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Da Lua em Diante

Rumo à ‘Liberdade’:
da rivalidade à cooperação internacional

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A tripulação da missão Apolo-Soyuz, 1975.
Astronautas americanos e cosmonautas russos da acoplagem da missão Apolo-Soyuz, 1975

Em 1984, o presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan anunciou que tinha ordenado à NASA que construísse uma estação orbital permanente num prazo de dez anos.

A estação se chamaria FREEDOM - ‘Liberdade’. Reagan era um presidente que ainda chamava a União Soviética de Império do Mal.

Apesar do discurso agressivo que acompanhou presidentes americanos durante as quase três décadas de Guerra Fria, a tentação de compartilhar custos e tecnologia com os soviéticos sempre existiu.

Poderia ter ocorrido antes do que se imaginava. O presidente John Kennedy, dois meses antes de ser assassinado, aventou a idéia de uma cooperação com os soviéticos. Morto Kennedy, ninguém falou mais em trabalhar junto no espaço.


Atlantis
Lançamento do ônibus espacial Atlantis, que leva equipamento para a estação orbital rusa, MIR, 25 de setembro 1997

A aproximação com a Rússia foi aos poucos. Começou efetivamente em 1972, o mesmo ano em que foi assinado um tratado de limitação de armas estratégicas.

Durante três anos se preparou um vôo que passaria para a História - o da acoplagem no espaço das naves Apolo e Soyuz.

A política de abertura de diálogo entre o bloco soviético e os Estados Unidos - a chamada détente - garantiu o encontro no espaço.

Mas desconfiança ainda existia. Foi só quando a União Soviética se desintegrou, em 1989, que os americanos resolveram convidar os russos para participar de um projeto conjunto. Fato é que Ronald Reagan esperava animar o empresariado americano e o Congresso com a Freedom.

O projeto ia custar caro. A entrada da Rússia foi importante porque ela arcaria com trinta por cento dos custos.

A Rússia também tem equipamento e experiência. Sem a Rússia, seria difícil fazer a estação espacial internacional.

Os russos tinham na estação espacial MIR um caso de sucesso.

Foi construída para ficar cinco anos no espaço. Lá se vão treze anos e ela continua lá.


Representação artística da missão Apolo-Soyuz, 1975.
Uma representação artística da missão Apolo-Soyuz, 27 de maio, 1975

A estação internacional reuniu logo outros parceiros, entre a Europa, Canadá, Japão e o Brasil, mostrando que a próxima fase da exploração do espaço é de iniciativas internacionais.

Mas o grande parceiro da estação ainda é a Rússia, e há problemas.

A ironia é que, se por uma lado a desintegração da União Soviética permitiu uma aproximação política com os Estados Unidos e a cooperação no espaço, por outro, a emergência de países soberanos dificultou o programa espacial russo.

A plataforma de lançamento russa, por exemplo, fica num outro país, o Cazaquistão.

E, como nos Estados Unidos, sem o ‘incentivo’ da guerra fria, falta dinheiro para o programa espacial, problema pior ainda devido ao estado da economia russa.

Técnicos da NASA dizem que no começo a relação com os russos foi difícil.

Eles trabalham de um jeito diferente. Chegou-se a um meio termo depois de muitas reuniões. Não é que os americanos façam as coisas melhor, são é mais metódicos, buscam mais garantias de segurança.

A preocupação com os russos aumentou ainda mais com a queda, em julho de 1999, de um foguete russo Próton. O foguete é o que vai levar ao espaço o segundo dos dois módulos russos da estação espacial.

Atrasos só fazem subir o custo dessa estação, que já está em torno dos 30 bilhões de dólares, sem contar os vôos do ônibus espacial que está levando as peças para o espaço.


Examinação do equipamento
Cosmonautas russos e astronautas americanos examinam equipamento para a missão conjunta Apolo-Soyuz

O Brasil participa principalmente com peças que vão servir para armazenar equipamento para fazer experiências.

O Brasil também ganha o direito de enviar seu astronauta ao espaço. O paulista Marcos Pontes, major da Força Aérea, está sendo treinado pela NASA em Houston, no Texas.

A ida de um brasileiro é certa, mas ainda não tem data marcada.

Para quem gosta de observar o céu, resta torcer para que a estação acabe saindo.

Ela deve ter uma vida útil de quinze anos. Vai poder ser vista a olho nu, porque a órbita é relativamente baixa, de duzentos a quinhentos quilômetros de altitude. A estação também é bem grande, do tamanho de um campo de futebol.

Os engenheiros dizem que ela vai ser a estrela mais brilhante no céu. A estrela feita pelo homem, que vai iluminar mais as noites do século 21.

E, quem sabe, vai ser o nosso trampolim para vôos a Marte.

Índice

Página inicial

Do Sputnik à Apolo: a corrida espacial

Brilhantes sonhadores: os cientistas e técnicos que levaram o homem à Lua

Da Lua para a Terra: os avanços da ciência no nosso dia-a-dia

Rumo à ‘Liberdade’: da rivalidade à cooperação internacional

À procura de E.T : a exploração do espaço no século 21

Links na Internet

Nasa
(Em inglês)

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