As quatro frases 'explosivas' dos emails do filho de Trump sobre contatos na Rússia

Donald Trump Jr e Jared Kushner Direito de imagem Getty Images
Image caption Donald Trump Jr. (à esquerda) e Jared Kushner, genro de Trump, no baile de inauguração da Presidência

A troca de e-mails que Donald Trump Jr. divulgou no Twitter na terça-feira teve grande repercussão nos Estados Unidos.

Ela revela como o filho mais velho do presidente americano mostrou interesse em receber, de uma pessoa ligada ao governo russo, informações "sensíveis" que poderiam prejudicar a campanha da democrata Hillary Clinton durante as eleições presidenciais do ano passado.

Segundo Anthony Zurcher, repórter da BBC em Nova York, o conteúdo da troca de e-mails é "mais do que explosivo".

Ao que tudo indica, Trump Jr. resolveu se antecipar ao jornal americano New York Times, que estava prestes a revelar o conteúdo dos e-mails e que já vinha reportando, desde sábado, detalhes da relação do filho do presidente com Natalia Veselnitskaya, advogada que representa negócios do governo russo.

Mas para Zurcher, se a intenção de Trump Jr. era mostrar transparência e que não tinha nada a esconder, sua ação "foi como atirar na própria cabeça para evitar ser baleado".

Os e-mails vieram num momento em que autoridades americanas investigam acusações de que a Rússia teria interferido nas eleições americanas ao passar informações comprometedoras sobre Hillary Clinton para a campanha de Donald Trump.

O presidente nega que teria tido qualquer conhecimento sobre isso; a Rússia nega ter passado informações.

Mas os e-mails confirmam que houve um encontro entre Trump Jr. e Veselnitskaya na Trump Tower em junho de 2016, e que a reunião foi organizada pelo assessor de imprensa Rob Goldstone a pedido de seu cliente, Emin Agalarov, uma estrela pop da Rússia cuja família tem relações com o Kremlin e que já realizara negócios com o grupo Trump.

Na mensagem inicial, Goldstone oferece "documentos e informações que poderiam incriminar Hillary" e que seriam muito úteis à campanha de Donald Trump. Em resposta, Trump Jr. diz: "Se for o que estiver dizendo, adoro isto". A troca de e-mails prossegue - e inclui outras pessoas - até o agendamento da reunião.

Após a divulgação das mensagens, Trump Jr. tentou minimizar o peso das informações divulgadas: "Não foi nada demais", disse o filho do presidente à rede de televisão Fox News. Ele ainda destacou na entrevista que o presidente Trump não sabia da reunião: "Não tinha nada para contar a ele", afirmou.

O presidente emitiu um comunicado apoiando a atitude do filho e elogiando sua "transparência".

A seguir, Anthony Zurcher da BBC apresenta quatro trechos "explosivos" da troca de e-mails - e explica por quê:

"Isto é obviamente uma informação de muito alto nível e sensível, mas mostra o apoio do governo russo a Trump"

Na terça-feira, Trump Jr. tuitou as primeiras três páginas da troca de e-mails, deixando de fora a quarta página. Mas é essa última - publicada em seguida, após pressões - que tem os trechos mais "quentes".

A frase é escrita por Rob Goldstone, o assessor de imprensa do músico russo, querendo intermediar um encontro e dizendo diretamente ao filho do então presidenciável que a Rússia queria ajudar seu pai.

No parágrafo anterior, ele detalha o que está sendo oferecido: "documentos oficiais e informações" sobre a democrata Hillary Clinton.

Nas linhas seguintes, ele propõe a possibilidade de enviar material incriminador a Donald Trump pai, por meio de sua assistente pessoal, Rhona.


"Se é o que você diz eu adoro isso especialmente mais tarde no verão"

Apesar da falta de pontuação, essa resposta de Trump Jr. ao e-mail de Goldstone mostra que ele sabe exatamente onde está se metendo.

Ele está praticamente "babando" com a possibilidade de receber documentos do governo russo para incriminar a única pessoa que estava entre seu pai e a Casa Branca.

E mais, a segunda parte da frase parece indicar que Trump Jr. também já pensava sobre quando tal informação poderia ser revelada.

O encontro ocorreu no início de junho. "Mais tarde no verão" (no continente norte), a campanha eleitoral estava a todo vapor.

Foi quando ambos os partidos realizaram suas convenções nacionais. E foi quando foram divulgados pelo Wikileaks os e-mails mais comprometedores hackeados do comitê de campanha do Partido Democrata - a pedido do governo russo, segundo o setor de inteligência americano.

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Image caption Da esquerda, Emin Agalarov, Donald Trump e Aras Agalarov (pai de Emin) no concurso de Miss Universo, em 2013, em Moscou

"Emin pediu que eu agendasse uma reunião com você e a advogada do governo russo que está vindo de Moscou para esta quinta-feira."

A advogada em questão - Natalia Veselnitskaya - garantiu não ter relação com o governo russo, embora Goldstone a apresente como "advogada do governo".

Há a possibilidade de que Goldstone estava apenas "valorizando" o encontro, vendendo uma reunião supersecreta que daria uma reviravolta na campanha de seu pai, quando, na verdade, queria apenas atrair Trump Jr. fazendo o que fosse preciso para conseguir a reunião que tinha sido pedida por seu cliente, o pop star russo Emin Agalarov.

Isto não deverá absolver Trump Jr., mas poderia aliviar o governo russo de culpa, pelo menos a esse respeito.

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Image caption Conta no Twitter de Donald Trump Jr. divulga troca de e-mails que culminaram com reunião em Nova York

"Para: Jared Kushner; Paul Manafort"

Bem no topo da corrente de e-mails estão dois nomes que devem causar preocupação especial à Casa Branca - o genro de Trump, Jared Kushner, e o então diretor de sua campanha, Paul Manafort.

Quando as informações vieram à público, Trump Jr. chegou a afirmar ao New York Times que pediu a participação dos dois no encontro na Torre Trump, mas que não tinha dado detalhes sobre o assunto a ser discutido.

Isto parece não ser verdade, já que ambos provavelmente estavam a par de toda a troca de e-mails, incluindo o trecho que discutia a promessa de "documentos e informações" incriminadoras, um dia antes de participarem da reunião.

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