A batalha de Cubatão contra a poluição atmosférica
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A batalha de Cubatão contra a poluição atmosférica

Quando a reportagem da BBC britânica visitou Cubatão, o primeiro polo de indústrias pesadas do Brasil, em 1981, o mundo testemunhou os efeitos devastadores da poluição atmosférica.

Fumaça preta e amarela saía das chaminés dia e noite. Na Vila Parisi, bairro residencial de baixa renda próximo a indústrias de petróleo, fertilizantes e metais, nasciam crianças com graves malformações nos membros e no sistema nervoso.

Apontada pela ONU como a cidade "mais poluída do mundo", Cubatão ficou conhecida globalmente como "Vale da Morte".

Apenas 10 anos depois, no entanto, Cubatão foi reconhecida na Conferência sobre o Meio Ambiente da ONU, Eco-92, como símbolo de recuperação ambiental. As emissões de poluentes chegaram a cair 90% e, com elas, os números de pessoas com doenças respiratórias e de bebês comprometidos.

Cubatão perdeu o posto de cidade mais poluída do mundo - e até mesmo do Brasil, segundo dados de 2014 da Organização Mundial de Saúde.

O órgão mede a concentração de dois tipos de material particulado na atmosfera, o PM10 e o PM2,5, cuja diferença está no tamanho das partículas poluidoras - como sulfato, nitratos e carbono - que penetram nos pulmões e no sistema cardiovascular. As mais finas, PM2,5, são consideradas mais perigosas.

Na cidade paulista, os valores de PM10 e PM2,5 de 2014 ficaram abaixo, mas muito próximos dos limites máximos de segurança estabelecidos pelo órgão - índices em que já há cerca de 15% mais chances de mortes prematuras.

A OMS considera que a exposição anual dos cubatenses ao material particulado PM2,5 ainda é três vezes maior do que a considerada desejável.

Pesquisadores e moradores da cidade, enquanto isso, continuam buscando soluções mais eficientes para monitorar e controlar a emissão de gases poluentes, para evitar que as cenas do passado voltem a se repetir.

Este material faz parte da série da BBC #SoICanBreathe, dedicada a problemas causados pela poluição.

Imagens de Chuck Tayman e reportagem de Camilla Costa e Luciani Gomes.