O que é a droga 'champanhe rosado' que causa alarme no Reino Unido

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Image caption O MDMA, princípio ativo do ecstasy, costuma ser vendido como cristais, o que pode dificultar a dosagem segura

No último fim de semana de junho, o "champanhe rosado" causou a morte de uma pessoa e deixou outras dez no hospital, quatro delas em estado grave, na cidade inglesa de Manchester.

Este é o nome de um novo tipo de ecstasy que tem se popularizado em festas britânicas e preocupa as autoridades.

A Polícia de Manchester afirmou que a nova versão da anfetamina é "particularmente forte".

O ecstasy é um tipo de anfetamina modificada, também conhecido como MDMA (metilenodioximetanfetamina), que se popularizou nos anos 1970. A posse da droga, no entanto, é proibida na maioria dos países do mundo.

Enquanto o ecstasy, que se popularizou nos anos 1990, é vendido na forma de comprimidos coloridos, o "champanhe rosado" (ou pink champagne em inglês) vem na forma de cristais, o que torna mais difícil para o usuário medir a dose que está consumindo.

O último relatório do Escritório da ONU contra as Drogas e o Crime afirma que, em 2016, pelo menos 20 milhões de pessoas consumiram alguma variedade de MDMA.

Junto com a República Tcheca, o Reino Unido é um dos países com a maior taxa de consumo de ecstasy na Europa.

Popularidade

Após o incidente em Manchester, as autoridades britânicas abriram uma investigação sobre a droga, mas elas acreditam que sua popularidade repentina está relacionada com os efeitos potentes.

O "champanhe rosado" é um poderoso desinibidor que proporciona aos usuários horas de euforia, sensação de felicidade e extroversão.

No entanto, a "ressaca" destas horas costuma se manifestar com esgotamento físico e mental extremo, sensação de fazio e lentidão de raciocínio.

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Image caption Em 2016, pelo menos 20 milhões de pessoas consumiram alguma variedade de MDMA, segundo a ONU

"Quando o MDMA é absorvido pela corrente sanguínea, ele atinge o cérebro, causando a liberação de diversos compostos químicos", disse à BBC o psiquiatra Adam Winstock, fundador da organização Global Drug Survey, que realiza pesquisas sobre o uso de drogas em todo o mundo.

"O cérebro libera principalmente serotonina, mas também noradrenalina e dopamina. Isso é o que dá a sensação de prazer."

Riscos

No entanto, Winstock diz que uma dose muito alta da droga pode causar um efeito adverso, com resultados muito desagradáveis.

"Se você toma ecstasy demais, estes mesmos componentes químicos liberados pelo cérebro podem fazer com que seu coração comece a bater rápido demais e acabar com a euforia e a energia. Você começa a se sentir ansioso, nervoso e agitado."

Algumas pessoas conseguem superar os efeitos apenas esperando que eles passem, mas outros chegam a precisar de assistência médica.

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Image caption Quando o MDMA atinge o cérebro, causa a liberação de químicos que causam prazer, mas, em excesso, ansiedade e agitação

Músculos muito rígidos, respiração acelerada, pulso rápido, convulsões, espuma na boca e inconsciência são alguns dos sintomas de que o usuário de "champanhe rosado" precisa ser levado a um hospital.

Winstock diz que, ainda que o MDMA seja uma droga "segura" em comparação com outras, o número de mortes ligadas à substância no Reino Unido está aumentando.

A substância pode causar a morte de uma pessoa de três maneiras principais: ataque cardíaco, superaquecimento e excesso de água.

Se o corpo receber serotonina, dopamina e noradrenalina em excesso, pode sofrer desidratação e superaquecimento. "Uma vez que a temperatura do corpo ultrapassa os 42º C, os órgãos param de funcionar e pode ser difícil que ela se recupere", explica o psiquiatra.

O uso de MDMA costuma causar sede, e algumas pessoas morrem por beber água demais. Isso porque a droga também pode provocar a Síndrome da secreção inapropriada do hormônio antidiurético (SIADH), o que inibe a liberação da urina e causa um desenquilíbrio metabólico.

Em 2015, 57 pessoas morreram após tomar ecstasy no Reino Unido. Em 2011, foram 13 pessoas.

Segundo Winstock, "o risco, em geral, é pequeno, e até mesmo as pessoas que vão para a emergência hospitalar costumam voltar ao normal em dois ou três dias".

"Mas a única maneira de não correr nenhum risco é optar por não usar a droga", afirma.

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