Há ligação entre os dois grandes terremotos ocorridos no México em menos de um mês?

Montagem de duas fotos das ruínas dos dois últimos terremotos no México Direito de imagem AFP
Image caption Há uma conexão entre os terremotos de 7 de setembro (esq.) e 19 de setembro (dir.)?

O México mal havia começado a lidar com as consequências de um grande terremoto quando outro atingiu o país. Logo as pessoas naturalmente se perguntam: eles estão relacionados? Será que um causou o outro?

Sismólogos vão passar um bom tempo debatendo essa questão nos próximos meses, mas no momento os tremores não parecem conectados.

O sismo de magnitude 8,1 de 7 de setembro certamente atingiu uma região paralela à fronteira tectônica, mas o hipocentro - o ponto de origem dentro da Terra - estava a 650 km do terremoto desta terça-feira, de magnitude 7,1.

Se o segundo terremoto fosse um abalo sísmico secundário, a proximidade entre eles seria maior, dentro de 100 km, dizem sismólogos. Mas essa conclusão não é definitiva, e os cientistas estão avaliando os dados conforme aparecem. Talvez eles identifiquem uma maneira de transferência de pressão na crosta terrestre.

O que com certeza relaciona os dois abalos é a causa. O México está sobre três grandes placas tectônicas - os dois últimos terremotos aconteceram no ponto onde a placa Cocos, que sustenta o solo do Oceano Pacífico, submergiu sob a placa Norte Americana, que sustenta boa parte do território mexicano.

A placa de Cocos está convergindo em uma proporção de cerca de 75 milímetros ao ano e produz uma espécie de dobra ao descer, fazendo um movimento íngreme para baixo antes de voltar à posição plana e então voltar a imergir novamente.

Esse segundo ponto de descida foi o que provocou o terremoto de terça-feira, a algumas dezenas de quilômetros abaixo.

Preparos e estimativas

Hoje, modelos computacionais são usados para estimar possíveis mortes em um grande terremoto. Algumas horas após o mais recente tremor, as previsões indicaram 5 mil feridos e mais de 200 mortos. Até agora, as contagens apontam pelo menos 225 mortos.

Mas muita coisa depende da hora em que um terremoto acontece.

Se é de dia, como foi o caso, uma escola mal construída pode matar muitas crianças. A história da Enrique Rébsamen, a escola que desabou matando 32 crianças e cinco adultos no último terremoto, é um exemplo terrível disso.

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Image caption Mais de 32 crianças e 5 adultos morreram no colapso da escola Enrique Rebsamen, na Cidade do México

O terremoto de 7 de setembro foi 30 vezes mais forte do que o último, mas a magnitude não é tudo. O acontecimento da última terça aconteceu mais próximo a áreas mais povoadas e à Cidade do México, e impactou um centro urbano que fica em terrenos irregulares, que amplificam o tremor.

O preparo para a situação teria diminuído o número de mortes. O México é um dos lugares de maior atividade sísmica do planeta e deveria ter aprendido com a enorme devastação que sofreu em 1985 quando um terremoto de magnitude 8 matou 10 mil pessoas e deixou outras 30 mil feridas. O aniversário de 32 anos desse acontecimento foi na terça-feira, o mesmo dia do novo terremoto.

Um resultado dessa tragédia foi o estabelecimento de um sistema de aviso com antecedência - o Sistema de Alerta Sísmico Mexicano (SASMEX). Foi o primeiro do mundo.

O sistema usa uma rede de sensores capazes de captar a chegada de ondas sísmicas rápidas de um terremoto (as chamadas ondas P) antes de outras ondas ainda mais lentas e prejudiciais (as chamadas ondas S).

O aviso, dependendo da distância da origem do terremoto, pode vir poucos segundos antes, mas ainda assim há tempo suficiente para colocar em prática alguns treinamentos, como o Tírese, Cúbrase y Agárrese ("Abaixe-se, cubra-se e segure-se", em português).

Há vídeos na internet que mostram pessoas fazendo exatamente isso. Em outras palavras, o aviso deu tempo até de algumas pessoas ligarem a câmera de seus celulares.

Há também pessoas sugerindo que alguns mexicanos ignoraram o aviso porque houve um treinamento simulando alarmes e sirenes mais cedo no mesmo dia - o que sempre acontece nos aniversários do terremoto de 1985. Contudo, muitas outras reagiram de maneira rápida e esperta porque sua consciência sobre o perigo aumentou depois do tremor de 7 de setembro.

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Image caption O terremoto de 7 de setembro provocou grandes danos em edifícios no sul do México e na Guatemala