crítico", o que significa que a expectativa é de um novo ataque a qualquer momento, após o atentado de Manchester, mas acabou reduzido dias depois.

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