'Elmo', 'Lorde Cabeça de Balde' e 'Mr. Fish Finger': os candidatos bizarros da eleição britânica

Theresa May participa de divulgação dos resultados da eleição, com homem fantasiado ao fundo Direito de imagem PA
Image caption 'Elmo' disputou vaga no Parlamento com premiê Theresa May por mesmo distrito eleitoral e dividiu palco com candidatos quando resultados foram anunciados

Quando subiu ao palanque para ouvir os resultados da votação em Maidenhead, seu distrito eleitoral, na madrugada desta sexta-feira, a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, enfrentava a pior noite de sua carreira política.

E sua expressão fechada tornou ainda mais surreal a situação para quem observava os candidatos a seu redor: além de vereadores buscando um upgrade na carreira política, May dividia espaço no palanque com Elmo (o personagem do programa infantil Vila Sésamo) e um homem conhecido como Lorde Cabeça de Balde - e que se veste com uma espécie de cavaleiro medieval.

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Image caption Lorde Cabeça de Balde também concorreu com Theresa May no distrito de Maidenhead

Sejam bem-vindos ao lado insólito e peculiar da política britânica.

Ao contrário do Brasil, a legislação eleitoral não exige filiação partidária e abre espaço para a participação de candidatos independentes. Com raras exceções (funcionários públicos e membros das Forças Armadas, por exemplo) qualquer cidadão britânico pode se candidatar.

E tal direito é usufruído por uma legião de pessoas em busca de atenção para causas particulares, para protestos cômico-anarquistas ou apenas por 15 minutos de fama. "Elmo", por exemplo, é o alter ego de Bobby Smith, um ativista que luta pelos direitos de pais em situação de alienação parental.

Outro candidato excêntrico foi o cômico Mr. Fish Finger (Sr. Palito de Peixe), que concorreu no distrito de Westmorland and Lonsdale - e levou 309 votos.

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Image caption Um dois candidatos que mais exóticos na eleição de quinta-feira foi Paul Ellis, mais conhecido como Mr Fish Finger (Sr. Palito de Peixe)

A legislação também é liberal no que diz respeito a domicílios eleitorais: um candidato não precisa viver no distrito que quer representar no Parlamento. Basta o endosso de 10 moradores. Isso permite que independentes como Smith escolham distritos mais badalados. Em 2015, por exemplo, ele concorreu pelo distrito de Witney, o mesmo do então premiê, David Cameron.

Naquela ocasião, Elmo teve apenas 57 votos - Cameron teve mais de 35 mil. Pior ainda foi sua "disputa" com May em Maidenhead: apenas três pessoas votaram no candidato.

Em ambos os casos, Smith teve prejuízo, já que candidatos nas eleições britânicas precisam pagar um depósito de 500 libras esterlinas (cerca de R$ 2.100), que só é devolvido para quem obtiver pelo menos 5% dos votos válidos.

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Image caption O Partido dos Monstros Malucos tem uma plataforma satírica

Mas o dinheiro parece importar pouco. Candidatos e partidos que defendem plataformas únicas não têm como objetivo assumir o governo, mas sim chamar a atenção para causas "menores" no espectro político, como é o caso de candidatos do Partido dos Direitos Animais, o Partido Jovem, ou Partido Pirata.

Ou mesmo simplesmente aparecer. O Partido dos Monstros Malucos participa das eleições desde 1983 com o objetivo puro e simples de ser um veículos para votos de protesto, algo evidenciado por uma plataforma eleitoral que inclui a criação de uma moeda de 99 centavos, ou a promessa de seu líder, Howling Laud Hope, de renunciar caso algum candidato consiga obter pelo menos 5% dos votos - o que nunca aconteceu na história da legenda.

"Se algum de nossos candidatos recebesse esse tanto de votos, seria um sinal de que não estava sendo maluco o suficiente", afirma Hope.

O slogan da legenda, por sinal, é "Vote pela Insanidade".

No entanto, o sucesso eleitoral de candidatos "nanicos" é raro: nos últimos 67 anos, apenas 13 independentes conseguiram chegar ao Parlamento. Nenhum deles de partidos mais exóticos.

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