As pessoas obrigadas a pedir perdão publicamente na internet por ofensas à polícia
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As pessoas obrigadas a pedir perdão publicamente na internet por ofensas à polícia

Nos últimos anos, a internet se tornou um campo para pessoas que ofendem a polícia pedir clemência.

Chamados de “perdão pelo vacilo", os vídeos de desculpas à corporação acumulam milhões de visualizações nas redes sociais. Os autores das ameaças e piadas ainda são frequentemente perseguidos e excluem seus perfis pessoais.

A BBC Brasil identificou dezenas de casos como esses em ao menos oito Estados brasileiros. Após identificar pessoas que publicam ofensas contra policiais nas redes sociais, grupos as denunciam até que sejam encontradas e façam um pedido público de desculpas.

Os responsáveis pela publicação dos "perdões" se identificam, em sua maioria, como policiais. Eles usam o argumento de que a prática serve de exemplo para que outras pessoas não cometam o mesmo erro.

O advogado Ariel de Castro Alves, do Conselho Estadual de Direitos Humanos de São Paulo, diz que as pessoas que fizeram vídeos com ameaças aos policiais podem responder por diversos crimes, como injúria, calúnia ou difamação.

"Em alguns casos, ocorrem também há condutas de incitação ou apologia ao crime", afirma Alves.

Por outro lado, o advogado avalia que os policiais atuam como justiceiros ao cobrar um perdão público dos infratores.

"Essas atuações configuram crimes de constrangimento ilegal, ameaça, abuso de autoridade e, dependendo da gravidade, até a tortura (crime hediondo). Sendo a vítima um adolescente, além desses crimes da legislação penal, podem, os policiais envolvidos, responder pelo crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente de submeter criança ou adolescente a vexame ou constrangimento", diz.

Leia na íntegra.

Reportagem: Felipe Souza / Edição de imagens: Rafael Barifouse