'Meus pais foram executados por espionagem quando eu tinha 6 anos'
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'Meus pais foram executados por espionagem quando eu tinha 6 anos'

A última vez que Robert Meeropol viu seus pais foi na prisão nova-iorquina de Sing Sing, em junho de 1953.

“Meu pai brincou com meu irmão. E eu me sentei no colo da minha mãe. Eles fingiam que não havia nada de errado e que nós os veríamos de novo em poucas semanas”, conta Robert à BBC.

Mas todos sabiam que não seria o caso: os pais de Robert, o casal americano Julius e Ethel Rosenberg, estavam prestes a serem executados na cadeira elétrica, condenados por compartilhar segredos técnicos da bomba atômica com a União Soviética.

Julius foi morto primeiro. Sua mulher, Ethel, em seguida. Ela sobreviveu à primeira eletrocussão. Precisou ser eletrocutada novamente.

Robert tinha apenas seis anos na ocasião.

“Tenho uma lembrança muito viva de uma família acolhedora e carinhosa”, recorda.

O casal Rosenberg havia sido detido em julho de 1950, por conspiração e espionagem, acusado de ter roubado – e entregado à KGB – informações do centro de pesquisas atômicas de Los Alamos, onde o irmão de Ethel trabalhava.

O pano de fundo era a Guerra Fria, período de grande antagonismo entre Estados Unidos e União Soviética, e também o macarthismo – como ficou conhecida a polêmica ofensiva governamental americana contra o comunismo.

Robert – que passou a usar o sobrenome da família que o adotou, Meeropol – critica o julgamento dos pais e está em campanha até hoje para obter do governo americano o reconhecimento de que Julius e Ethel teriam sido condenados injustamente.

Apesar de admitir que o pai era espião soviético, nega que ele tenha passado adiante segredos da bomba atômica. E afirma que a mãe foi condenada e executada “apenas para pressionar” seu marido Julius.

Robert e seu irmão buscam o perdão póstumo de Ethel na Justiça americana.

“Meus pais não deveriam ter sido executados”, alega. “Meu irmão e eu somos aguerridos e vamos continuar levando isso à frente."