Ataque em Barcelona e suspeitos mortos em Cambrils: o que se sabe até agora

Polícia patrulha as Ramblas Direito de imagem Carl Court/Getty Images
Image caption Atentado na avenida mais famosa de Barcelona foi o pior na Espanha desde ataques a bomba em trens de Madri em 2004

O Ministério do Interior da Espanha anunciou ter desmantelado a célula por trás do ataque em Barcelona após "examinar as pessoas que morreram, foram presas e com base na checagem de identidades".

No entanto, o governo regional catalão disse que pode haver novas prisões. A polícia acredita que o motorista da van que matou 13 pessoas na quinta-feira esteja vivo e em fuga. O suspeito é Younes Abouyaaqoub, de 22 anos, nascido no Marrocos e morador da cidade de Rivoli, ao norte de Barcelona. Ele está sendo procurado.

Antes, havia sido apontado como suspeito de dirigir a van o jovem Moussa Oukabir, 17 anos. Ele foi um dos cinco mortos pela polícia catalã na cidade de Cambrils, na madrugada de sexta-feira (quinta-feira à noite no Brasil). Moussa é irmão de Driss Oukabir, 28 anos, que está preso e cujos documentos teriam sido usados para alugar o veículo.

A célula da qual ele faria parte seria composta por 12 homens. O governo diz que a operação policial só será concluída quando todos os suspeitos estiverem detidos.

Segundo a polícia, eles planejavam um ataque mais sofisticado, com bombas. Mas um acidente na casa onde os explosivos estariam sendo preparados, na cidade de Alcanar, na quarta-feira, teria frustrado os planos. Então, os suspeitos teriam decidido realizar ataques com veículos.

O incidente em Barcelona foi classificado pelas autoridades como ataque terrorista. É o último de uma série de atentados semelhantes ocorridos nos últimos 13 meses em diferentes cidades europeias, como Nice, Berlim, Londres e Estocolmo. É ainda o pior atentado do tipo na Espanha desde que 190 pessoas morreram nos ataques a bomba em trens de Madri, em 2004.

O premiê espanhol, Mariano Rajoy, anunciou três dias de luto nacional. Rajoy afirmou pelo Twitter que "os terroristas nunca derrotarão um povo unido que ama a liberdade frente à barbárie. Toda a Espanha está com as vítimas e (suas) famílias".

A reprodução deste formato de vídeo não é compatível com seu dispositivo
Vídeo mostra desespero de turistas fugindo durante atentado em Barcelona

Veja o que se sabe até agora:

O que aconteceu em Barcelona?

O ataque começou às 16h50 hora local (11h50 no horário de Brasília).

Testemunhas descreveram que viram uma van branca ziguezagueando em alta velocidade na área de pedestres, deliberadamente atingindo pessoas, atirando muitas ao chão e fazendo com que outras fugissem para se proteger em lojas e cafés.

Foram 13 mortos e mais de cem feridos.

A agência de proteção civil espanhola informou que as vítimas são de pelo menos 24 países, entre eles Espanha, França, Alemanha, Holanda, Argentina, Venezuela, Bélgica, Austrália, Hungria, Peru, Romênia, Irlanda, Grécia, Cuba, Macedônia, China, Itália, Argélia. O Itamaraty informou que não há brasileiros entre as vítimas.

A van atropelou pessoas por um trecho de cerca de 500 metros na avenida Las Ramblas - um calçadão que cruza 1,2 km pelo centro de Barcelona - antes de parar na frente de um famoso mosaico do artista Joan Miró.

O calçadão é popular entre turistas por causa de suas lojas, bares e restaurantes.

O que se sabe sobre os suspeitos dos ataques?

Direito de imagem Getty Images
Image caption Ataque ocorreu em um dos locais mais movimentados da cidade espanhola

A rede de televisão pública da Espanha RTVE informou que o veículo usado no ataque foi alugado em Barcelona.

A polícia havia divulgado uma foto de Driss Oukabir, 28 anos, como o homem que supostamente alugou a van, porém, o jovem se entregou à polícia dizendo que seus documentos foram roubados e usados sem o seu conhecimento.

O irmão de Driss Oukabir, Moussa Oukabir, de 17 anos, é suspeito de ter usado os documentos para alugar a van do ataque em Barcelona e outra van encontrada horas depois na pequena cidade de Vic, que seria destinada à fuga.

Moussa também chegou a ser considerado o principal suspeito de ter dirigido a van.

Mas agora a polícia da Espanha suspeita que outro nome conduziu o veículo: Younes Abouyaaqoub, 22 anos, nascido no Marrocos. O homem, que vivia na cidade de Ripoli, ao norte de Barcelona, está sendo procurado pela polícia.

Moussa e outros quatro suspeitos foram mortos pela polícia catalã em Cambrils. Todos estavam em um carro que avançou sobre pedestres, matando uma mulher e ferindo outras seis pessoas, na madrugada de sexta-feira.

Outras quatro pessoas estão presas: Driss Oukabir, Sahal el-Karib (34 anos), Mohammed Aallaa (27 anos), todos detidos na cidade de Ripoli, e uma pessoa não identificada na cidade de Alcanar.

O Estado Islâmico afirmou que os autores do atentado seriam "soldados" seus, de acordo com uma agência ligada ao grupo extremista. No entanto, não apresentou nenhuma prova.

O que aconteceu na cidade de Alcanar?

As autoridades disseram que havia uma ligação do ataque em Barcelona a uma forte explosão ocorrida na quarta-feira à noite na cidade de Alcanar, a cerca de 200 km ao sul de Barcelona, que destruiu uma casa, deixando uma mulher morta e sete feridos.

A casa estava cheia de garrafas de propano e butano, informou o jornal espanhol El País. A imprensa local diz que as pessoas que ocupavam a casa supostamente preparavam explosivos.

Direito de imagem EPA/JAUME SELLART
Image caption Explosão em Alcanar deixou casa completamente destruída

O que ocorreu em Cambrils?

Na madrugada de sexta-feira, a polícia da Catalunha informou que matou cinco suspeitos em uma operação para impedir um possível atentado em Cambrils, uma cidade turística a 120 km de Barcelona.

"Trabalhamos com a hipótese de que os fatos de Cambrils se referem a um ataque terrorista. Abatemos os supostos autores", comunicaram os Mossos d'Esquadra, como é conhecida a polícia catalã, em sua conta no Twitter.

Direito de imagem EPA/JAUME SELLART
Image caption Polícia que cinco homens tentaram ataque semelhante ao de Barcelona na cidade turística de Cambrils

Neste episódio, o carro com os homens - que usavam cintos-bomba falsas - tinha atropelado civis antes de ser parado a tiros pela polícia. As autoridades informaram que sete pessoas foram feridas, entre elas um policial, e uma das vítimas, uma mulher, morreu. Com isso, somam-se 14 mortos de civis em Cambrils e Barcelona.

Fontes policiais citadas pela Televisión Española disseram que os suspeitos mortos teriam tentado realizar um ataque de atropelamento em um calçadão turístico de Cambrils semelhante ao de Barcelona.

Os Mossos afirmaram no Twitter que "os terroristas abatidos em Cambrils estariam relacionados com os fatos registrados em Barcelona e Alcanar".

Segundo o chefe de polícia Javier Zaragoza, os envolvidos nos ataques de Barcelona e Cambrils não tinham antecedentes criminais.

Direito de imagem REUTERS/Sergio Perez
Image caption Policiais vigiam a área do atentado na manhã de sexta-feira

O que as pessoas viram em Barcelona?

Marc Esparcia, estudante de 20 anos que vive na cidade e estava próximo ao local do ataque, disse à BBC: "Houve um barulho forte e todo mundo correu para se proteger. Havia muitas pessoas, muitas famílias, esse é um dos locais mais visitados de Barcelona".

"Acho que muitas pessoas foram atingidas. Foi horrível, houve pânico. Terrível", afirmou o estudante, que ficou abrigado em uma loja Starbucks nas redondezas.

O americano Tom Markwell havia acabado de descer do táxi em Las Ramblas quando o ataque ocorreu. Ele disse ter ouvido a multidão gritar "como se tivesse visto uma estrela de cinema".

Direito de imagem AFP PHOTO / INSTAGRAM account carlos_tg_32_
Image caption 'Ouvimos gritando e chorando', diz turista galesa

"Eu vi a van, já com o capô batido. Ela estava ziguezagueando, tentando atingir as pessoas o mais rápido que conseguisse. Havia pessoas no chão".

A turista galesa Jessica Tanner estava em Las Ramblas momentos antes do ataque. "Estávamos tirando fotos por onde a van passou", contou à BBC.

"Minutos mais tarde ouvidos um barulho enorme atrás de nós e pessoas gritando e chorando. Nós corremos com a multidão e nos escondemos num loja".

"De início, todo mundo estava rezando para que fosse um acidente de carro. Estávamos aterrorizados".

Tópicos relacionados

Notícias relacionadas