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18 de abril, 2001 - Publicado às 20h31 GMT

Para o bem e para o mal, Alca é desafio para o Mercosul


Alfredo Valladão, especial para a BBC

A Área de Livre Comércio das Américas (Alca) é um desafio para o Mercosul, positivo e negativo.

Pelo lado positivo, a negociação com o gigante comercial norte-americano torna imprescindível uma melhor coordenação dos países mercosulinos para enfrentar o diálogo e as pressões vindas de Washington.

Para o Brasil, o processo de integração sub-regional representa o cerne da sua política externa, uma forma de multiplicador de forças que permite um maior espaço de manobra do país nos grandes foros internacionais políticos e econômicos.

A Argentina, atolada na crise cambial, e o Uruguai, desgostoso com a integração no Mercosul, vêm afirmando que seria melhor para eles negociarem sozinhos e não atrelados aos interesses brasileiros.

Lado negativo

Mas, na hora de colocar as fichas na mesa, todos sabem que, sem a força coletiva do bloco, o cacife para negociar é pouco.

Logo, a Alca pode ser um estímulo político para reforçar o processo de integração mercosulina.

Pelo lado negativo, o paradoxo é que a Alca também pode representar o fim do Mercosul.

Por enquanto, a construção sub-regional não passa de uma união aduaneira imperfeita – e além do mais com uma tarifa externa comun (TEC) perfurada pela crise argentina.

Na verdade, o perigo imediato é retroceder, de fato, para a simples zone de livre-comércio.

Aprofundamento

Mas, nesse caso, como poderá o Mercosul resistir à sua integração numa área comercial hemisférica infinitamente mais vasta?

As preferências comerciais que os quatro sócios concederam-se mutuamente não serão mais vantagem nenhuma dentro de uma zona preferencial de 800 milhões de pessoas e com a maior economia do planeta.

Qual a vantagem que o Brasil ou a Argentina podem dar um ao outro que não será dada pelos Estados Unidos ou Canadá, no caso da Alca vir a ser implementada?

Portanto, a única via pela qual o Mercosul pode se manter como processo original de integração é pelo "aprofundamento" do bloco: coordenação macro-econômica, cooperação política mais estreita e aceleração das etapas com vistas a estabelecer um verdadeiro mercado comum que vá além da atual união aduaneira capenga.

Em outras palavras, para sobreviver, o Mercosul está condenado a assumir plenamente os seus objetivos iniciais de um projeto político-estratégico e não só comercial.

Mercosul

Um bloco deste tipo pode perfeitamente sobreviver e, mais até, ter um papel central no hemisfério de uma força reequilibradora frente ao peso dos Estados Unidos.

Mas um aprofundamento mais ambicioso supõe vontade política de avançar para uma maior institucionalização do Mercosul com estruturas comums e até supra-nacionais.

Tirar todo o partido possível da Alca significa portanto ser capaz de partilhar soberania com os vizinhos.

"O Mercosul é um destino, a Alca, uma opção", diz a diplomacia brasileira.

Mas será que Brasília, na sua condição de líder de fato, ou a Argentina de Domingo Cavallo estão realmente dispostos a pagar o preço político da integração?

A alternativa é cada um por si e todos, um por um, nos braços acolhedores do Tio Sam.

Alfredo G. A. Valladão é professor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, onde é diretor da cátedra Mercosul.

 Pesquisa na BBC Brasil

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