O que se sabe sobre os autores do atentado em Londres

Khuram Butt e Rachid Redouane Direito de imagem Met Police
Image caption Khuram Butt (à esq.) já era conhecido das agências de segurança; Rachid Redouane não

A polícia britânica divulgou nesta segunda-feira a identidade de dois dos autores dos ataques ocorridos no sábado em Londres.

Segundo a Scotland Yard, um deles é o paquistanês Khuram Butt, 27, que morava no leste londrino e já era conhecido dos serviços de inteligência, ainda que não houvesse indicativos de que ele planejasse atos de extremismo.

O segundo é Rachid Redouane, 30, que a polícia diz ser de origem marroquina e líbia. Ele trabalhava como chef e também usava o nome de Rachid Ekhdar. Não era conhecido pela polícia.

Butt e Redouane, com a ajuda de um terceiro homem (cuja identidade ainda é desconhecida do público), foram mortos a tiros por policiais após matar sete pessoas e ferir outras 48 em um ataque com uma van na ponte de Londres e, em seguida, armados de facas nos arredores do Borough Market.

O serviço de saúde britânico informou que 36 vítimas continuam hospitalizadas, sendo 18 delas em estado crítico.

De acordo com o comandante-assistente de polícia Mark Rowley, "as investigações estão em curso para confirmar a identidade" do terceiro agressor.

Rowley explicou que Butt era observado pelas agências de segurança, "mas não havia nenhuma inteligência que sugerisse que esse ataque (de sábado) estivesse sendo planejado. Estamos trabalhando para entender mais sobre eles, suas conexões e se eles foram auxiliados por mais alguém".

Denúncias

Butt havia aparecido em um documentário da emissora Channel 4 no ano passado, que abordava o extremismo islâmico e elos com o clérigo radical Anjem Choudary, atualmente preso.

No documentário, Butt - que é casado e pai de dois filhos - aparece em um grupo discutindo com policiais na rua, depois de o grupo ter erguido em um parque londrino a bandeira usada pelo Estado Islâmico.

Não se sabe quando ele começou a se envolver com radicais, mas acredita-se que ele fosse um seguidor do grupo al-Muhajiroun, liderado por Choudary.

Um currículo postado online e obtido pela BBC diz que ele é especializado em administração de empresas e tinha um emprego administrativo no leste de Londres. Também trabalhou por seis meses como trainee do serviço de transporte londrino.

A BBC também apurou que ao menos duas pessoas na região haviam levantado suspeitas contra Butt em 2015: uma mulher denunciou-o na delegacia com medo de Butt estar tentando radicalizar os filhos dela, e um homem com quem Butt trabalhou ligou para o telefone de denúncias de terrorismo mencionando as visões extremistas do paquistanês.

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Image caption A polícia investiga se os agressores atuaram sozinhos ou receberam ajuda

Ele, no entanto, ainda era considerado de baixa prioridade em relação a outros alvos das agências de segurança britânica, por faltarem informações que indicassem que ele planejava um ataque.

A Scotland Yard confirmou ter tomado conhecimento de Butt em 2015 e aberto uma investigação sobre seu comportamento, mas não encontrou evidências que permitissem levar a investigação adiante. Com isso, ele deixou de ser considerado uma prioridade pelos serviços de inteligência.

No caso de Redouane, há relatos de que ele levasse consigo no momento do ataque um documento de indentificação emitido pela Irlanda, segundo a Associated Press.

O premiê irlandês Enda Kenny afirmou que ele não pertencia ao "pequeno grupo" de radicais que a Irlanda monitora.

Buscas

Nesta segunda-feira, a polícia realizou buscas em dois endereços nos bairros de Newham e Barking, no leste de Londres, e disse ter detido "um número de pessoas".

No domingo, foram presas 12 pessoas após buscas em um apartamento em Barking - que, acredita-se, seria a casa de um dos autores do ataque. Desde então, um homem de 55 anos foi liberado.

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Image caption Segundo a polícia, pelo menos um dos suspeitos tinha um colete com explosivos falsos

Segundo os vizinhos do apartamento revistado pela polícia no domingo, o homem que morava ali era casado e tinha dois filhos.

Outro vizinho, que não quis se identificar, disse à BBC que o homem tinha se "radicalizado" nos últimos dois anos e que chegou a alertar as autoridades sobre ele, mas que nenhuma ação foi tomada.

"Eu fiz minha parte, mas as autoridades, não", afirmou.

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Image caption A polícia fez buscas por evidências no domingo no local atentado

O grupo extremista Estado Islâmico reivindicou o ataque de Londres através do aplicativo Telegram.

"Uma unidade de segurança dos combatentes do Estado Islâmico realizou os ataques de Londres", disse a agência de notícias Amaq, ligada ao grupo.

Falsos explosivos

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Image caption Pessoas correm do lugar do atentado

Os três autores do atentado de sábado, na região de London Bridge, uma das principais pontes sobre o Tâmisa no centro da capital britânica, atacaram pessoas em bares e restaurantes armados de facas.

Eles vestiam coletes com explosivos falsos, para, segundo a polícia, tentar gerar ainda mais pânico e medo.

Algumas pessoas responderam à ação lançando objetos como cadeiras e copos contra os agressores.

"Eles corriam e gritavam: 'Isto é por Alá'. Apunhalaram uma jovem umas dez ou 15 vezes", descreveu a testemunha Gerard Vowls à BBC.

O Serviço de Ambulâncias de Londres recebeu mais de 100 chamadas de emergência ligadas ao ataque na noite de sábado.