A trágica morte de Avicii, o DJ por trás de algumas das músicas de maior sucesso da última década

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Image caption DJ se retirou dos palcos em 2016, citando razões de saúde

A morte repentina do DJ sueco Avicii deixou fãs e artistas em estado de choque.

Seu talento para criar músicas eletrônicas de estilo popular fez dele um dos principais nomes desse gênero.

Com apenas 28 anos, Avicii já tinha realizado shows em várias partes do planeta, trabalhado com alguns dos artistas mais famosos do mundo e acumulado milhões de dólares em patrimônio pela reprodução de suas canções em diferentes plataformas na internet.

Mas, em seu caminho rumo ao estrelato, o DJ passou a enfrentar frequentes problemas de saúde.

Foi a sua agente, Diana Baron, quem deu a notícia sobre sua morte na noite de sexta-feira, dia 20 de abril.

Ela limitou-se a dizer que o corpo dele havia sido encontrado sem vida em Mascate, a capital de Omã, e não deu mais detalhes sobre as causas da morte.

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Image caption Avicii fue uno de los DJ más reconocidos internacionalmente.

Estrela pop

Avicii nasceu em Estocolmo em 1989 e foi batizado Tim Bergling.

O artista colaborou com grandes nomes da música, entre eles, Madonna, Coldplay, David Guetta e Lenny Kravitz. Recentemente, foi indicado aos prêmios de música Billboard nos Estados Unidos.

Sua mãe é a atriz Anki Liden, que estrelou "Minha Vida de Cachorro", um filme do diretor sueco Lasse Hallstrom indicado ao Oscar.

Avicii dizia que a sensibilidade do pop sueco foi uma grande influência.

"Crescemos cantando grandes canções folclóricas; é por isso que temos uma boa noção de melodias, você cresce com isso dentro de você, acho que molda todo mundo."

"Mas eu também cresci ouvindo Eric Prydz e Swedish House Mafia, que eram meus vizinhos".

Revelação

O DJ britânico Pete Tong foi quem descobriu Avicii, quando o jovem sueco participou de um show de talentos há uma década.

Avicci ganhou fama com uma música que Tong acabaria lançando por sua gravadora, com o título "Manman".

"Já estava claro que ele tinha um talento impressionante para inventar melodias e mostrava grande maturidade na maneira como ele conectava as faixas", disse Tong em entrevista ao jornal britânico Evening Standard em 2014.

"(Seu talento) é natural, o meu único arrependimento é de que não o contratei por mais tempo", acrescentou.

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Image caption A morte repentina gerou repercussão global

Atingir novos "níveis"

Depois de ganhar fama com uma série de canções, a popularidade de Avicii explodiu com a música "Levels" em 2011.

O trabalho, que combina um ritmo vibrante e eufórico, conquistou um disco de platina por suas vendas recordes em pelo menos 10 países.

O sucesso voltou pouco mais tarde com outro hino das pistas de dança como "I Could Be The One", uma parceria com Nicky Romero, e também com a música country "Wake Me Up", que canta com Aloe Blacc.

Embora Avicii utilizasse fórmulas diferentes, seus hits mais bem-sucedidos tinham os mesmos elementos: produções escapistas, cantores convidados que davam maior profundidade às músicas e as tornavam mais acessíveis e, acima de tudo, melodias irresistíveis.

Em resposta aos críticos que diziam que ele não fazia "música de verdade", o DJ afirmou ao Evening Standard: "Faço melodias, faço as progressões dos acordes, ou seja, faço música. Mozart escreveu em um pedaço de papel, nós DJs escrevemos em computadores. Eu realmente não vejo a diferença".

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Image caption Avicii era um dos maiores nomes da música eletrônica

Uma super estrela entre DJs

Seus sucessos continuaram ocupando as primeiras posições das listas de hits de diferentes países com canções como "Hey Brother", "You Make Me", "As Noites" e "Esperando Amor".

A revista de música Billboard elogiou suas produções, apesar de descrever seu estilo como um pouco "brega".

Segundo a revista Forbes, apenas em 2015, o DJ faturou US$ 19 milhões (R$ 65 milhões em valores atuais).

Ele colaborou com artistas como Coldplay, Rita Ora, Sia, Lenny Kravitz, Leona Lewis e Robbie Williams.

Também participou da cerimônia de encerramento da Copa do Mundo de 2014 e da festa de casamento do príncipe Carl Philip, da Suécia.

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Image caption Avicii na África do Sul
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Image caption Avicii era filho de uma atriz sueca

Filantropia

Em 2012, a Avicii embarcou na turnê "House of Hunger", de 27 dias nos Estados Unidos, com a promessa de levantar US$ 1 milhão para a Feeding America, uma organização beneficente que combate a fome nos Estados Unidos com bancos de alimentos para as comunidades carentes.

"Descobri quando comecei a ganhar dinheiro que realmente não precisava dele", dizia o DJ.

"Quando você tem dinheiro em excesso, percebe que não precisa tanto dele e o mais sensato e completamente óbvio é dar às pessoas que estão passando por necessidades", acrescentou.

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Image caption O artista colaborou grandes nomes da música como Coldplay, Rita Ora, Sia, Lenny Kravitz, Leona Lewis e Robbie Williams

O DJ também apoiou outras boas causas.

Em 2015, ele abordou os problemas do tráfico de pessoas e da violência de gangues quando dirigiu os vídeos "For a Better Day" e "Pure Grinding".

"Todas as músicas têm uma história que eu queria contar", disse.

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Image caption Avicii nasceu em Estocolmo em 1989

Problemas de saúde

Os problemas de saúde do artista vieram à tona em janeiro de 2012, quando ele passou 11 dias no hospital por causa de uma pancreatite aguda, supostamente causada por excesso de álcool.

"Beber se tornou uma rotina para mim, mas é impossível continuar fazendo turnês e bebendo ao mesmo tempo, porque um dia você vai entrar em colapso", disse ele ao jornal Evening Standard. "Especialmente quando você está fazendo 320 shows por ano."

Ele retornou ao hospital em 2013 e os médicos lhe recomendaram que retirasse sua vesícula biliar.

No entanto, Avicii não queria realizar a operação e continuou em turnê.

Em 2014, ele teve que se submeter à cirurgia.

Os médicos descobriram uma apendicite e também extraíram o apêndice.

"Tirei um mês de folga, mas realmente não foi um mês em que pude ficar sem fazer nada", disse ele à Billboard.

"Passava 12 horas por dia no estúdio e depois voltei para as turnês, é difícil dizer não nesta indústria, você quer tocar e estar em todos os lugares", acrescentou.

O preço alto das turnês

Devido aos problemas de saúde, ele anunciou que iria suspender as turnês em 2016.

"É algo que eu tive que fazer por motivos de saúde", disse ele ao site do Hollywood Reporter. "O palco não era para mim, o problema não eram os shows ou a música, era mais tudo aquilo que vem junto com essa vida, nunca foi uma coisa natural para mim."

"Em geral, sou mais introvertido, sempre foi muito difícil para mim, acho que recebi muita energia negativa."

Após o anúncio de sua aposentadoria, ele disse que conseguiu "recuperar a sua vida privada" e que estava "focando em mim mesmo pela primeira vez em muito tempo".

"Obviamente, essa foi a decisão mais difícil que tomei na minha vida", disse ele.

"Mas, até agora, isso vem me beneficiando tremendamente em relação a meu bem-estar e há muito tempo não me sentia tão feliz como agora."

Seu último show foi em Ibiza em agosto de 2016.

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