Mapa mostra que 9 em 10 ativistas assassinados no Brasil morreram na Amazônia
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Sangue na Amazônia: mapa mostra concentração de mortes de ativistas em áreas desmatadas

A BBC Brasil mapeou onde ocorreram os assassinatos de ativistas brasileiros em conflitos de terra nos últimos três anos.

O resultado é que 87% das mortes - ou 9 de cada 10 - ocorreram na Amazônia Legal, que engloba oito Estados e parte do Maranhão. Nessa região, vivem 24 milhões de pessoas, 13% da população do país.

Os dados são da organização internacional Global Witness, que compila os assassinatos de ativistas que lutam por terra e direitos humanos em todo o mundo.

Segundo a ONG, o Brasil é o país mais violento do mundo nesse quesito. De 2015 até maio deste ano, foram 132 vítimas – 118 homens e 14 mulheres.

Só este ano são 33 vítimas brasileiras, o que representa um terço dos ativistas mortos em todo o mundo nesse período. Logo atrás do Brasil está a Colômbia, com 22 ativistas assassinados em 2017.

As mortes quase não ocorrem no coração da Amazônia, onde está a grande parte da mata preservada. Mas sim em um arco de zonas desmatadas, na periferia da floresta. Das 132 mortes do período, 112 ocorreram nessas áreas, principalmente em Rondônia e no leste do Pará.

As vítimas são, em sua maioria, sem-terra, posseiros e trabalhadores rurais – 2 de cada 3 mortos na Amazônia Legal entre 2016 e 2017. Na lista também há indígenas e quilombolas.

Os dados indicam que a violência contra ativistas está aumentando no Brasil. Foram 32 vítimas em 2013, 29 em 2014, 50 em 2015, 49 em 2016. E, agora, 33 nos cinco primeiros meses de 2017.

Procurado pela BBC Brasil para comentar os números, o Ministério da Justiça afirmou em nota que "o governo brasileiro é um dos mais atuantes nas políticas de erradicação de conflitos agrários". Argumentou ainda que o ranking global considera a quantidade total de mortes, sem levar em conta a população do país. "Sendo o Brasil o maior país da região, esses dados podem ter outras leituras."

A Global Witness se baseia em informações coletadas pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Ambas as organizações alertam que a quantidade de mortos pode estar subestimada. Por outro lado, críticos chamam a atenção de que a lista pode incluir crimes sem relação com ativismo.

Leia a reportagem na íntegra aqui.

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