Temer relata 'problemas dos refugiados' venezuelanos no Brasil em encontro com Trump

Trump e Temer posam para foto Direito de imagem AFP
Image caption Presidente brasileiro defendeu saída diplomática para Venezuela; Trump manteve críticas duras ao regime de Maduro

O presidente Michel Temer disse que relatou a Donald Trump "os problemas dos refugiados" venezuelanos que têm chegado ao Brasil, durante jantar realizado na noite desta segunda-feira em um hotel de Nova York.

"Temos mais de 30 mil refugiados no Brasil, milhares na Colômbia e alguns até no Panamá. Todos (os presentes no jantar) querem continuar a pressão para resolver, mas a pressão diplomática", disse Temer a jornalistas, na véspera de seu discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU.

O comentário acontece exatamente um ano depois do último pronunciamento de Temer na conferência mundial. Durante o auge da crise de refugiados de 2016, o presidente brasileiro afirmou a líderes mundiais que apoiava a vinda de refugiados da Síria ao Brasil.

"Os imigrantes deram, e continuam a dar, contribuição significativa para o nosso desenvolvimento. Temos plena consciência de que o acolhimento de refugiados é uma responsabilidade compartilhada", disse Temer na oportunidade.

Oferecido pela Casa Branca, o jantar incluiu, além de Trump e Temer, líderes da Colômbia, Argentina e Panamá. Também estavam presentes o vice-presidente, Mike Pence e o secretário de Estado, Rex Tillerson.

Durante o encontro, o presidente dos Estados Unidos afirmou que "o povo venezuelano está faminto e a Venezuela está em colapso". Trump também disse que agradecia aos presentes por "condenarem" o regime de Maduro na Venezuela.

Em fala breve a jornalistas, o presidente brasileiro afirmou que "houve coincidência absoluta nas posições de todos os participantes".

"Sob dois ângulos: o ângulo humanitário, a questão do povo venezuelano, e de outro lado a questão política, que cabe ao povo venezuelano. Mas, evidentemente, na opinião de todos que participaram do jantar, é preciso que haja uma solução democrática na Venezuela", disse Temer.

Críticas a Maduro

Donald Trump manteve o tom duro nas críticas que vem fazendo ao governo venezuelano.

"As instituições democráticas (da Venezuela) estão sendo destruídas e a situação é completamente inaceitável", disse Trump durante o jantar.

"Como vizinhos responsáveis e amigos do povo venezuelano, nosso objetivo deve ser ajudá-los a recuperar seu país e restaurar sua democracia", prosseguiu o presidente dos EUA.

Direito de imagem Reuters
Image caption Jantar incluiu, além de Trump e Temer, líderes da Colômbia, Argentina e Panamá

Michel Temer disse que os líderes presentes no encontro "querem que se estabeleça a democracia" na Venezuela.

"As pessoas (presentes na reunião) querem que lá se estabeleça a democracia. Não querem uma intervenção externa, naturalmente, mas querem manifestações que se ampliem, dos países que aqui estão, para os países da America Latina e Caribe, de maneira a pressionar a solução democrática na Venezuela", disse Temer.

O presidente brasileiro disse ainda que apoia sanções "verbais" e "diplomáticas" ao regime venezuelano.

Sanções

Nas últimas semanas, entretanto, o governo dos EUA impôs uma série de sanções ao governo de Nicolas Maduro. A rodada mais dura ocorreu no fim de agosto, quando Trump proibiu que cidadãos e empresas dos EUA comprem títulos da dívida pública venezuelana e da petroleira estatal PDVSA.

Esta foi a sexta rodada de sanções, que já incluiram punições contra Maduro, 10 membros da assembleia constituinte venezuelana, oito membros do Tribunal Supremo de Justiça, além de membros do Ministério Público, das forças armadas e da polícia da Venezuela.

Image caption Trump e Temer conversaram sobre situação da Venezuela | Foto: Agência Brasil

"As medidas são cuidadosamente calibradas para vetar à ditadura de Maduro uma fonte importante de financiamento de seu governo ilegítimo", afirmou a Casa Branca, em nota, após as últimas sanções.

No início de agosto, Donald Trump chegou a afirmar que considerava a possibilidade de uma intervenção militar no país sul-americano.

O comentário gerou reação imediata do Mercosul, que repudiou o emprego de violência.

"Os países do Mercosul consideram que os únicos instrumentos aceitáveis para a promoção da democracia são o diálogo e a diplomacia", disse nota emitida em seguida pelo bloco.

"O repúdio à violência e a qualquer opção que envolva o uso da força é inarredável e constitui base fundamental do convívio democrático, tanto no plano interno como no das relações internacionais."

"Os imigrantes deram, e continuam a dar, contribuição significativa para o nosso desenvolvimento. Temos plena consciência de que o acolhimento de refugiados é uma responsabilidade compartilhada", ressaltou.

Notícias relacionadas